Empresas Buffett e 3G escolhem português Miguel Patrício para dar a volta à Kraft Heinz

Buffett e 3G escolhem português Miguel Patrício para dar a volta à Kraft Heinz

Miguel Patrício trabalha há vários anos na Anheuser-Busch InBev. Agora vai liderar uma das maiores companhias alimentares do mundo, mas que está em queda desde que foi criada após a fusão entre a Kraft Foods e a Heinz.
Buffett e 3G escolhem português Miguel Patrício para dar a volta à Kraft Heinz
Nuno Carregueiro 22 de abril de 2019 às 17:33

A Kraft Heinz vai ter um novo CEO a partir de 1 de julho. A Berkshire Hathaway, de Warren Buffett e a capital de risco brasileira 3G, escolheram Miguel Patrício para liderar a companhia e dar a volta a uma empresa que tem vivido tempos difíceis.

 

Miguel Patrício é português mas fez toda a sua carreira no estrangeiro. "Nascido em Portugal, Patrício vai juntar-se à empresa depois de uma carreira de sucesso com duas décadas na Anheuser-Busch InBev (AB InBev), onde exerceu cargos de liderança em várias posições, gerando um crescimento orgânico e conseguindo das margens mais elevadas do setor", refere um comunicado da Kraft Heinz.

 

Na cervejeira brasileira Miguel Patricio foi Global Chief Marketing nos últimos seis anos, tendo-lhe sido atribuída a maior fatia do mérito do forte crescimento das vendas das cervejas Corona e Budweiser. Entre 2008 e 2012 o gestor liderou as operações da InBev na Ásia Pacifico, sendo que nos dois anos anteriores foi o presidente da divisão da América do Norte. 

 

Miguel Patrício tem 52 anos mas na imprensa especializada é classificado de veterano, dada a experiência que acumulou em várias empresas de produtos de grande consumo. Antes de ingressar na InBev esteve na Philip Morris, Coca-Cola Company e na Johnson & Johnson e em diferentes geografias: América Latina, New Jersey e Georgia.

Agora, após 20 anos a vender cerveja, o gestor de origem portuguesa vai trabalhar num novo segmento de produtos alimentares, sendo que a Kraft Heinz tem uma gama variada mas com vendas em queda. Vai também mudar de cidade. Atualmente está em Nova Iorque, mas seguirá para Chicago. 

 

Kraft Heinz em queda desde 2015

 

A Kraft Heinz foi criada em 2015 depois de a H.J. Heinz ter adquirido a Kraft Foods Group em 2015, dando origem à quinta maior companhia de alimentos e bebidas do mundo. Tal como outras empresas do setor, a Kraft Heinz tem sido penalizada pela mudança de hábitos dos consumidores a nível global, com a maior procura por comida saudável.

 

Em 2017 a companhia que produz o ketchup Heinz tentou dar outro salto de gigante, oferecendo 143 mil milhões de dólares para adquirir a Unilever, mas a companhia europeia recusou este que seria um dos maiores negócios de sempre.

 

O episódio mais negro da Kraft Heinz aconteceu este ano, quando a empresa anunciou um "write down" de 15,4 mil milhões de dólares para refletir a desvalorização de vários dos seus principais ativos.

 

As ações afundaram mais de 20% na sessão de 20 de fevereiro, tendo atingido mínimos históricos.

 

Dias depois, o guru dos mercados Warren Buffett chegou a admitir que o negócio que deu origem à Kraft Heinz foi um erro, declarações que foram lidas como uma critica aos parceiros brasileiros da 3G, que são os responsáveis pela gestão desta empresa.

 

Agora, a capital de risco brasileira e Warren Buffett tentam dar a volta à Kraft Heinz com uma nova liderança e uma estratégia diferente, deixando de focar-se no corte de custos (que é a especialidade da 3G).

Para já o mercado aplaudiu a substituição de Bernardo Hees por Miguel Patrício, com as ações a valorizarem 2,5%.

 
"Um olhar fresco"

Miguel Patrício é a aposta para tentar inverter a tendência de queda nas vendas de várias das marcas da companhia, que sofrem com a tendência mais generalizada de opção por comida saudável, em detrimento de comida processada.

Miguel Patrício é bem conhecido da 3G, já que a capital de risco brasileira é também das principais acionistas da InBev. A imprensa internacional realça que em vez de cortar custos, a missão do novo CEO passa para relançar muitas das marcas (algumas delas icónicas) e colocar a crescer as vendas de vários produtos.

 

Em entrevista à Bloomberg, o gestor português diz que vai "levar um olhar fresco para o negócio", admitindo que esta é uma "grande oportunidade".

 

Patrício não esconde a missão difícil que tem pela frente. "Tenho quase que ser um envagelista na empresa. A primeira preocupação de um CEO têm que ser as pessoas", disse à Bloomberg.

Em declarações ao Wall Street Journal, Miguel Patrício revelou que pretende alterar a estratégia da companhia, que viu vários dos seus produtos perderem força no mercado devido aos cortes de custos que foram implementados. 

Em entrevista à CNBC, Patrício desvalorizou não ter experiência no setor alimentar. "Bens de consumo são bens de consumo" e onde existe "transformação [de um mercado], existem oportunidades", respondeu o gestor, assinalando que "o meu perfil pode ajudar o futuro", em que "temos que liderar e não seguir" a concorrência. "É um novo ciclo para a empresa. Trago um 'backgroung' diferente para a companhia e para a equipa", acrescentou.

 

O "chairman" da Kraft Heinz, Alex Behring, diz que "o Miguel é um líder de negócios com provas dadas na construção de marcas de consumo icónicas em todo o globo, conseguindo um aumento nas receitas através do foco no marketing de privilegiar o consumidor, a inovação e o desenvolvimento das pessoas".

Marcel Herrmann Telles, que integra o conselho de administração da Kraft Heinz e trabalhou 20 anos com Miguel Patrício, diz que o gestor português "é um líder natural", destacando que conseguiu "atrair e estimular o melhor talento para liderar a recuperação do negócio da AB InBev China no sucesso fenomenal que é hoje. "O Miguel é um dos melhores talentos na construção de marcas desta indústria", acrescentou.

Em declarações, citadas no comunicado da Kraft Heinz, Miguel Patrício destaca as marcas "icónicas" da empresa, que "são amadas em todo o mundo". Acrescentou que "será um privilégio e uma honra liderar um talentoso grupo de empregados" e prometeu um foco "no consumidor, para capitalizar as oportunidades de crescimento que existem no mercado alimentar".




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