Empresas Gestor português com arranque difícil na Kraft Heinz

Gestor português com arranque difícil na Kraft Heinz

A empresa norte-americana apresentou resultados que os investidores consideram dececionantes, atirando as ações para mínimos históricos.
Gestor português com arranque difícil na Kraft Heinz
Miguel Patrício entrou na Kraft Heinz a 1 de julho
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Nuno Carregueiro 08 de agosto de 2019 às 15:04

A Kraft Heinz, que não apresentava resultados aos investidores desde fevereiro, revelou hoje as contas do primeiro semestre. Miguel Patrício, o gestor que foi escolhido para dar a volta à companhia norte-americana, deu hoje a cara pelos números apresentados, apesar de só ter entrado na empresa no primeiro dia do segundo semestre.

 

E as notícias não foram positivas, mostrando que a tarefa de Miguel Patrício poderá ser ainda mais difícil do que se esperava. O EBITDA da Kraft Heinz caiu 15% no mercado doméstico (Estados Unidos) e no total caiu 19,3% para 3 mil milhões de dólares.

 

O desempenho negativo é assumido por Miguel Patrício. "A queda que sofremos no primeiro semestre é algo que não poderemos considerar aceitável daqui para a frente", disse o gestor português, que antes de ingressar na empresa norte-americana era o diretor de marketing na Anheuser-Busch InBev.

 

As receitas líquidas caíram 4,8% para 12,36 mil milhões de dólares. Os lucros operacionais baixaram 54,6% para 1.296 milhões de dólares e os resultados líquidos desceram 51,4% para 854 milhões de euros.  

 

Os números foram muito mal recebidos no mercado. As ações caem 15,61% para 26,05 dólares, o que representa o valor mais baixo de sempre. Com as ações em mínimos históricos, a capitalização bolsista da empresa está apenas nos 32,8 mil milhões de dólares. Este ano já descem 37%.

 

Em comunicado, Miguel Patrício assumiu que "temos muito trabalho à nossa frente para definir as nossas prioridades estratégicas e alterar a trajetória do nosso negócio". Ainda assim, o gestor diz que "no curto espaço de tempo que está na companhia, apercebeu-se da boa apreciação que os consumidores em todo o mundo têm das marcas da empresa". Miguel Patrício acrescenta que a "nossa equipa está motivada com a oportunidade de induzir a próxima fase de crescimento e rentabilidade para a Kraft Heinz e os nossos acionistas".

 

Na conference call com analistas, a gestão afirmou que a Kraft Heinz precisa de um plano de longo prazo e que nesta altura não tem a visibilidade suficiente para avançar com estimativas de resultados.

 

Quando no início do ano a Kraft Heinz anunciou a amortização de ativos no valor de 15,4 mil milhões de dólares, problemas contabilísticos e uma investigação do regulador do mercado (SEC), a estratégia de corte de custos implementada até ali foi colocada em causa.

 

A Kraft Heinz foi criada em 2015 depois de a H.J. Heinz ter adquirido a Kraft Foods Group, dando origem à quinta maior companhia de alimentos e bebidas do mundo.

 

O gigante alimentar norte-americano, que é controlado pela Berkshire Hathaway, de Warren Buffett e a capital de risco brasileira 3G,  está presente em mais de 40 países e emprega cerca de 38 mil pessoas.




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