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Corredor de hidrogénio verde entre Portugal, Espanha e França vai custar 2.500 milhões de euros

Batizado como H2Med, o corredor de hidrogénio será composto por dois grandes "pipelines" entre Celorico da Beira e Zamora e entre Barcelona e Marselha. Transportará 10% do consumo de hidrogénio verde da UE em 2030.

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Bárbara Silva barbarasilva@negocios.pt 09 de Dezembro de 2022 às 12:45

O presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, anunciou esta sexta-feira que a construção do primeiro grande corredor de hidrogénio verde da União Europeia -- batizado como H2Med --, e que será composto por dois grandes "pipelines" entre Celorico da Beira e Zamora e entre Barcelona e Marselha, terá um custo inicial estimado de 2.500 milhões de euros. 

O projeto estará operacional no final desta década e terá capacidade para transportar 10% do consumo de hidrogénio verde da UE em 2030, ou seja, dois milhões de toneladas por ano, anunciou Sánchez numa conferência de imprensa conjunta com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o primeiro-ministro português, António Costa, e o presidente francês, Emmanuel Macron.   



Sánchez disse ainda que o próximo passo será candidatar o H2Med ao estatuto de  projeto de interesse comum europeu, o que será feito pelos três governos de Espanha, Portugal e França antes de 15 de dezembro, com o objetivo de aceder a fundos europeus tais como o mecanismo Conectar Europa, que pode assegurar 50% do valor do projeto.

O governante espanhol frisou que o projeto será composto pelas duas importantes interconexões energéticas entre os três países, já acordadas a 20 de outubro, uma por terra, entre Celorico da Beira e Zamora (CelZa), e outra no mar Mediterrâneio, entre Barcelona e Marselha (BarMar). 

"A aposta neste corredor de hidrogénio verde é uma boa notícia para os três países. É um orgulho e uma responsabilidade. E uma boa notícia para a Europa, no sentido de reforçar a segurança e a independência energética", disse Sanchez, acrescentando que Espanha e Portugal querem ser referências na produção e exportação de hidrogénio verde na Europa. 

A mesma mensagem foi frisada pelo primeiro-ministro português, António Costa, que classificou a Península Ibérica como um dos melhores locais para desenvolver energias renováveis, sobretudo solar, a preços baixos, "o que torna competitivo o hidrogénio verde produzido em Portugal e Espanha.  

"A par da quatro interconexões elétricas que estão acordadas, duas em operação, duas em projeto ou construção, para além das interconexões de gás já existentes entre Portugal e Espanha, acrescentamos agora um corredor dedicado exclusivamente ao hidrogénio verde. É mais um passo para o acordo político firmado em outubro com França e Espanha, com o qual acrescentamos mais uma fonte de energia para a Europa", disse Costa na conferência de imprensa.

Na opinião do chefe do Governo Português, o projeto H2Med vem "mudar o paradigma e reforçar a posição dos dois países ibéricos como produtores e exportadores de energia para o resto da Europa", o que permite "satisfazer o interesse conjunto", reforçar a segurança energética e diversificar fontes e rotas energéticas. 

"Este é um bom exemplo de como três países cooperam entre si para ajudar a Europa", disse Costa, aplaudido nas suas palavras por Macron, Sanchez e Von der leyen. 

Já a presidente da Comissão Europeia, também presente na cimeira energética de Alicante desta sexta-feira, sublinhou que o H2Med é um "projeto muito importante" para a UE, cujo objetivo passa por produzir 10 milhões de toneladas de hidrogénio até 2040, com mais 10 milhões de toneladas adicionais a serem importadas, e grande parte desta produção a ter de chegar à indústria. 

"A Península Ibérica será um hub de hidrogénio na Europa", disse Ursula von der Leyen,  revelando que estão já a ser negociadas parcerias com o Egito, Marrocos, e outros países do sul do Mediterrâneo. 

Por fim, Emmanuel Macron, argumentou que o corredor verde de hidrogénio agora lançado tem como objetivos baixar as emissões poluentes, abandonar os combustíveis fósseis, reindustrializar a Europa e garantir a sua soberania e autonomia energética. 

O presidente francês sublinhou também a nova interligação elétrica entre Espanha e França (a oitava, neste momento), que será construída e estará pronta em 2027, que irá aumentar a capacidade para escoar a eletricidade de origem renovável e criar uma rede integrada europeia.

O encontro sobre as ligações energéticas entre a Península Ibérica e França decorreu esta sexta-feira de manhã e antecedeu a 9.ª Cimeira dos Países do Sul da União Europeia, um fórum informal dos países mediterrânicos da UE de que faz parte Portugal.

Este grupo é conhecido como MED9 e dele fazem parte Portugal, Espanha, Itália, França, Malta, Grécia, Chipre, Eslovénia e Croácia.

Na agenda da cimeira do MED9, que decorre durante a tarde, também em Alicante, está uma sessão de trabalho dedicada à "autonomia estratégica" da Europa, "com foco na energia" e outra sobre "governação económica", que deverá dedicar-se mais em concreto à revisão das regras fiscais comunitárias, segundo as fontes do governo espanhol.

Estes nove países, apesar de "muito diversos" têm porém uma "certa convergência" em alguns temas que dominam as agendas europeias, disseram as mesmas fontes de Madrid.

Neste contexto, destacaram a rejeição bastante abrangente dentro deste grupo da proposta da Comissão para um preço máximo fixo para o gás (em detrimento de um mecanismo mais dinâmico) ou o entendimento de que a proposta de Bruxelas para as novas regras fiscais é um bom ponto de partida para o debate.

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