Petróleo no Algarve: Contratos de Sousa Cintra foram aprovados com "reticências"
A DGEG diz que não tinha "outra hipótese" senão autorizar Sousa Cintra no petróleo no Algarve, pois cumpria os requisitos. No entanto, o plano de trabalhos e a idoneidade da Portfuel levantaram dúvidas, transmitidas ao então ministro Moreira da Silva.
As concessões atribuídas ao empresário Sousa Cintra para que possa procurar petróleo no Algarve foram autorizadas pelo Governo de Passos Coelho em 2015 após parecer positivo da Direcção-Geral de Energia e Geologia (DGEG). Chamado ao Parlamento, o director-geral da DGEG diz que as concessões voltaram para trás por duas vezes por falta de documentos essenciais, mas que à terceira submissão o processo estava conforme o pedido por lei.
"Da nossa parte não nos restava outra hipótese senão seguir com o processo", declarou o director-geral da DGEG esta sexta-feira, 15 de Julho, no Parlamento. Carlos Almeida sublinhou que a DGEG pediu mais documentos por duas vezes e expressou as suas preocupações a Jorge Moreira da Silva.
"Nós chamámos a atenção destes problemas. Não escondemos nada, as nossas preocupações" afirmou na Comissão Parlamentar de Economia. O responsável sublinhou que o processo foi "despachado com algumas reticências", em relação ao plano de trabalhos previsto e à idoneidade da empresa Portfuel.
A luz verde dada pelo ex-ministro da Energia, Jorge Moreira da Silva, tem levantado polémica e merecido a contestação por parte de autarquias algarvias e ambientalistas. Quando entrou em funções, o Governo de António Costa levantou dúvidas sobre a legalidade dos contratos e pediu um parecer à Procuradoria-Geral da República (PGR), que disse não haver "motivo para apontar invalidade" aos contratos. Confrontado com esta decisão, o Secretário de Estado da Energia prometeu que vai estar atento à fiscalização dos contratos.
Outra das questões levantadas durante este processo foi se estas concessões permitem a exploração de petróleo, caso Sousa Cintra descubra jazidas relevantes no Algarve. Questionado sobre esta matéria, o responsável da DGEG respondeu afirmativamente. "Na minha opinião, sim, permite a exploração. Se efectivamente encontrar petróleo e apresentar toda a documentação". Neste âmbito, o parecer da PGR aponta que o contrato não concede de antemão o direito de exploração das jazidas de petróleo que possam ser descobertas.