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Pandemia trava rendas. Ficaram estagnadas no segundo trimestre

No segundo trimestre de 2020, o valor mediano das rendas dos novos contratos de arrendamento fixou-se em 5,41 euros por metro quadrado, uma subida marginal, de 0,2%.

No segundo trimestre, foram realizadas 33.398 transações de casas em Portugal, número que representa uma quebra de 22% face a igual período do ano passado.
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Rafaela Burd Relvas rafaelarelvas@negocios.pt 24 de Setembro de 2020 às 11:09
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Pela primeira vez desde que são recolhidos dados oficiais relativos aos valores praticadas em novos contratos de arrendamento para habitação, verificou-se uma estagnação das rendas. Este movimento aconteceu no segundo trimestre de 2020, já depois da declaração do estado de emergência em Portugal, que obrigou ao confinamento da população e à paralisação de grande parte da economia.

Os dados foram divulgados esta quinta-feira, 24 de setembro, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), que dá conta de que, no segundo trimestre de 2020, o valor mediano das rendas dos novos contratos de arrendamento se fixou em 5,41 euros por metro quadrado. Este valor representa um aumento de apenas 0,2% em relação a igual período do ano passado.

Esta é a primeira vez que o INE opta por apresentar os resultados trimestrais dos valores das rendas. Regra geral, são apresentados os valores medianos por semestre, mas o "impacto socioeconómico da pandemia covid-19" justifica a análise separada do primeiro e do segundo trimestre. "Esta opção permite uma análise das dinâmicas mais recentes do mercado de arrendamento mas condiciona a apresentação de resultados para pequenos domínios territoriais", ressalva o INE.

A análise trimestral mostra dois resultados muito diferentes. No primeiro trimestre, as rendas ainda aumentaram cerca de 10% em relação ao período homólogo. Foi só no segundo trimestre que o impacto da pandemia começou a fazer-se sentir: apesar do aumento de 4,8% do número de novos contratos de arrendamento, para um total de 13.772 contratos, as rendas aumentaram apenas 0,2%.

A pandemia levou mesmo a reduções das rendas em algumas das principais cidades, com quebras em 12 dos 24 municípios com mais de 100 mil habitantes. Em Lisboa, a cidade mais cara do país para arrendar casa, as rendas caíram 6,4% no segundo trimestre, fixando-se em 11,36 euros por metro quadrado. Já a maior quebra nos municípios com mais de 100 mil habitantes verificou-se em Cascais, onde a renda mediana caiu 10,1% no segundo trimestre, para 10 euros por metro quadrado. No Porto, por outro lado, a redução foi mais ligeira, de apenas 1,1%, com a renda mediana a fixar-se em 8,79 euros por metro quadrado neste período.

Mesmo assim, houve municípios com mais de 100 mil habitantes onde as rendas aumentaram a dois dígitos: Loures (15,7%), Amadora (11,6%), Seixal (12,5%), Vila Nova de Famalicão (14%) e Leiria (17,2%).

Rendas sobem no semestre

A análise semestral mostra ainda um aumento das rendas, graças ao comportamento do mercado nos primeiros três meses do ano. No conjunto de janeiro a junho de 2020, foram celebrados 74,088 novos contratos de arrendamento para habitação, com um valor mediano de rendas de 5,47 euros por metro quadrado, que representa uma subida de 9,4% em relação a igual período do ano passado. Mesmo assim, há uma desaceleração face à taxa de 10,8% que tinha sido registada no trimestre anterior.

Esta foi, ao mesmo tempo, a primeira vez desde o início desta série estatística (segundo semestre de 2017) que houve um aumento no número de novos contratos celebrados relativamente ao mesmo período do ano anterior, com uma subida de 3,8%.

Neste período, houve 35 municípios que apresentaram rendas acima do valor nacional. Apesar da desaceleração, Lisboa manteve-se como a cidade mais cara, com uma renda mediana de 11,92 euros por metro quadrado no primeiro semestre. Cascais, Oeiras, Porto, Amadora, Odivelas, Almada, Matosinhos, Loures, Albufeira, Loulé, Sintra, Lagos e Portimão são os restantes municípios mais caros do país para arrendar casa.

Lisboa tem o maior impacto, Porto resiste

O impacto da pandemia foi particularmente notório em Lisboa, enquanto o Porto continuou a apresentar um crescimento significativo das rendas.

No primeiro semestre, as rendas caíram em 10 das 24 freguesias de Lisboa: Carnide, Estrela, São Vicente, Avenidas Novas, Parque das Nações, Benfica, Marvila, Belém, São Domingos de Benfica e Penha de França. Esta é uma mudança drástica em relação ao segundo semestre de 2019, quando todas as freguesias de Lisboa tinham visto as rendas aumentar.

Mesmo assim, o município de Lisboa, no seu conjunto, ainda viu o valor mediano das rendas aumentar em 1,8% no primeiro semestre, fixando-se em 11,92 euros por metro quadrado.

A evolução foi diferente no Porto, onde as rendas ainda subiram 7,2% no primeiro semestre, para um valor mediano de 8,93 euros por metro quadrado. Neste município, só a união de freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde registou uma quebra das rendas, de 3,2%, para os 9,31 euros por metro quadrado. Esta descida fez com que esta freguesia deixasse de ser a mais cara do Porto, passando esse lugar a ser ocupado pela união das freguesias de Lordelo do Ouro e Massarelos, onde se verificou um aumento de 6,7% para os 9,49 euros por metro quadrado.

Notícia atualizada pela última vez às 11h54 com mais informação.
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