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Preços das casas desaceleram, mas continuam a subir. Vendas caem mais de 20%

Entre abril e junho de 2020, foram transacionados mais de 33 mil alojamentos, por um valor total de 5,1 mil milhões de euros.

Os encargos com habitação pesam hoje mais no rendimento das famílias portuguesas do que em 2010.
Sérgio Lemos
Rafaela Burd Relvas rafaelarelvas@negocios.pt 22 de Setembro de 2020 às 11:08
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O preço das casas continuou a aumentar no segundo trimestre de 2020, período fortemente marcado pelo impacto da pandemia de covid-19. Contudo, nesse período, houve uma clara desaceleração dos preços, ao mesmo tempo que o número de vendas caiu mais de 20%. Ao todo, foram transacionados mais de 33 mil alojamentos, por um valor total de 5,1 mil milhões de euros.

Os dados foram divulgados esta terça-feira, 22 de setembro, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), que dá conta de um aumento de 7,8% no índice de preços da habitação, no segundo trimestre de 2020, em relação a igual período do ano passado. Esta variação representa uma redução de 2,5 pontos percentuais em relação ao primeiro trimestre, quando os preços das casas ainda aumentaram 10,3% em termos homólogos. Desde o final de 2016 que os preços das casas não registavam um crescimento tão baixo em termos homólogos.

O impacto da pandemia, mostram ainda os dados do INE, é mais notório na análise trimestral. Entre o primeiro e o segundo trimestre de 2020, os preços das casas aumentaram 0,8%; no arranque deste ano, o crescimento em cadeia aproximava-se dos 5%.

Esta desaceleração dos preços verifica-se tanto nos alojamentos novos como nos existentes. No primeiro caso, os preços cresceram 6% em relação ao segundo trimestre do ano passado, abaixo da taxa de 8,9% que tinha sido registada no primeiro trimestre. Já no caso dos alojamentos existentes, o aumento de preços foi de 8,2%, depois dos 10,6% registados no primeiro trimestre.

Preço médio cai

Entre abril e junho de 2020, foram transacionadas 33.398 habitações, uma quebra de 23% face às mais de 43,5 mil vendidas no primeiro trimestre, por um valor total superior a 5,1 mil milhões de euros, valor que representa uma queda de 24% em relação aos 6,7 mil milhões registados nos primeiros três meses do ano.

Feitas as contas, o preço médio das casas vendidas em Portugal durante o segundo trimestre fixou-se em 154 mil euros, menos 1% do que os 155 mil verificados no primeiro trimestre. Mesmo assim, o preço médio das casas continua em máximos de, pelo menos, 2009, ano em que é iniciada esta série estatística do INE.

Algarve e Madeira são as mais afetadas

O Algarve e a Madeira são as regiões mais afetadas, com as quebras mais acentuadas tanto no número de transações realizadas como no valor total transacionado.

No Algarve, foram vendidas 2.323 casas durante o segundo trimestre, menos 38% do que em igual período do ano passado, por um valor total de 460,4 milhões de euros, uma quebra homóloga de 36%. Já na Madeira, foram registadas 525 vendas, uma queda de 29%, por um valor total de 75 milhões de euros, menos 23% do que há um ano.

Em sentido contrário, o Alentejo foi a região onde se sentiu o menor impacto, registando-se mesmo um aumento do valor total transacionado, de 212,7 para 213 milhões de euros.

Notícia atualizada pela última vez às 11h34 com mais informação.
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