Imobiliário Um terço das casas demora mais de um ano a vender

Um terço das casas demora mais de um ano a vender

A escassez de novo produto e os elevados preços praticados levam a que 22,5% dos apartamentos e 37,5% das moradias em Portugal demorem mais de 12 meses a serem vendidos, revela um estudo da Imovendo.
Um terço das casas demora mais de um ano a vender
Miguel Baltazar
Rui Neves 29 de outubro de 2019 às 11:43

O imobiliário está em alta em Portugal, com os imóveis a serem vendidos ainda em planta. No último ano, as transações ultrapassam os seis mil milhões de euros todos os trimestres, contra os três mil milhões que se verificavam há 10 anos.

 

Um retrato que está longe de ser generalizado a toda a oferta, já que o tempo de espera para a venda de apartamentos e moradias tem vindo a alargar-se, "reflexo de ‘asking prices’ [preços praticados] elevados, por vezes, mesmo desajustados da realidade em que o imóvel se insere", revela um estudo da Imovendo, a que o Negócios teve acesso.

 

Segundo a análise desta consultora imobiliária relativa ao mês de setembro, verifica-se que o tempo de divulgação dos imóveis regista, em média, uma espera superior a um ano - 22,5% no caso dos apartamentos e 37,5% das moradias, sendo que apenas 12% e 7,8%, respetivamente, são vendidos nos primeiros trinta dias.

 

Por outro lado, a entrada de produto novo no mercado é inferior a 15% para apartamentos e de 8% para moradias, "o que revela um enorme constrangimento do lado da oferta, nomeadamente de produto novo", conclui a Imovendo.

"Há uma enorme escassez de novos imóveis para venda, sendo que os anúncios existentes nos portais não refletem o verdadeiro dinamismo do lado da oferta, na medida em que apenas revelam novas angariações de imóveis que, não raras vezes, já se encontravam à venda por outras empresas de mediação imobiliária", explica Manuel Braga, CEO da Imovendo.

 

"Por este motivo, a descompressão dos preços será necessariamente lenta e ocorrerá pelo lado da procura, que não consegue suportar as taxas de esforço inerentes aos ‘asking prices’ que estão a ser pedidos no mercado", sublinha o mesmo responsável.

 

Há 7.112 mediadoras em Portugal, mais 888 do que há um ano

O estudo da Imovendo revela também que, no final de setembro, existiam em Portugal 7.112 empresas de mediação imobiliária em atividade, mais 888 do que há apenas um ano e mais do dobro face às cerca de três mil de há 10 anos.

 

Um crescimento exponencial que, de acordo com a Imovendo, resulta de três grandes fatores: "A gradual legalização de profissionais que atuavam enquanto gestores de imóveis, o caráter apelativo que o imobiliário continua a suscitar e a fragmentação e atomização das empresas de mediação imobiliária tradicionais, em entidades cada vez mais pequenas e alavancadas na tecnologia".

 

Resultado: a média de imóveis residenciais vendidos por cada empresa cai de 11 para 9, nos primeiros seis meses do ano, quando comparado com igual período do ano passado, revela o mesmo estudo.

 




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