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Covid-19 converte lucros da Sonae Indústria em prejuízos de 7,2 milhões

A pandemia está a afetar significativamente a atividade do grupo maiato, que levou até ao fecho parcial ou total das fábricas que tem em sete países, com a faturação, incluindo os 50% com a Arauco, a dar um trambolhão de 67 milhões de euros no primeiro semestre.

Rui Neves ruineves@negocios.pt 30 de Julho de 2020 às 21:04
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A Sonae Indústria fechou a primeira metade deste ano com prejuízos de 7,2 milhões de euros, contra lucros de 2,4 milhões de euros no mesmo período do ano passado.

 

Incontornavelmente, a pandemia da covid-19 foi identificada como a grande culpada por esta inversão da performance financeira do grupo.

 

"Os resultados da Sonae Indústria no primeiro semestre de 2020 foram significativamente afetados pelos impactos da pandemia da covid-19, tendo os níveis de atividade sido particularmente impactados nas últimas semanas de março e nos meses de abril e maio", realça Paulo Azevedo, presidente do grupo, na abertura do comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), esta quinta-feira, 30 de julho.

 

Entretanto, em junho, "todos os negócios" da Sonae Indústria registaram uma "recuperação significativa dos níveis de atividade, à medida que as economias reabriram e a procura aumentou".

 

Mas, atenção, "apesar disto ser claramente encorajador, ainda é muito difícil prever o desempenho no resto do ano dos nossos principais segmentos de clientes", avisa Paulo Azevedo.

 

A Sonae Indústria assume que "não consegue estimar com rigor e fiabilidade os efeitos futuros [da covid-19] nos seus resultados", reconhecendo que "os efeitos da pandemia podem continuar a ser significativos nos próximos trimestres, particularmente em caso de novos surtos significativos do vírus e da imposição de novo ‘lockdowns’ (até uma solução para a crise de saúde estar disponível)".

 

O grupo dá conta que, "tendo abril sido um mês muito difícil, seguindo de uma pequena recuperação em maio e uma melhoria forte em junho".

 

E não obstante a intensidade dos impactos negativos da pandemia nos resultados da Sonae Indústria ter sido diferente por negócio e região, "o principal efeito resultou de um denominador comum que foi a redução significativa dos níveis de volume de negócios", sintetiza.

 

Tanto mais que, "em alguns casos", as suas unidades industriais "foram temporariamente encerradas devido a restrições no âmbito de ‘lockdowns’ ou a uma diminuição do nível de encomendas".

 

Covid-19 corta 67 milhões nas vendas e infeta 17 trabalhadores

 

Consequência: o volume de negócios consolidado da Sonae Indústria foi de 94,9 milhões de euros no primeiro semestre de 2020, menos 21,5 milhões do que no mesmo período do ano passado - um forte decréscimo que é "devido essencialmente" ao seu negócio na América do Norte.

 

A Sonae Indústria tem duas fábricas em Portugal (na Maia e em Paredes), uma no Canadá e outra na Alemanha, empregando mais de 500 pessoas.

 

Considerando a "joint venture" Sonae Arauco, grupo que detém a meias com a chilena Arauco, a faturação levou um tombo de 67 milhões de euros.

 

A Sonae Arauco tem uma dúzia de fábricas em quatro países, das quais cinco na Alemanha, duas em Espanha, uma na África do Sul e quatro em Portugal (em Mangualde, Oliveira do Hospital, Castelo de Paiva e Sines).

 

Registe-se que, "até à presente data", a Sonae Indústria contabiliza 17 casos confirmados de covid-19 entre os seus trabalhadores, incluindo a Sonae Arauco, "dos quais 15 já recuperados".

 

A forte quebra da faturação impactou no EBITDA recorrente e consolidado da Sonae Indústria no primeiro semestre do ano, que foi de 10,3 milhões de euros, em ambos os casos, o que traduz uma redução homóloga de 2,7 milhões e 2,3 milhões de euros, respetivamente.

 

Já em termos proporcionais, considerando os 50% com a Arauco, o EBITDA recorrente foi de 24,1 milhões de euros, cerca de 11,9 milhões de euros menor face ao primeiro semestre do ano passado.

 

Uma nota para os custos fixos do grupo neste semestre, que foram cerca de 15% menores face à primeira metade de 2019, já que os mesmos "no segundo trimestre já incluem os impactos positivos dos ‘lay-offs’ e regimes de trabalho reduzido implementados com o objetivo de compensar parcialmente a redução significativa do volume de negócios devido à pandemia da covid-19", explica a Sonae Indústria.  

 

Dívida líquida de 314 milhões, excluindo obrigações subordinadas

 

Em termos de solidez financeira, excluindo as obrigações subordinadas, no montante de 50 milhões de euros, emitidas durante o último trimestre do ano passado, no final de junho a dívida líquida sénior proporcional do grupo fixava-se em 314 milhões de euros,

 

Em relação aos efeito da covid-19 na liquidez e no financiamento, o grupo presidido por Paulo Azevedo refere que, "considerando as operações de refinanciamento, concluídas entre dezembro de 2019 e março de 2020, as amortizações de dívida programadas da Sonae Indústria no segundo semestre de 2020 foram reduzidas para cerca de seis milhões de euros", sendo que, "na presente data, os ‘covenants’ nos contratos de financiamento existentes foram cumpridos ou remediados".

 

A liquidez disponível na Sonae Indústria no final de junho passado, calculada como as linhas contratadas disponíveis mais o montante de caixa e equivalentes de caixa, "totalizou 55,5 milhões de euros, incluindo 23,2 milhões de euros no Canadá".

De resto, apesar das incertezas criadas pela crise da covid-19, o grupo maiato afiança que "as medidas decisivas já tomadas pela gestão, as medidas de apoio criadas pelos governos e a recente recuperação gradual registada" nos seus negócios, "em particular nos níveis do volume de negócios, estabelecem uma base para a Sonae Indústria ultrapassar os desafios extremos criados pela pandemia, contanto que os titulares de dívida corporativa apoiem as medidas necessárias para alcançar este objetivo".

 

Problemas com limites dos seguros de créditos à vista

 

Entretanto, apesar de outros potenciais problemas relacionados com a covid-19, como indisponibilidade de matérias primas e serviços, indisponibilidade da força de trabalho devido a questões de saúde e segurança e problemas relativos a gestão de crédito e cobrança de contas a receber, não terem tido impactos negativos significativos no desempenho operacional e nos resultados do grupo, a Sonae Indústria alerta que "a situação pode alterar-se durante os próximos meses".

 

E dá um exemplo: "As reduções na cobertura dos seguros de crédito que ocorreram devido à pandemia, geralmente não se traduziram, até à presente data, em reduções adicionais dos volumes de vendas (além das resultantes da própria crise), mas como os volumes de vendas começaram a recuperar, os novos limites dos seguros de crédito podem não ser suficientes para cobrir totalmente as vendas potenciais", admite.

 

Para compensar, "tanto quanto possível, os impactos negativos da pandemia", a Sonae Indústria reporta que "as equipas de gestão realizaram ações importantes em diferentes níveis de todos os negócios, incluindo adaptar os níveis de produção (de acordo com a procura), os custos (otimizando os custos fixos) e os planos de investimento, de forma a proteger a liquidez e salvaguardar o futuro".

 

Acresce que, "sempre que possível e adequado, também utilizámos as medidas de apoio criadas pelos governos para compensar parcialmente os efeitos negativos da pandemia nos negócios".

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