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Galinha põe Saraiva a liderar dona do JN e DN após comprar-lhe empresa falida

Duas décadas depois de se tornar empresário, o presidente da CIP teve a sua Metalúrgica Luso-Italiana metida em dois PER, a faturar 900 mil euros e com dívidas de cinco milhões, a qual acabou por ser comprada pelo novo maior acionista da Global Media.

António Saraiva, presidente da CIP. Miguel A. Lopes/Lusa
Rui Neves ruineves@negocios.pt 18 de Setembro de 2020 às 19:28
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António Saraiva, o patrão dos patrões portugueses, que lidera a Confederação Empresarial de Portugal (CIP) há já 10 anos, nasceu em Novembro de 1953 em Ervidel, distrito de Beja. Filho único, foi muito jovem para Lisboa com os pais. Completou o curso da Escola Industrial e começou a sua carreira profissional aos 17 anos como operário metalúrgico na Lisnave, onde chegou a presidir à comissão de trabalhadores.

 

A Lisnave pertencia então ao grupo José de Mello, que em 1987 convidou António Saraiva para diretor comercial da Metalúrgica Luso-Italiana (MLI), produtora de torneiras da marca Zenite, que o atual líder da CIP viria a adquirir 10 anos depois, quando corporizou um MBO.

 

Quando Saraiva chega à presidência da CIP, em 2010, já a MLI estava em fase descendente. Só entre 2011 e 2014 a empresa acumulou prejuízos de 1,4 milhões de euros, para uma faturação da ordem dos 1,6 milhões de euros anuais.

 

Primeiro PER no final de 2015 com dívidas de 4,1 milhões de euros

 

Na véspera do Natal de 2015, Saraiva apresentava a MLI ao Processo Especial de Revitalização (PER).

 

"O nível de endividamento atingido e a inexistência de ativos desonerados priva a empresa de recorrer a novos financiamentos", retirando-lhe assim "a possibilidade de manter uma política de ‘stocks’ que lhe proporcione alguma vantagem competitiva".

 

Por outro lado, "a exigência dos fornecedores no recebimento contra entrega ou antecipadamente torna-se cada vez mais comum", pelo que "a premente exigibilidade do reembolso dos financiamentos limitará em definitivo a tesouraria", explicava a empresa no PER.

 

Antes da adesão da MLI ao PER, Saraiva promoveu um despedimento coletivo, que "envolveu cinco pessoas" – revelou o empresário ao Negócios, alguns meses mais tarde. No final de 2016, a empresa já só empregava cerca de duas dezenas de pessoas.

 

A Luso-Italiana apresentou-se ao PER com créditos reclamados de 4,1 milhões de euros de 21 entidades, com o BPI à cabeça (1,33 milhões de euros), seguindo-se a sociedade de garantia mútua Lisgarante (922 mil euros) e a CGD (687 mil euros), destacando-se ainda o crédito de 341 euros do sindicato do sector.

 

Mas houve 69 credores que não reclamaram os seus créditos, num total de 898 mil euros, entre os quais o próprio dono da empresa (573 mil euros) e a Associação Industrial Portuguesa (AIP), que tinha a haver 1.331 euros.

 

De acordo com o processo de recuperação da Luso-Italiana, aprovado pelos credores e homologado pelo tribunal em abril de 2016, a empresa compromete-se a amortizar os créditos comuns e os garantidos em 120 prestações mensais, com um período de carência de capital de entre um (garantidos) e dois anos (comuns). Já os créditos de 103 mil euros resultantes do processo de despedimento colectivo, seriam "liquidados mensalmente até 31 de Janeiro de 2019".

 

Segundo PER em setembro de 2018. Credores perdoam e Galinha compra

 

Mas eis que, pouco mais de dois anos depois, em setembro de 2018, perante o agravamento da situação financeira da MLI, Saraiva viu-se obrigado a apresentar um segundo PER da empresa.

 

Com um total de 79 credores e uma dívida já a chegar aos cinco milhões de euros, para uma faturação que nesse ano foi de 919 mil euros, a salvação da MLI passou por um "enorme perdão" e pela entrada de um novo investidor, através de um plano de recuperação que viria a ser homologado pelo tribunal em janeiro do ano passado.

 

E quem foi que comprou a MLI? O grupo Bel, de Marco Galinha, o novo maior acionista da Global Media, a dona do Jornal de Notícias (JN), Diário de Notícias (DN), TSF e O Jogo, entre outros títulos.

 

Saraiva falará sobre a Global Media "quando for tempo e oportunidade"

 

E quem é que vai ser o chairman da Global Media? António Saraiva.

 

Esta quinta-feira, 17 de setembro, quanto questionado sobre o seu novo desafio profissional, que foi avançado pelo Eco, o presidente da CIP remeteu esclarecimentos para mais tarde. "Terei muito gosto [de explicar] quando for tempo e oportunidade. A Global Media terá um plano de comunicação para o novo quadro acionista, com o que se propõe para este grupo de media português", afirmou aos jornalistas.

 

O Negócios tentou contactar António Saraiva, ao longo da tarde desta sexta-feira, mas o gestor nunca atendeu o telemóvel.

 

Marco Galinha também nunca atendeu. "Não vale a pena ligarem para o Marco, pois ele não vai responder", atirou Helena Ferro Gouveia, diretora de comunicação e marketing do grupo Bel, adiantando ao Negócios que o novo maior acionista da Global Media prevê "fazer uma comunicação na próxima semana, já com nomes e respostas a perguntas que existem".

 

 

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