Transportes Matos Fernandes: “Já parece mal as autarquias não serem donas da STCP”

Matos Fernandes: “Já parece mal as autarquias não serem donas da STCP”

O Governo quer que a STCP passe totalmente para as mãos dos municípios, mas, até lá, continua a engordar o investimento nos autocarros sustentáveis do Grande Porto. Há quase 20 milhões de euros disponíveis para a compra de 81 veículos a gás natural para a empresa do Norte.
Matos Fernandes: “Já parece mal as autarquias não serem donas da STCP”
Rui Neves Cláudia Brandão 12 de abril de 2019 às 17:56

Para o ministro do Ambiente e da Transição Energética, "já parece mal as autarquias não serem donas da STCP (Sociedade de Transporte Coletivos do Porto). É o momento de dar um passo em frente", afirmou João Pedro Matos Fernandes.

 

Atualmente, a STCP é apenas gerida pelos seis municípios onde opera e vai receber, no próximo ano, mais 81 novos veículos sustentáveis. "Esta é a mudança que nós queremos", disse o ministro em relação à transição da frota para veículos "de elevada performance ambiental".

 

O ministro Matos Fernandes abriu, assim, o concurso público para a renovação da frota da STCP. A cerimónia decorreu esta sexta-feira, 12 de abril, com alguma simbologia, no Museu do Carro Elétrico, no Porto. Não menos simbólico, no Dia Nacional do Ar.

 

O concurso público pressupõe a aquisição de 81 novos veículos movidos a gás natural, num investimento global de mais de 19 milhões de euros, dos quais 53% oriundos do Fundo de Coesão.

 

Nas palavras do presidente da STCP, Paulo de Azevedo, os primeiros autocarros deverão estar em circulação no final de 2020, com entregas de seis a oito unidades por mês.

 

Em 2021, 64% da frota da STCP estará renovada (terá menos de quatro anos), englobando um total de 419 viaturas. Para o presidente do Conselho Metropolitano do Porto, Eduardo Vítor Rodrigues, esta ambição "mostra como a privatização da concessão teria sido um erro histórico", assumindo o desafio da "criação de uma nova empresa de transportes".

 

Já para o ministro do Ambiente e da Transição Energética, esta solução, dentro do objetivo que tem sido a descentralização, "mostra como a gestão pública pode dar bons resultados". "Quisemos rejeitar o modelo que herdámos, deitando-o ao lixo porque era errado", afirmou Matos Fernandes, reconhecendo, no entanto, que "fomos mais longe do que imaginámos".

 

Esta é mais uma das etapas do Governo para responder ao expectável aumento de utilizadores de transportes públicos, depois da entrada em vigor dos passes únicos mais baratos nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, através do Programa de Apoio à Redução do Tarifário dos Transportes Públicos (PART).

 

Na semana em que entrou em vigor o novo tarifário, a 1 de abril, o primeiro-ministro anunciou um investimentos superior a 800 milhões euros para desenvolver a rede de transportes da Área Metropolitana do Porto (AMP), sendo 600 milhões para a expansão do metro e 200 milhões para redes de metrobus.

 

No entanto, Matos Fernandes lembra que cabe às autarquias a gestão do dinheiro, não estando a divisão fechada pelo Governo. "A decisão é vossa, este é o vosso tempo", desafiou.

 

O concurso público para a expansão do metro, com a criação da Linha Rosa e o aumento da Linha Amarela, foi lançado no dia 5 deste mês. Entretanto, será ainda lançado o concurso para a aquisição de cinco novos elétricos para a cidade do Porto.

 

No mesmo dia em que "caiu a primeira tranche do Estado para o PART", como revelou Eduardo Vítor Rodrigues, sublinhando a "velocidade de cruzeiro que esta estratégia justifica", está agora, também, aberto o período de candidaturas para a renovação da frota de autocarros da STCP, que deverá terminar no último trimestre do ano. "Não há problemas de tesouraria", afiançou Matos Fernandes.

 




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