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Hotelaria espera quedas de 70% de ocupação e receita este ano

A hotelaria nacional antecipa uma quebra de 70% da ocupação e das receitas no conjunto deste ano. As perdas deverão ser, no mínimo, de 3,2 mil milhões de euros, mas podem ultrapassar este valor.

Inês Lourenço
Rafaela Burd Relvas rafaelarelvas@negocios.pt 22 de Outubro de 2020 às 13:20
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A hotelaria já deixou de lado os melhores cenários e tem novas previsões para os resultados deste ano. Apesar do "balão de oxigénio" que o verão representou, a hotelaria antecipa agora uma quebra de 70% na taxa de ocupação e outros 70% das receitas no conjunto de 2020. É o mesmo que dizer que, este ano, a hotelaria deverá faturar menos 3,2 mil milhões de euros do que no ano passado, um montante que poderá ser superior.

As projeções, apresentadas esta quinta-feira, 22 de outubro, pela Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), constam do mais recente inquérito à hotelaria realizado por esta associação. O inquérito, realizado no período de 21 de setembro a 15 de outubro, mostra um cenário drástico, como, aliás, já tem sido descrito pelo setor.

Durante os meses de junho a setembro, a taxa de ocupação média da hotelaria só ultrapassou os 50% no Alentejo (com uma taxa de 55%), ficando abaixo em todas as outras regiões do país. A Área Metropolitana de Lisboa (18%) é, a par dos Açores (19%), a região mais penalizada, seguindo-se a Madeira (22%), o Norte (29%), o Centro (35%) e o Algarve (41%).

Neste período, o preço médio praticado pela hotelaria caiu cerca de 25% na maioria do país, com a exceção, mais uma vez, do Alentejo, que viu os preços aumentarem em relação ao ano anterior. Esta quebra foi, ainda assim, menos acentuada do que era antecipado pela AHP, referiu Cristina Siza Vieira, diretora executiva da associação.

Depois de um verão já de si fraco, as perspetivas pioram. Para os meses de outubro a dezembro deste ano, a maior taxa de ocupação média, de 23%, é prevista na região Norte. Em todas as restantes regiões, a hotelaria prevê uma taxa de ocupação inferior a 20%, com as mais baixas novamente em Lisboa (11%) e nos Açores (9%).

A agravar este cenário está o facto de a maioria das reservas ser agora reembolsável. "As reservas eram contadas como dinheiro em caixa. Hoje, a maioria das reservas, cerca de 78%, é reembolsável. Esta é uma tendência que veio para ficar e não há maior alteração de paradigma do que esta", afirmou Cristina Siza Vieira.

Perante estes indicadores, a AHP apresenta três cenários para os resultados no conjunto deste ano. O melhor cenário, em que a taxa de ocupação cai 60%, já está praticamente afastado. No cenário considerado mais provável, a taxa de ocupação cai 70%, com uma perda de 40,6 milhões de dormida. No pior, a ocupação cai 80%, com menos 46,4 milhões de dormidas.

As projeções são semelhantes para as receitas. No melhor cenário, as receitas da hotelaria cairão 70% em relação aos 4,48 mil milhões de euros registados no ano passado, o que implica uma perda de 3,2 mil milhões de euros. Já no pior cenário, a perda será de 80%, ou 3,6 mil milhões de euros.
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