Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Turismo acumula quebra superior a 60% até agosto

No acumulado de janeiro a agosto de 2020, o número de hóspedes e de dormidas caiu mais de 60%, tal como os proveitos da hotelaria.

Pedro Catarino
Rafaela Burd Relvas rafaelarelvas@negocios.pt 15 de Outubro de 2020 às 11:05
  • Assine já 1€/1 mês
  • 1
  • ...
Portugal recebeu, em agosto, perto de 1,9 milhões de hóspedes, responsáveis por mais de 5 milhões de dormidas, mantendo a tendência de recuperação que já tinha sido verificada nos meses anteriores. Mesmo assim, as quebras da atividade turística, num ano marcado pela pandemia, atingem níveis históricos: no acumulado de janeiro a agosto de 2020, o número de hóspedes e de dormidas caiu mais de 60%, tal como os proveitos da hotelaria.

Os números foram divulgados esta quinta-feira, 15 de outubro, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), que confirma assim a estimativa rápida que tinha sido divulgada no início deste mês.

Os dados do INE mostram que, no mês de agosto, os estabelecimentos de alojamento turística registaram 1,89 milhões de hóspedes, responsáveis por 5,09 milhões de dormidas, números que representam quebras de 43% e 47%, respetivamente, em relação ao mesmo mês do ano passado. Isto num mês em que 21% dos estabelecimentos estavam encerrados ou não registaram qualquer movimento de hóspedes. Em julho, quando quase 30% dos estabelecimentos ainda estavam encerrados, as quebras homólogas destes indicadores eram superiores a 60%.

Ainda em agosto, a estada média reduziu-se em quase 7%, para 2,69 noites, enquanto a taxa de ocupação por cama derrapou mais de 26 pontos percentuais, fixando-se em 42,3%.

Já os proveitos totais da hotelaria derraparam 48,9% e totalizaram 326,5 milhões de euros no mês de agosto. Os preços praticados pela hotelaria, por seu lado, registaram uma quebra mais ligeira, de 7,4%, com o rendimento médio por quarto ocupado a fixar-se em 107,6 euros em agosto.

Apesar das quebras acentuadas, há uma clara recuperação face a julho, para a qual contribui o mercado interno, que chegou até a crescer, em relação ao ano passado, em algumas regiões do país. Em agosto, as dormidas de residentes totalizaram mais de 3,3 milhões, uma quebra de apenas 2,1%. Já os não residentes foram responsáveis por 1,7 milhões de dormidas, uma queda de 72%.

A contribuir para a recuperação do turismo, destaca ainda o INE, esteve também a abertura do corredor aéreo entre o Reino Unido e Portugal a partir do dia 22 de agosto. Assim, depois de quatro meses com quebras superiores a 90%, o mercado britânico - o principal mercado externo do turismo português - registou uma redução de 79,8% das dormidas.

Agosto não compensa resto do ano

A recuperação em agosto ainda não é, contudo, suficiente para compensar as perdas registadas no conjunto do ano, que continuam a ser superiores a 60%. No conjunto de janeiro a agosto, Portugal registou 7,3 milhões de hóspedes e 18,2 milhões de dormidas, números que representam quebras de 60% e 62%, respetivamente.

Mais uma vez, são os mercados externos que justificam estas quedas acentuadas. As dormidas de não residentes derraparam 73,6% no conjunto dos oito primeiros meses do ano, aproximando-se ou mesmo ultrapassando os 80% em alguns mercados. É o caso dos residentes no Reino Unido, cujas dormidas caíram 79% no acumulado de janeiro a agosto, da Irlanda, com uma quebra de 89%, ou dos Estados Unidos, que registam uma queda de 83%.

Na análise por regiões, é nas regiões autónomas e em Lisboa que se notam os maiores impactos. O número de dormidas caiu 74% nos Açores e 68% na Madeira entre janeiro e agosto, enquanto na Área Metropolitana de Lisboa a queda foi de 69%. Em sentido contrário, o Alentejo (com uma quebra de 39%), o Centro (menos 52%) e o Norte (com uma redução de 57%) são as regiões onde se nota o menor impacto.

O impacto também é notório nos proveitos totais da hotelaria, que derraparam 65,4% neste período, para os 1.026 milhões, um movimento também justificado pela quebra de quase 12% no rendimento médio por quarto ocupado, que se fixou em 80,8 euros.
Ver comentários
Saber mais turismo hotelaria ine pandemia
Mais lidas
Outras Notícias