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Bolsa brasileira em queda livre após Bolsonaro colocar general a liderar a Petrobras

O intervencionismo de Bolsonaro na Petrobrás colocou o real a cair 2,2%, apesar da intervenção do banco central. Já o iBovespa, principal índice da Bolsa de São Paulo, afunda 5,14% para 111.339,3 pontos, regressando assim a níveis de dezembro de 2020.

Nuno Carregueiro nc@negocios.pt | Lusa 22 de Fevereiro de 2021 às 16:08
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Uma decisão do presidente brasileiro está a provocar uma fuga intensa dos investidores dos ativos brasileiros, colocando as ações da Petróbras e outras empresas públicas em queda livre.

O intervencionismo de Bolsonaro colocou o real a cair 2,2%, apesar da intervenção do banco central. Já o iBovespa, principal índice da Bolsa de São Paulo, afunda 5,14% para 111.339,3 pontos, regressando assim a níveis de dezembro de 2020.

 

Já a Petrobrás afunda 10,59% para 20,44 reais, sendo que os títulos da petrolífera estatal brasileira cotados em Wall Street (ADR) estão a cair ainda mais, sofrendo uma queda acima de 20%. A companhia já na sexta-feira tinha fechado com quedas próximas de 10% na bolsa brasileira, devido à expetativa de mexidas na gestão.

 

A queda das ações eliminou cerca de 96 mil milhões de reais (17,5 mil milhões de dólares) do valor de mercado da Petrobrás, empresa que é parceira da Galp Energia na exploração petrolífera no Brasil.

 

A queda das ações foi exacerbada pelo facto de vários analistas - Bradesco BBI, BTG Pactual, Credit Suisse, JPMorgan, Nau Securities, Santander, Scotiabank e XP Investimentos – terem reduzido a recomendação das ações devido à decisão de Bolsonaro.

 

Um general a liderar uma petrolífera

 

O Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, anunciou no domingo uma troca na presidência da petrolífera estatal Petrobras, colocando no cargo o general Joaquim Silva e Luna, num momento de polémica acerca do aumento dos preços dos combustíveis no país.

 

"O Governo decidiu indicar o senhor Joaquim Silva e Luna para cumprir uma nova missão, como conselheiro de administração e presidente da Petrobras, após o encerramento do ciclo, superior a dois anos, do atual presidente, senhor Roberto Castello Branco", indicou Bolsonaro na rede social Twitter, ao partilhar um comunicado do Ministério de Minas e Energia.

 

Na quinta-feira, o chefe de Estado já tinha adiantado que "algo iria acontecer" na maior empresa do país, mas sem dar pormenores.

 

Na sua habitual transmissão em vídeo na rede social Facebook, na quinta-feira, o chefe de Estado fez críticas à gestão da Petrobras e aos sucessivos aumentos no preço dos combustíveis.

 

"A partir de 1.º de março, não haverá mais imposto federal sobre o diesel por dois meses. Nos próximos dois meses, vamos estudar uma forma definitiva de eliminar esse imposto para ajudar a equilibrar esse aumento excessivo da Petrobras", declarou Jair Bolsonaro, ao anunciar a isenção de impostos sobre diesel e gás durante dois meses.

 

"Teve um aumento, no meu entender, aqui eu vou criticar, um aumento fora da curva da Petrobras. 10% na gasolina e 15% no diesel. É o quarto reajuste do ano. A bronca vem sempre para cima de mim, só que a Petrobras tem autonomia", acrescentou o mandatário.

 

Há duas semanas, o sindicato dos camionistas, que apoiou o líder de extrema-direita nas presidenciais que Bolsonaro venceu em 2018, ameaçaram realizar uma greve geral contra o aumento dos preços dos combustíveis.

 

Apesar de defender a autonomia da companhia, as últimas declarações de Jair Bolspnaro foram interpretadas pelos investidores como uma tentativa de interferir na estatal, assim como na sua política de preços.

 

Contudo, para que a substituição na presidência daquela que é a maior empresa do Brasil seja concretizada, a indicação ainda precisa do aval do Conselho de Administração da Petrobras, que se reunirá na próxima terça-feira, mas cujo teor do encontro não foi revelado.

 

Segundo a imprensa brasileira, Joaquim Silva e Luna, general da reserva do Exército, foi o primeiro militar a exercer o cargo de ministro da Defesa, no Governo do ex-presidente Michel Temer.

 

Já em 2019 assumiu a presidência da parte brasileira da central hidroelétrica de Itaipu, experiência tida em consideração ao ser nomeado para presidir uma das maiores petrolíferas do mundo.

O general possui pós-graduação em Política, Estratégia e Alta Administração do Exército pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército. Também é pós-graduado, pela Universidade de Brasília, em Projetos e Análise de Sistemas.

 

Já a indicação de Roberto Castello Branco para liderar a Petrobras foi feita ainda em 2018, durante a transição de Governo de Temer para o de Bolsonaro.

 

Roberto Castello Branco, com pós-doutoramento pela Universidade de Chicago, é ex-diretor do Banco Central e da Vale, uma das maiores empresas do setor mineiro do mundo. Entre 2015 e 2016, durante o governo da ex-Presidente Dilma Rousseff, foi também membro do conselho de administração da Petrobras.

 

Foi também professor no Centro de Estudos em Crescimento e Desenvolvimento Económico da Fundação Getúlio Vargas.

 

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