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Galp Energia sofre maior queda em três meses após prejuízos no trimestre

As ações da petrolífera afundaram num dia negativo nos mercados e estão perto de atingir mínimos desde 2009.

Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 26 de Outubro de 2020 às 16:46
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A Galp Energia reagiu em queda acentuada aos resultados do terceiro trimestre, sofrendo a desvalorização mais forte em três meses, numa sessão marcada pelo vermelho em todos os setores devido ao avanço da pandemia em todo o mundo.

 

Numa sessão em que o PSI-20 desvalorizou quase 2%, as ações da Galp Energia fecharam a cair 4,89% para 7,746 euros, o que representa a queda diária mais forte desde 28 de julho. Os títulos negociaram perto dos mínimos de 2009 que foram atingindos a 2 de outubro nos 7,53 euros.

 

Desde o início do ano as ações da Galp Energia acumulam uma queda de 48%, em linha com o setor europeu em 2020 (-43,8%), já que as petrolíferas estão na linha da frente entre as mais penalizadas pela pandemia. Hoje o Stoxx Oil & Gas cedeu perto de 3%, penalizado também pela desvalorização das cotações do petróleo.

 

A desvalorização das ações na sessão desta segunda-feira acontece na sessão em que a empresa liderada por Carlos Gomes da Silva anunciou que fechou o terceiro trimestre com um resultado líquido negativo de 23 milhões de euros, que compara com 101 milhões de euros positivos no mesmo período do ano passado.

 

Os prejuízos baixaram para menos de metade face ao segundo trimestre deste ano, mas ficaram muito abaixo do esperado pelos analistas, que de acordo com a Bloomberg contavam com um regresso aos lucros entre julho e setembro (22,7 milhões de euros).

A Galp foi penalizada pela descida da cotação do petróleo e do dólar, margens de refinação negativas, baixa nas vendas, mas também perdas financeiras de 93 milhões de euros.   

Os analistas do CaixaBank BPI e o Goldman Sachs escreveram esta manhã que os resultados saíram globalmente em linha com o previsto, salientando que o desvio nos resultados líquidos está relacionado com os itens financeiros.

O analista Pedro Alves, do CaixaBank BPI, diz que a atividade operacional foi "positiva", como EBITDA a ficar 7% acima do esperado, com todas as áreas a recuperarem exceto a refinação, que passou para prejuízos.

O presidente executivo da Galp Energia, Carlos Gomes da Silva, revelou que a suspensão da produção de combustíveis na refinaria de Matosinhos deverá manter-se, pelo menos, durante "este trimestre". 

 

Analistas "aprovam" venda das distribuidoras de gás   

Também hoje a Galp Energia anunciou que chegou a acordo para vender a sua posição de controlo de 75% na Galp Gás Natural Distribuição (GGND) à Allianz Capital Partners por um total de 368 milhões de euros.

A venda da unidade de distribuidoras de gás faz parte do plano de rotação de ativos que a petrolífera delineou para a sua estratégia, que passa pela maior aposta em ativos renováveis. No documento com a apresentação de resultados, a Galp diz que esta operação permite "cristalizar valor" de um ativo "não core", tirando partido do "atual ambiente de mercado". 

Em reação a este negócio, o CaixaBank BPI diz que este desinvestimento era já aguardado e está em linha com a estratégia de rotação de ativos da empresa. Este banco avaliava o ativo vendido em 293 milhões de euros, pelo que diz que a transação, analisada de forma isolada, tem um impacto positivo no preço-alvo em 15 cêntimos por ação. O CaixaBank BPI tem um preço-alvo para a Galp Energia de 12 euros, com uma recomendação "neutral". 

Já os analistas da Bloomberg consideram que a venda da GGND "faz sentido" e deverá "ajudar a aliviar as pressões no balanço".

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