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Galp Energia vende empresa de distribuição à Allianz por 368 milhões de euros

A petrolífera vendeu uma posição de 75,01% na companhia que detém nove empresas regionais de distribuição de gás em Portugal. O valor implícito no negócio ficou abaixo do que a Galp Energia pretendia em março, quando avançou com a operação no mercado.

Pedro Elias
Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 26 de Outubro de 2020 às 08:02
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A Galp Energia anunciou hoje que chegou a acordo para vender a sua posição de controlo na Galp Gás Natural Distribuição (GGND) à Allianz Capital Partners, em nome das companhias de seguro da Allianz e da Allianz European Infrastructure Fund.

 

Em comunicado, no dia em que anunciou prejuízos no terceiro trimestre, a petrolífera refere que vendeu uma posição de 75,01% na companhia de distribuição, onde detinha uma posição de 77,5%.

 

A GGND detém nove empresas regionais de distribuição de gás em Portugal e de acordo com os termos deste negócios, fica avaliada com um valor implícito (EV) de 1,2 mil milhões de euros, "equivalente a um múltiplo EV de cerca de 13 vezes o EBITDA estimado para 2020".

 

Esta operação faz parte do plano de rotação de ativos que a petrolífera delineou para a sua estratégia, que passa pela maior aposta em ativos renováveis. No documento com a apresentação de resultados, a Galp diz que esta operação permite "cristalizar valor" de um ativo "não core", tirando partido do "atual ambiente de mercado". A Galp ficará com uma posição de 2,49% na GGND. 

 

A 11 de março, mesmo no início da pandemia, a Bloomberg tinha avançado que a Galp Energia tinha contratado o Bank of America para preparar a venda desta unidade de infraestruturas reguladas de distribuição de gás.

 

Segundo noticiou a agência na altura, o objetivo passava por fechar um negócio que avaliasse esta unidade da Galp Energia em 1,5 mil milhões de euros. Sete meses depois a operação foi concretizada por um valor 300 milhões de euros inferior, o que estará relacionado com o impacto da pandemia.

 

O valor implícito do negócio é mesmo inferior ao que teve por base a entrada da Marubeni na GGND em 2016. Há quatro anos esta firma japonesa comprou 22,5% da GGND num negócio que avaliou esta companhia de distribuição de gás em 1,3 mil milhões de euros.

Em reação a este negócio, o CaixaBank BPI diz que este desinvestimento era já aguardado e está em linha com a estratégia de rotação de ativos da empresa. Este banco avaliava o ativo vendido em 293 milhões de euros, pelo que diz que a transação, analisada de forma isolada, tem um impacto positivo no preço-alvo em 15 cêntimos por ação. O CaixaBank BPI tem um preço-alvo para a Galp Energia de 12 euros, com uma recomendação "neutral".

 

Já os analistas da Bloomberg consideram que a venda da GGND "faz sentido" e deverá "ajudar a aliviar as pressões no balanço".

 

 

A GGNB tem capital em nove distribuidoras de gás natural em Portugal: Duriensegás (77,50%), Beiragás (46,19%), Lusitaniagás  (75,05%), Lisboagás (77,50%), Setgás (77,45%), Dianagás (77,50%); Paxgás (77,50%), Medigás (77,50%) e Tagusgás (32,03%). Integra a divisão de infraestruturas reguladas de distribuição, que pertence à unidade Gas & Power.

Este é o "primeiro investimento direto em infraestruturas" portuguesas da gestora de fundos de capital privado da seguradora alemã Allianz, refere uma nota da companhia citada pela Lusa. A Allianz Capital Partners está também presente no mercado de energias renováveis em Portugal, tendo-se tornado dona, em 2018, de duas centrais solares: Ourika, com 46 megawatts (MW) de potência instalada, no concelho de Ourique, Alentejo, e a Solara, com quase 220 MW, no concelho de Alcoutim, Algarve.

A Allianz Capital Partners sublinha, em comunicado, que a rede da GGND abastece cerca de 1,1 milhão de lares em Portugal e é composta em quase 95% por tubos de polietileno de baixa pressão ("PE"), que podem ser utilizados para a distribuição de hidrogénio, gás natural sintético ou biometano.

"Em conjunto com a GGND e os nossos parceiros, esperamos apoiar esta infraestrutura crítica, que contribui para o plano de descarbonização da economia portuguesa e pode tornar-se um facilitador importante para a transição energética para gases renováveis, proporcionando aos nossos clientes de seguros e investidores rendimentos de longo-prazo ajustados ao risco", refere, citado na mesma nota, o diretor de investimentos da Allianz Capital Partners, Christian Fingerle.

 

Segundo o comunicado de hoje da Galp Energia, "esta transação está sujeita às aprovações regulatórias usuais e à obtenção de consentimentos de terceiros, sendo a sua conclusão esperada para o primeiro trimestre de 2021".

 

O compromisso assumido pela Galp na sua estratégia passa por  destinar 10 a 15% do montante total de investimento a energias renováveis e que 40% do Capex (investimento operacional) seja alocado a oportunidades que promovam a transição energética. A empresa tem efetuado este ano vários investimentos nesta área.

 
O encaixe com a venda da GGND é superior ao investimento que a Galp anunciou este ano no solar em Espanha, que a empresa quantifica em 325 milhões de euros.

As ações da Galp Energia negoceiam em queda acentuada esta manhã, reagindo também aos prejuízos que anunciou no terceiro trimestre. Caem 1,84% para 7,994 euros.

(notícia atualizada às 12:10 com comentários de analistas)

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