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Inversão da curva das "yields" desequilibra Wall Street com pesadelo da "recessão Volcker"

A procura por linhas de dívida com maturidades mais longas acabou por inverter a curva das "yields" norte-americanas como não se via deste 1980. O S&P 500 registou a quinta sessão consecutiva no vermelho, a mais longa sequência deste outubro.

Reuters
Fábio Carvalho da Silva fabiosilva@negocios.pt 07 de Dezembro de 2022 às 21:16
Wall Street encerrou a sessão pintada de vermelho, pressionada pela "yields" da dívida norte-americana, que começam a sinalizar a preocupação crescente dos investidores face ao abrandamento económico, a par com a política monetária restritiva da Reserva Federal dos EUA (Fed).

O S&P 500 caíu 0,19% para 3.933,92 pontos, registando a quinta perda diária consecutiva, a mais longa sequência de quedas desde outubro.

Já o industrial Dow Jones terminou inalterado nos 33.597,92 pontos, enquanto o tecnológico Nasdaq Composite registou uma queda de 0,51% para 10.958,55 pontos.

A procura por linhas de dívida com maturidades mais longas acabou por inverter a curva das "yields" norte-americanas, tendo os juros das obrigações a 30 anos tocado abaixo da fasquia dos 3,5%, renovando mínimos de setembro.

A curva das "yields" está assim a sofrer um movimento de inversão como não era visto desde o início de 1980, de acordo com as contas da Bloomberg.

Além disso, o spread entre os juros das dívidas a dois e dez anos é demasiado amplo, o que está "claramente a assustar" os investidores, refere Nick Colas, cofundador da DataTrek Research, em declarações à agência de informação financeira.

"A última vez que estivemos aqui foi no início da 'recessão de Volcker' e na altura a Fed já estava a reduzir as taxas de juro", alerta o especialista, fazendo referência à crise que abalou os EUA nos anos 80, durante o mandato do presidente da Fed Paul Volcker - daí o nome dado a esta crise.

Cathie Wood, um dos rostos mais carismáticos da alta finança norte-americana, vai mais longe e deixa claro: esta inversão da curva parece dar sinais de que a Fed está a cometer "um erro grave".

No Twitter, a CEO e fundadora do Ark Investment Management recordou que a deflação é pior que inflação.



O dia serviu ainda para digerir os mais recentes números da produtividade. A produtividade dos trabalhadores norte-americanos recuperou a um ritmo um pouco mais rápido do que o inicialmente previsto no terceiro trimestre, embora a tendência tenha permanecido fraca, mantendo os custos de trabalho elevados.

Por sua vez, as taxas referentes ao crédito à habitação caíram pela quarta semana consecutiva, o que não acontecia desde maio de 2019, depois de a semana passada Jerome Powell ter sinalizado a possibilidade de abrandar o ritmo da subida das taxas de juro já na reunião deste mês.
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