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No ano da pandemia a queda do PSI-20 foi a mais baixa desde 1994

A bolsa portuguesa desvalorizou 6% em 2020, um desempenho que contrasta com a profunda recessão global da economia mundial. A pandemia levou o índice a mínimos de quase 30 anos em março, mas a esperança com a eficácia da vacina permitiu uma recuperação sustentada nos índices mundiais.

reuters
Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 31 de Dezembro de 2020 às 15:19
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Olhando para o desempenho dos mercados acionistas em 2020, ninguém diria que este foi um ano marcado por uma profunda recessão na economia global devido à pandemia.

 

Depois de quatro semanas de pânico em fevereiro e março, período em que o mundo esteve fechado em casa, a ordem foi para vender ações perante a incerteza com os efeitos da pandemia e o desconhecido de como iria evoluir a covid-19.

 

Os piores cenários da pandemia concretizaram-se, mas os mercados começaram, logo em abril, a dar sinais de estabilização, que foram reforçados em junho com o final da primeira vaga. O surgimento em força da segunda vaga, a partir de outubro, ainda provocou um novo sell-off, mas o sentimento virou totalmente quando se percebeu que as vacinas contra a doença chegariam este ano.

 

Da quebra recorde do PIB e do forte impacto nos resultados das empresas, os investidores focaram-se nas previsões de recuperação sustentada da economia global e da atividade das empresas em 2021.

 

Contas feitas, o PSI-20 fecha o ano com uma desvalorização de 6,06%. Uma queda que não anula a valorização alcançada em 2019 (10,2%) e que contrasta de forma positiva com outros anos negativos para a bolsa portuguesa.

 

É preciso recuar a 1994 (-3,05%) para encontrar um ano de quedas com um saldo negativo mais baixo para o PSI-20. Desde então, sempre que fechou o ano no vermelho, o índice português marcou quedas de dois dígitos.

 

Em 2020 foi diferente e a queda do PSI-20 este ano nada tem a ver com as fortes desvalorizações sentidas noutros anos marcados por períodos turbulentos. Na crise financeira de 2008 o PSI-20 afundou 51,3%, no pedido de assistência financeira em 2011 desvalorizou 27,6% e no ano mais grave da crise da dívida na Europa (2014) a queda foi de 26,8%.

 

Na história do PSI-20 o saldo de 2020 será um registo banal que não chamará a atenção. Mas o ano foi marcado por períodos históricos. Depois de um bom arranque em janeiro e primeiros dias de fevereiro, o medo com a pandemia levou o PSI-20 a perder mais de um terço do seu valor no espaço de cerca de um mês, recuando a níveis de 1993. O fim da primeira vaga da pandemia permitiu depois uma valorização robusta acima de 20% até junho, mas a grande recuperação aconteceu depois da Pfizer ter sido a primeira farmacêutica a anunciar que tinha conseguido desenvolver uma vacina com elevada taxa de eficácia contra a covid-19. Entre o final de outubro e o fim do ano o PSI-20 somou 27% e ficou mais perto de apagar todos as quedas sofridas com a pandemia.

 

 
Rotação de carteiras mexe nos índices

Se a bolsa portuguesa tem ainda um caminho a percorrer para alcançar o anterior pico, há várias praças em todo o mundo que negoceiam em níveis recorde. O índice do MSCI para pedir o desempenho das bolsas mundiais terminou 2020 em máximos históricos, sendo que o ano foi marcado por recordes consecutivos em Wall Street.

 

A desconexão entre os mercados e a economia real é uma característica registada há vários anos, mas nunca como em 2020 esta evidência terá sido tão notória. Sobretudo nos Estados Unidos, onde muitas das grandes empresas passaram ao lado ou até beneficiaram com a pandemia.

 

Na Europa o Stoxx600 termina o ano com um saldo negativo, mas também há índices em alta. Destaca-se o DAX de Frankfurt, que avançou 3,55% em 2020 e alcançou mesmo um máximo histórico nas últimas sessões.

 

A bolsa alemã beneficiou sobretudo com a forte componente exportadora das suas cotadas, sendo que o desempenho dos índices nacionais na Europa está também muito ligado à sua exposição a determinados setores.

 

É que depois do sell-off generalizado em março, os investidores apostaram numa recomposição acentuada das suas carteiras, afastando-se das empresas mais expostas à pandemia (banca, petrolíferas, transportes) e reforçando nas vencedoras desta crise, como é o caso das tecnológicas, farmacêuticas e empresas de energias alternativas.

 

Esta rotação de ativos explica porque o IBEX espanhol (-15,45%) é dos índices mais castigados na Europa (devido ao elevado peso da banca). Além de Frankfurt, também a bolsa de Amesterdão valorizou em 2020, enquanto Paris (-7%) e Milão (-5,4%) perderam terreno. 

 

Energia no melhor e no pior 

A rotação de ativos também afetou fortemente a bolsa portuguesa, que teve na EDP Renováveis a grande estrela do ano, enquanto a Galp Energia surge no pólo oposto.

 

As ações da empresas de energias renováveis mais do que duplicaram de valor em 2020 e a casa-mãe EDP disparou 36,5%. Entre as 18 cotadas do PSI-20 só a Novabase e a Pharol também conseguiram um saldo positivo em 2020, pelo que o desempenho do grupo EDP foi determinante para a queda de apenas um dígito do índice.

 

Os máximos históricos das cotadas do Grupo EDP amenizaram a queda do PSI-20 mas não foram suficientes para o colocar em terreno positivo. É que outros pesos pesados sofreram quedas acentuadas, destacando-se a Galp Energia. Penalizada pelo afastamento dos investidores das empresas de combustíveis fósseis e pela queda da cotação do petróleo, a companhia liderada por Carlos Gomes da Silva afundou 41,2% em 2020. Também a Nos perdeu mais de 40%.

 

Segue-se o BCP, que perdeu perto de 39,2% num ano em que se acentuaram as taxas de juro em mínimos históricos e cresceu o peso das fintech na banca mundial e na preferência dos clientes bancários.

 

Semapa e Ibersol também perderam cerca de um terço do valor em 2020, sendo que metade das 18 cotadas do índice marcaram quedas acima de 20%.

 

 

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