Bolsa PSI-20 cai para mínimo de 20 meses e também já está em "bear market"

PSI-20 cai para mínimo de 20 meses e também já está em "bear market"

Desde o início do ano o índice português PSI-20 já recua mais de 15%. Face ao pico de 2018, desvaloriza mais de 20%, pelo que também entrou em "bear market".
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Nuno Carregueiro 27 de dezembro de 2018 às 16:37

A espectacular subida de Wall Street na quarta-feira (o S&P500 registou o melhor desempenho diário desde 2009 e o Dow Jones conseguiu um ganho recorde de mil pontos) ainda contagiou o arranque da bolsa nacional na sessão de hoje. Mas a tendência negativa regressou em força depois da pausa de Natal e a bolsa portuguesa fechou a acompanhar o sentimento negativo que voltou a assolar as praças europeias.

 

O PSI-20 desceu 1,14% para 4.587,45 pontos e atingiu o valor mais baixo desde Fevereiro de 2017. O índice português já acumula uma queda superior a 21% face ao máximo do ano, fixado em Maio, pelo que tal como uma outra série de índices mundiais também já está em "bear market" (terminologia usada quando um activo desvaloriza mais de 20% face ao último pico). O alemão DAX, o italiano FTSE MIB, o norte-americano Nasdaq Composite e o nipónico Topix são alguns dos índices mundiais que também já caem mais de 20% face aos máximos.

 

Quando esteve em máximos do ano, o PSI-20 acumulava uma subida anual de mais de 5%. Agora o saldo é negativo e superior a 15%, anulando o ganho conquistado em 2017.

 


A bolsa de Lisboa não está sozinha neste desempenho negativo, pois é uma tendência quase global. O europeu Stoxx600 perde mais de 15% em 2018 e está em mínimos de dois anos. Do outro lado do Atlântico as perdas anuais são menos intensas, mas o mês de Dezembro está a ser para esquecer em Wall Street. As perdas são de dois dígitos, caminhando para o pior mês desde a Grande Depressão dos anos 30.

 

Os receios em torno da desaceleração económica mundial, da subida de juros da reserva Federal e das tensões comerciais (especialmente entre os EUA e a China) e da paralisação ("shutdown") parcial dos serviços federais norte-americanos têm contribuído para o pessimismo dos investidores. Hoje voltaram a surgir sinais negativos sobre o andamento da economia global, já que os lucros da indústria na China registaram uma queda homóloga de 1,8%, em Novembro, o que representa o primeiro registo negativo desde 2015.

 

A somar à lista de factores que pressionam os mercados accionistas esta quinta-feira, Trump está a considerar avançar com uma ordem executiva para impedir as empresas norte-americanas de usarem equipamento fabricado pelas chinesas Huawei e ZTE e o Banco Carige afunda mais de 12% depois do maior accionista do banco italiano ter recusado participar num aumento de capital.

 

Além disso, o petróleo regressa a terreno negativo depois de ontem ter conseguido a maior subida em dois anos, o que está a pressionar as cotadas do sector energético. O WTI em Nova Iorque desce 1,19% para 45,67 dólares por barril e o Brent em Londres recua 1,63% para 53,58 dólares.

BCP lidera perdas em Lisboa

Entre as cotadas do PSI-20, 13 fecharam em terreno negativo, quatro subiram e uma ficou inalterada.

 

O Banco Comercial Portugal foi o que mais pressionou o índice português, com uma queda de 2,56% para 22,12 cêntimos, a acompanhar o sector bancário europeu (-1,65%). A Nos (5,10 euros) e a EDP (2,92 euros) também marcaram perdas acima de 2%.

 

A Semapa destacou-se nos ganhos (+1,89% para 12,96 euros), sendo que a Jerónimo Martins (+0,15% para 10,12 euros) e os CTT (+0,14% para 2,934 euros).

(notícia actualizada às 16:51 com mais informação)




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