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China viu escapar 50 mil milhões em criptomoedas no último ano

Aproximadamente 50 mil milhões de dólares de ativos em criptomoedas saíram da China no último ano, num possível sinal de que os investidores estão a esquivar-se das regras que limitam a quantia que podem tirar do país, de acordo com a Chainalysis, que faz pesquisa forense de blockchain.

Bloomberg
Bloomberg 22 de Agosto de 2020 às 12:00
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A polémica criptomoeda Tether foi responsável por mais de 18 mil milhões de dólares em saídas do leste asiático no último ano, segundo o relatório divulgado esta semana. A Tether é considerada uma moeda virtual estável (stablecoin) porque o seu valor está ligado ao dólar.

"Stablecoins como a Tether são particularmente úteis na fuga de capitais, já que o seu valor ligado ao dólar significa que os utilizadores que vendem grandes quantias em troca de uma moeda à sua escolha sabem que é improvável que perca valor quando procurarem comprador", afirmou a Chainalysis no relatório.

A China restringe a transferência de recursos por parte pessoas físicas para o estrangeiro ao equivalente a 50 mil dólares por ano. No passado, os chineses mais ricos contornavam essa regra fazendo investimentos imobiliários no estrangeiro ou criando empresas de fachada, segundo a Chainalysis. Não se sabe quanto dos 50 mil milhões ou das transferências de Tether representam fuga de capitais.

"A Tether substituiu o dólar para muitas pessoas na China", afirmou Dovey Wan, sócio fundador da firma de investimentos em criptomoedas Primitive Ventures, no relatório. "Muitos empreendimentos e comerciantes chineses, especialmente os que trabalham no estrangeiro, agora aceitam Tether."

A Tether é uma das criptomoedas mais controversas num mercado onde não faltam muitas moedas questionáveis.

"Tethers não são uma panaceia nem um substituto para a moeda fiduciária", afirmou no relatório, acrescentando, porém, que a liquidação rápida, profunda liquidez, taxas baixas e preço estável associados às Tethers "criaram oportunidades únicas".

Comerciantes usam Tether para transações internacionais, acrescentou Kim Grauer, diretora de research da Chainalysis e autora do relatório, durante uma entrevista. E cada vez mais empresas chinesas que fazem negócios na América Latina, por exemplo, estão a aceitar Bitcoin e Tether como pagamento.

No caso da Tether, a responsável diz que "mesmo que o lado clandestino não esteja resolvido, o lado da procura existe".

O governo chinês proibiu a troca de yuans por criptomoedas em 2017. Contudo, os utilizadores conseguem contornar a proibição usando uma vasta rede de corretoras irregulares que trocam yuans por Tethers, constatou o relatório da Chainalysis.

 

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