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Visa entra na corrida dos privados às moedas nacionais virtuais

Dois anos depois da Mastercard, foi a vez da Visa assinar um acordo com uma empresa de blockchain, para a criação de uma plataforma de pagamentos de CBDC, moedas fiduciárias replicadas virtualmente.

Reuters
Fábio Carvalho da Silva fabiosilva@negocios.pt 13 de Janeiro de 2022 às 13:45
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A Visa irá juntar-se à elite de plataformas de pagamento digital, como a Mastercard, que estão a levar a cabo vários projetos piloto individuais que têm como objetivo a criação de aplicações para transações com CBDC (sigla inglesa para Central Bank Digital Currency), moedas virtuais que replicam a cotação da moeda fiduciária de um país, como é o caso do yuan digital.

A empresa liderada por Alfred Kelly assinou uma parceira com a ConsenSys, uma companhia de" blockchain", após uma rodada de conversações com cerca de 30 bancos centrais, incluindo a Autoridade Monetária de Hong Kong, o Reserve Bank of Australia e o Bank of Thailand.

"Achamos que stablecoins e CBDC coexistirão no futuro e haverá várias abordagens diferentes para criar produtos com base nisto", comentou Cuy Sheffield, responsável pelo departamento de criptoativos da Visa.

Recorde-se que a empresa de pagamentos já oferece cartões ligados à USD Coin, uma stablecoin emitida por um consórcio que inclui a Circle Internet Financial.

Há dois anos, a Mastercard lançou uma plataforma semelhante.

A Nigéria e as Bahamas estão entre as nações que já circulam CBDC, porém o protagonista mundial nesta matéria, ainda que esteja só em fase de testes, é a China, que se prepara para impulsionar a utilização deste ativo em massa, durante os Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim.

Do outro lado do globo, na nação de uma das principais moedas do mundo, os EUA iniciou o projeto "Hamilton" , tendo estudado a viabilidade da criação de um dólar digital.

No final do ano passado, a Reserva Federal norte-americana (Fed) publicou uma série de conclusões sobre a regulação e participação no mercado dos criptoativos, onde menciona o projeto. Espera-se que, nas próximas semanas, seja publicado um novo relatório com novos avanços sobre o assunto.

Na zona euro também já correm estudos sobre uma réplica virtual da moeda única europeia. O banco central está a analisar, em conjunto com a Comissão Europeia, "um vasto leque de questões políticas, legais e de design", incluindo os possíveis efeitos da atribuição do estatuto de concurso jurídico digital em euros.

O Banco Central Europeu (BCE) anunciou em julho o lançamento de um projeto-piloto de dois anos para introdução, mais tarde, do euro digital, concebido como uma resposta à crescente desmaterialização dos pagamentos e à proliferação de criptomoedas.

"Passaram nove meses desde que publicámos o nosso relatório sobre o euro digital. Neste tempo, procedemos a análises mais aprofundadas, pedimos contributos de cidadãos e profissionais e realizámos experiências com resultados encorajadores ", afirmou na altura a presidente do BCE, Christine Lagarde.

 

"Tudo isto levou-nos a decidir acelerar e iniciar o projeto de um euro digital", acrescentou.

Já Fabio Panetta, responsável pela comissão especializada que está a levar a cabo o projeto, assegurou no final do ano passado em entrevista à CNBC, que "projeto do euro digital é atraente e não redundante", ao contrário do que defende a ala mais conservadora do BCE.

"O dinheiro do banco central fornece o valor de referência para todas as outras formas de pagamento na economia de uma região", disse Panetta. "A história mostra que a estabilidade financeira e a confiança pública no dinheiro requerem que a moeda seja do foro público", argumentou.

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