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Fed corta juros para o nível da primeira reunião de Powell

A Reserva Federal norte-americana baixou os juros pela terceira vez este ano, após as descidas de julho e de setembro. Esta era a expectativa dos mercados.

Reuters
Tiago Varzim tiagovarzim@negocios.pt 30 de Outubro de 2019 às 18:01
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A Reserva Federal norte-americana decidiu baixar os juros diretores para um intervalo entre 1,5% e 1,75% esta quarta-feira, 30 de outubro. É a terceira descida consecutiva das taxas de juro norte-americanas este ano, o que não acontecia desde a crise financeira de 2007.

Na última reunião, o presidente da Fed, Jerome Powell, tinha dito que "se a economia enfraquecer, poderão ser necessários cortes mais profundos". Ou seja, admitiu ir mais longe. E esse cenário concretizou-se, ainda que o crescimento do PIB de 1,9% no terceiro trimestre tenha ficado acima do esperado pelos economistas (1,6%). 

Com este corte, os juros regressam ao ponto em que se fixaram na primeira reunião do atual presidente da Fed em março de 2018. Logo após ter entrado na Reserva Federal, Jerome Powell continuou o ciclo de subidas dos juros iniciado por Janet Yellen em 2015, aumentando as taxas para o intervalo entre os 1,5% e os 1,75%.

Contudo, as condições económicas mudaram e, após quatro subidas, Powell já desceu três vezes os juros, o que carateriza como sendo um "ajustamento" a meio do ciclo económico. Esta abordagem foi implementada de forma bem sucedida na década de 90, de acordo com a Reuters. No entanto, Jerome Powell tem insistido que este não é um "ciclo de corte dos juros".

"À luz das implicações dos desenvolvimentos globais para o 'outlook' económico assim como as pressões silenciadas na inflação, o comité decidiu baixar o intervalo do 'target' da taxa dos fundos federais para 1,5% a 1,75%", lê-se na decisão publicada esta quarta-feira, 30 de outubro. O comité de política monetária (FMOC, na sigla inglesa) considera que os seus objetivos de inflação, crescimento e emprego serão atingidos, mas mantêm-se "incertezas" nessa previsão pelo que é necessário um nível acomodatício maior como "prevenção". 

O comunicado revela que houve oito votos a favor e dois votos contra esta descida dos juros - de Esther L. George e Eric S. Rosengren -, os quais preferiam que o intervalo dos juros se mantivesse nos atuais 1,75% a 2%.

Uma vez que este era o resultado esperado para esta reunião, os mercados financeiros não reagiram de forma significativa ao anúncio. Os juros da dívida norte-americana a dez anos baixaram ligeiramente. Já os principais índices de Wall Street reforçaram os ganhos após Powell ter falado.

Fed sugere pausa
Dos comunicados anteriores para o atual, a instituição liderada por Jerome Powell deixa cair a expressão "agir de forma apropriada para manter a expansão" da economia norte-americana, o que sugere que a Fed poderá agora iniciar um período de pausa quanto a mexidas nas taxas de juro diretoras. Agora a Reserva Federal refere apenas que, quando considerar o nível dos juros nas próximas reuniões, irá avaliar os dados económicos atuais e as previsões para o futuro.

Já a descrição sobre o estado da economia norte-americana por parte da Fed manteve-se semelhante. O comunicado descreve que o mercado de trabalho mantém-se "forte" e que a atividade económica está a "aumentar a um ritmo moderado". Tal como mostram os dados do PIB, "embora o consumo privado tenha estado a crescer a um ritmo forte, o investimento fixo das empresas e as exportações mantêm-se fracas", nomeadamente por causa da incerteza criada pela disputa comercial entre os EUA e a China. Além disso, a inflação anualizada (média dos últimos 12 meses) continua abaixo da meta do banco central de 2%.

Powell não vê juros a subir em breve
Apesar de ter dito na conferência de imprensa que os riscos desencadeados pela disputa comercial e pelo Brexit tinham atenuado recentemente, o presidente da Reserva Federal considerou que os "ajustamentos substanciais" feitos este ano colocam a política monetária na posição "apropriada" para o futuro e antecipou que será "preciso haver uma subida significativa da inflação antes de uma subida dos juros". "Não estamos a pensar nisso agora", clarificou.

É certo que a redução da tensão comercial, caso os EUA assinem um acordo comercial parcial com a China, irá contribuir de forma positiva para a economia norte-americana, mas Powell alertou que esse efeito demoraria tempo até se materializar. "Nós iremos responder se o ‘outlook’ mudar substancialmente", assegurou.

(Notícia atualizada às 20h com mais declarações de Jerome Powell)

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