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GameStop: Congresso americano pede mais regulação no "short-selling" às empresas

Na audição no comité de Finanças do Congresso norte-americano, alguns representantes deixaram no ar a ideia de que o "short-selling" a ações deveria ser mais regulado.

Afinal quem foram os maus e os bons na história da GameStop?
Dado Ruvic/Reuters
Gonçalo Almeida goncaloalmeida@negocios.pt 18 de Fevereiro de 2021 às 22:10
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Os membros do comité de serviços financeiros do Congresso norte-americano deixaram no ar a ideia de que o "short-selling", ou apostas na queda das ações, deveria ter uma regulação mais apertada, considerando que esta operação implica muitos "investidores e famílias".

Numa audição dedicada a escrutinar o fenómeno da GameStop, a democrata Nydia Velázquez e o republicano Blaine Luetkemeyer questionaram Gabe Plotkin, líder do "hedge fund" Gabe Plotkin, um dos maiores "short-sellers" de Wall Street, sobre se deveria haver mais regulação sobre este movimento técnico. Plotkin respondeu que não lhe cabia a ele decidir, mas que "se forem essas as regras", ele "certamente" que as vai cumprir. 

Depois deste caso da GameStop, a SEC - o regulador dos mercados nos Estados Unidos - começou a avaliar a necessidade de haver mais transparência nestas apostas contra as ações, segundo adiantou o The Wall Street Journal esta semana.

Nos termos da lei de Dodd-Frank, de 2010, a SEC deveria recolher todas as informações sobre as posições a descoberto nas empresas, mas, de acordo com o jornal, o regulador não divulga todos estes dados. Na União Europeia, por exemplo, a ESMA - autoridade dos mercados financeiros europeia - obriga a que as posições curtas acima de 0,5% sejam publicadas. E no ano passado, devido à pandemia, passou esse valor para os 0,1%.

Luetkemeyer abordou a questão dos interesses a descoberto na GameStop para perguntar se devem ser colocados limites à quantidade de "shorts" a que uma empresa deve ser sujeita. No final do ano passado e início deste ano, a percentagem de "short-selling" na retalhista de videojogos chegou a ser de 140%, o que significa que por cada ação a favor da GameStop havia 1,4 ações a apostar na sua queda.

Plotkin foi questionado sobre se "shortar" mais ações do que aquelas que existem não será manipulação do preço dessa ação e respondeu, fugindo à pergunta, que "'shortam' sempre ações no contexto de todas as regras". 


Os fundos de investimento, como a Melvin Capital, pediram ações emprestadas da GameStop aos bancos, pagando um juro sobre esta operação, e venderam-nas no imediato, mesmo sem as deterem. Depois, como a expectativa de uma queda é tão grande, esperam que os preços da cotação caiam para comprarem o mesmo volume de ações a um preço muito inferior, e voltam a entregá-las ao banco. No final, o lucro está na diferença entre o preço mais alto a que venderam a ação emprestada do banco e o preço idealmente mais baixo da venda posterior, aquando do retorno dessas ações ao banco.

Só que para que esta operação seja bem-sucedida é preciso que, efetivamente, os preços caiam. No caso da GameStop, os preços não só não caíram como subiram em flecha (400% numa semana), devido à concertação de milhões de pequenos investidores que queriam provocar perdas a estes fundos de investimento. E esta técnica do "short-selling" é legal e, de acordo com vários analistas, traz dinâmica ao mercado.

Mas o facto de se "shortarem" mais ações do que aquelas que existem, o chamado "naked short", não é legal, mas continua a fazer-se nos Estados Unidos. Significa que ao contrário do "short-selling", aqui não existe qualquer contraparte. Contudo, o líder da Melvin Capital garantiu que este não era o seu caso. 

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