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Vestager quer europeus a comprar participações em empresas da região para travar avanço chinês

A vice-presidente executiva da Comissão Europeia pede aos países da Europa para avançarem com novas participações em cotadas do continente, de forma a impedir que os investidores chineses aproveitem esta fase para alargar a sua influência.

Gonçalo Almeida goncaloalmeida@negocios.pt 13 de Abril de 2020 às 10:10
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A vice-presidente executiva da Comissão Europeia com a tutela da Concorrência, Margrethe Vestager, apelou aos países europeus para comprarem participações em empresas no "velho continente" para evitar a ameaça de propostas chinesas, numa altura em que as cotadas europeias estão mais vulneráveis, devido ao impacto do coronavírus. 

Numa entrevista ao Financial Times, a dinamarquesa disse que alguns reguladores europeus, como em França ou na Alemanha, já estão a trabalhar no sentido de dar aos países da União Europeia alguns poderes para impedir a concorrência desleal de empresas chinesas apoiadas pelo Estado do país. 

"A situação atual enfatiza essa necessidade, por isso estamos a trabalhar de forma intensa nesse aspeto. Essa é uma das nossas principais prioridades", disse Vestager ao FT, acrescentando que "as pessoas são mais do que bem-vindas para fazer negócios na Europa, mas não a fazê-lo com meios competitivos injustos". 

A vice-presidente executiva concluiu afirmando que "é muito importante estar ciente de que existe um risco real de que as empresas vulneráveis possam ser objeto de uma aquisição". 

Os comentários de Vestager surgem numa altura em que os 
banqueiros estão a observar um aumento das consultas de empresas e fundos chineses - maioritariamente companhias estatais - de olho em alvos na Europa, segundo adiantou a Bloomberg, numa altura em que os índices europeus têm desvalorizado à boleia do impacto da covid-19. 

Para fazer face a esse ímpeto chinês, o governo alemão está a preparar regras mais apertadas para proteger as empresas alemãs de eventuais "takeovers" por companhias extra-comunitárias, segundo a Bloomberg. A nova legislação germânica vai permitir ao governo liderado por Angela Merkel vetar negócios que constituam "interferências potenciais" nos interesses da Alemanha.

Na Europa, setores como a aviação, hotelaria e ligas de futebol procuram ajuda financeira devido à paralisação dos negócios provocada pela pandemia, que afeta a liquidez. Antecipando potenciais ofertas hostis, que incluem investidores chineses, algumas empresas europeias começam a recorrer a estratégias de defesa, disseram as fontes. 

Contudo, não são apenas empresas estatais que têm procurado novas participações em empresas europeias. A Fosun International assumiu mesmo que ia aproveitar a atual situação difícil para quase todos os setores, para encontrar oportunidades de investimento em todo o mundo. A Shanghai Yuyuan Tourist Mart, uma unidade da Fosun cotada em Xangai, recentemente anunciou a aquisição de 55,4% da joelharia francesa Djula por 210 milhões de yuans (30 milhões de dólares).

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