Mercados num minuto Abertura dos mercados: Bolsas, petróleo e ouro recuperam de semana 'horribilis'. Juros descem com corte dos bancos centrais à vista

Abertura dos mercados: Bolsas, petróleo e ouro recuperam de semana 'horribilis'. Juros descem com corte dos bancos centrais à vista

As bolsas europeias, o petróleo e o ouro arrancaram a semana em terreno positivo, com subidas superiores a 1%. Já a yield associada à dívida pública está a aliviar na expectativa de que haja cortes nos juros diretores.
Tiago Varzim 02 de março de 2020 às 09:26
Os mercados em números
PSI-20 sobe 1,89% para os 4.855,59 pontos
Stoxx 600 avança 1,87% para os 382,36 pontos
Nikkei valorizou 0,95% para os 21.344,08 pontos
Juros da dívida portuguesa a dez anos aliviam 4 pontos base para os 0,307%
Euro sobe 0,42% para os 1,1072 dólares
Petróleo em Londres ganha 3,72% para 51,52 dólares por barril

Europa recupera mais de 1%
As bolsas europeias estão a recuperar das fortes quedas da semanas passada. Após ter perdido 12,2% (a maior queda semanal desde 2008), o Stoxx 600, o índice que agrega as 600 principais cotadas europeias, está a valorizar 1,87% para os 382,36 pontos no arranque da sessão desta segunda-feira, 2 de março. 

Esta subida na Europa - que está a ser liderada por setores como o da energia e o do turismo - segue-se à valorização dos mercados asiáticos. A bolsa chinesa, por exemplo, subiu mais de 3%, apesar de terem sido divulgado dados económicos negativos

A inversão das bolsas ocorre numa altura em que os investidores confiam que os Estados e os bancos centrais vão avançar com estímulos económicos que permitirão contrariar o impacto do coronavírus Covid-19 na economia. 

Exemplo de que os Estados estão a preparar uma "resposta concertada", nas palavras do ministro das Finanças francês, Bruno Le Maire, é que haverá teleconferências entre os ministros das Finanças do G7 e os do Eurogrupo. Além disso, em Itália o Governo já prepara um pacote de medidas avaliadas em 3,6 mil milhões de euros. 

Os mercados estão ainda a contar com os bancos centrais, sobre os quais tem recaído grande parte da resposta da política económica nos últimos anos. Tanto a Reserva Federal norte-americana como o Banco do Japão, assim como outros bancos centrais, sinalizaram que estão preparados para tomar as medidas adequadas, se necessário. A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, disse na passada sexta-feira ao Financial Times que, para já, não há motivos que justifiquem medidas de política monetária.

Em Lisboa, o PSI-20 também segue em alta. A bolsa nacional sobe 1,89% para os 4.855,59 pontos, recuperando também da sua pior semana desde outubro de 2008 (-11,5%). 

Obrigações soberanas sobem com cortes nos juros à porta 
As obrigações soberanas estão a subir um pouco por todo o mundo - e, dessa forma, os juros a cair - numa altura em que se especula sobre eventuais cortes nos juros diretores para contrariar o impacto económico do coronavírus. 

Esse é o caso dos juros portugueses a dez anos que descem 4 pontos base para os 0,307%. Já os juros alemães no mesmo prazo estão a cair 0,5 pontos base para os -0,613%, nível próximo do mínimo histórico alcançado no ano passado. 

Os juros associados à dívida norte-americana também estão em queda após terem tocado em mínimos históricos na semana passada.

Euro avança para máximos de um mês
Após um longo ciclo de perdas face ao dólar, o euro recuperou nas últimas sessões. A divisa europeia sobe há três sessões consecutivas e está em máximos de um mês. Nesta sessão, o euro sobe 0,42% para os 1,1072 dólares.

Esta valorização poderá estar relacionada com os sinais dados pelos bancos centrais. Enquanto a Fed foi mais direta a referir que está pronta para atuar, o BCE foi mais cauteloso e espera por mais dados para dar sinais aos mercados. Neste momento, os investidores já estão a incorporar várias descidas dos juros diretores nos EUA. 

Também com a expectativa de cortes nos juros ou outro tipo de medidas acomodatícias, o iene está a descer assim como o dólar da Nova Zelândia.

Putin põe petróleo a somar quase 4%
A expectativa de que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) - que reúne-se na quinta-feira e na sexta-feira na Áustria - vai aumentar os cortes na produção está a suportar a subida do petróleo tanto em Nova Iorque como em Londres. Isto depois de na semana passada o ouro negro ter caído cerca de 15%. 

Este domingo o presidente russo, Vladimir Putin, disse que a Rússia está pronta para cooperar e dar um impulso à cotação do barril, ainda que esteja confortável com os preços atuais. Esta subida ocorre também numa altura em que os ativos de risco estão em recuperação após as fortes quedas da semana passada. 

Ainda assim, as perspetivas são cinzentas para o mercado petrolífero. De acordo com a Bloomberg, há um minoria crescente de traders, investidores e analistas que acha que o consumo de petróleo não vai crescer este ano, o que a concretizar-se seria a quarta vez que tal acontece em quase quatro décadas.

O WTI, negociado em Nova Iorque, soma 3,49% para os 46,32 dólares por barril, ao passo que o Brent, que é transacionado em Londres e que serve de referência para as importações portuguesas, valoriza 3,72% para 51,52 dólares por barril por barril.

Ouro recupera da maior queda desde 2013
Após não ter escapado à onda vermelha dos mercados na semana passada, o ouro está a subir 1,2% para os 1.604,68 dólares por onça no início desta sessão, recuperando da maior queda desde 2013. A expectativa de que os bancos centrais, nomeadamente a Fed, podem baixar os juros está a dar força ao metal precioso, que é cotado em dólares. 

"Os fundamentais do ouro permanecem maioritariamente fortes e qualquer correção de preço de curto prazo não é significativa em termos do panorama geral", considera Gavin Wendt, analista da MineLife. É que, apesar de ter caído na semana passada, a descida do ouro foi bem mais tímida do que as fortes quedas de outros ativos. Também os analistas da RBC Capital Markets consideram que o ouro mantém o seu estatuto de ativo de refúgio.



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