Europa mista com mira nos bancos centrais. Ouro avança e juros da dívida aliviam na Zona Euro
Acompanhe aqui, minuto a minuto, o desempenho dos mercados durante esta quinta-feira.
- Bolsas europeias mistas com investidores a ajustarem expectativas
- Portugal escapa a agravamento dos juros das dívidas europeias
- Petróleo cede com foco a transitar da OPEP para a Fed
- Euribor sobem a três, seis e 12 meses
- Euro próximo de mínimos de dois meses
- Wall Street na linha d'água com aumento nos pedidos de subsídio de desemprego
- Ouro ganha com perspetiva de moderação do aumento das taxas de juro da Fed
- Lira turca recupera terreno depois de queda histórica
- Juros aliviam após notícias de recessão na Zona Euro
- Petróleo cai com acordo EUA-Irão na mira e fracas perspetivas para a procura
- Europa "flat" com aposta em mais subidas de juros a pressionar sentimento
As bolsas europeias seguem a negociar mistas, após a decisão inesperada de dois bancos centrais - do Canadá e da Austrália - de subirem ainda mais os juros. Os investidores estão assim a reavaliar as expectativas para o curso da política monetária global.
No rescaldo da decisão no Canadá, Stoxx 600 cede 0,09% e o britânico FTSE 100 recua 0,13%, enquanto o alemão DAX ganha 0,08%, o espanhol IBEX 35 ganha 0,38% e o italiano FTSE Mib avança 0,19%. Lisboa fica do lado dos ganhos.
O Banco do Canadá anunciou na quarta-feira uma inesperada subida da taxa de juro de referência em 25 pontos base, para 4,75%, o nível mais alto desde 2001. A decisão foi justificada com o persistente "excesso de procura" da economia e seguiu-se a um aumento semelhante pelo banco central da Austrália na véspera.
As movimentações antecipam a reunião de política monetária da Reserva Federal norte-americana na próxima semana e geraram receios de que o banco central dos EUA possa ser mais agressivo do que o esperado. Neste momento, o mercado está a apostar numa subida dos juros de 25 pontos base.
As obrigações globais estão a sofrer um agravamento das "yields" à medida que os investidores estão a tentar ajustar-se a novas perspetivas de evolução das taxas de juro de referência dos bancos centrais, após as surpresas vindas do Canadá e Austrália.
A "yield" das Treasuries norte-americanas a 10 anos voltou, na última sessão, aos 3,8%, enquanto a linha a dois anos atingiu 4,5%, o valor mais elevado desde o colapso do Silicon Valley Bank.
Por toda a Zona Euro a tendência é de agravamento: é o caso dos juros da Grécia (3,77%), Itália (4,268%) e Espanha (3,455%). Portugal segue a contrariar, com um ligeiro alívio e uma "yield" de referência nos 3,144%.
O preço do petróleo segue a negociar com perdas ligeiras dadas as preocupações de que os cortes na produção petrolífera pela Arábia Saudita sejam anulados pela fraqueza da procura por combustíveis e pela desaceleração económica.
Numa reunião no domingo passado da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e dos parceiros da OPEP+, a Arábia Saudita comprometeu-se em limitar a produção de crude em um milhão de barris por dia em julho (além de um acordo mais alargado para 2024).
Contudo, os efeitos da decisão estão a ser ofuscados. "Com a reunião da OPEP+ para trás, o foco está agora a transitar para o próximo movimento que a Fed irá fazer na próxima semana", diz Tamas Varga, "trader" da PVM, em declarações à Reuters.
Se o banco central dos EUA decidir não subir juros, poderá impulsionar os preços do petróleo ainda antes da produção começar a diminuir. Na sessão desta quinta-feira, seguem a aliviar.
O West Texas Intermediate (WTI), "benchmark" para os Estados Unidos, recua 0,12% para 72,44 dólares por barril. Por seu lado, o Brent do Mar do Norte, crude negociado em Londres e referência para as importações europeias, cede 0,13% para76,85 dólares por barril.
As taxas Euribor sobem esta quinta-feira a três, seis e 12 meses. A taxa a 12 meses, que atualmente é a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável, subiu para 3,936%, mais 0,013 pontos do que na quarta-feira, depois de ter aumentado em 29 de maio para 3,982%, um novo máximo desde novembro de 2008.
Segundo dados de março de 2023 do Banco de Portugal, a Euribor a 12 meses representa 41% do 'stock' de empréstimos para habitação própria permanente com taxa variável. Os mesmos dados indicam que as Euribor a seis e a três meses representam 33,7% e 22,9%, respetivamente.
A média da taxa Euribor a 12 meses avançou de 3,757% em abril para 3,862% em maio, mais 0,103 pontos.
No prazo de seis meses, a taxa Euribor, que entrou em terreno positivo em 06 de junho de 2022, subiu, ao ser fixada em 3,757%, mais 0,024 pontos, depois de ter atingido o novo máximo desde novembro de 2008, de 3,781%, verificado também em 29 de maio.
A média da Euribor a seis meses subiu de 3,516% em abril para 3,682% em maio, mais 0,166 pontos.
No mesmo sentido, a Euribor a três meses subiu, ao ser fixada em 3,486%, mais 0,027 pontos, face a quarta-feira. No dia 05 de junho deste ano, a taxa Euribor bateu um novo máximo desde novembro de 2008 ao ser fixada em 3,493%.
A média da Euribor a três meses subiu de 3,179% em abril para 3,372% em maio, ou seja, um acréscimo de 0,193 pontos percentuais.
Lusa
O euro negoceia a valorizar 0,24% contra o par norte-americano, nos 1,07 dólares. Apesar da apreciação, mantém-se próximo de mínimo de dois meses. Por todas as classes de ativos, a sessão está a ser de procura por direção com os investidores a tentar antecipar o que vão fazer os bancos centrais.
A reunião de política monetária do Banco Central Europeu (BCE) na próxima semana já terá em consideração que, afinal, a Zona Euro entrou em recessão técnica no início do ano, sinalizando o impacto das políticas monetárias mais restritivas.
Segundo os dados divulgados esta quinta-feira pelo Eurostat, o produto interno bruto (PIB) dos países da moeda única recuou 0,1% entre janeiro e março, o que significa o segundo trimestre consecutivo de contração económica.
O abrandamento tanto dos preços nos consumidores como nos produtores foi superior ao esperado, mas a presidente do BCE Christine Lagarde tem defendido que a inflação continua em níveis elevados, o que poderá justificar novas subidas dos juros.
Fora da Zona Euro, os mercados estão também com dúvidas sobre o que vai fazer a Reserva Federal norte-americana após as surpresas vindas do Canadá e Austrália. O banco central dos EUA também tem encontro marcado na próxima semana, altura em que serão também conhecidos novos dados da inflação no país.
Na incerteza, o dólar norte-americano segue a desvalorizar contra a generalidade dos pares. Já o ouro ganha 0,42% para 1.947 dólares por onça, mas mantém-se 5% abaixo do pico de maio.
O índice Dow Jones cede 0,05% para 33.648,06 pontos, enquanto o tecnológico Nasdaq avança 0,28% para 13.141,12 pontos e o S&P 500 sobe 0,11% para 4.272,42 pontos.
O Departamento do Trabalho anunciou esta quinta-feira que os pedidos de subsídio de desemprego nos EUA totalizaram 261.000 na semana terminada a 3 de junho, um aumento de 28.000 em relação aos 233.000 da semana anterior.
O número de norte-americanos que semanalmente pede subsídio de desemprego é considerado representativo das demissões nos EUA e vem juntar-se às variáveis que os investidores estão a ter em conta no reajustamento das expectativas sobre a política monetária da Reserva Federal norte-americana. Entre as cotadas que mais se destacam está a GameStop, a afundar 19,5% - a maior queda em dois anos, no seguimento do anúncio da saída do CEO Matt Furlong, que tinha sido escolhido para liderar o processo de expansão online da empresa. Nos últimos cinco anos, a GameStop teve cinco CEO e três CFO diferentes.
Os preços do ouro seguem a subir esta quinta-feira, apoiados pelo aumento dos pedidos de subsídio de desemprego nos Estados Unidos - que alimentaram a esperança de que a Reserva Federal dos Estados Unidos adote uma postura mais suave em relação à política monetária.
"Esses dados mostram uma fraqueza adicional na economia dos EUA, o que é uma boa notícia para o ouro, ja que podem fazer com que a Fed se modere", disse Edward Moya, analista sénior de mercado na OANDA, à Reuters.
A lira turca recuperou em relação ao dólar, depois de ter sofrido uma queda recorde com as notícias da substituição do ministro das finanças no país, o que pode sinalizar uma mudança de estratégia económica. A lira turca segue a ceder 0,31% para 0,0428 dólares, uma dimensão reduzida em comparação com a queda anterior de 7,2%.
Depois de ter sido reeleito, o presidente da Turquia Recep Tayyip Erdogan reestruturou o seu gabinete e nomeou mesmo um novo ministro das Finanças. Quem comanda, agora, a pasta é Mehmet Simsek, antigo vice-primeiro-ministro, o que poderá significar uma mudança de estratégia económica.
Desde já, o novo ministro fez questão de dizer que o país não pode continuar como está. "A Turquia não tem outra opção senão regressar a uma base racional", disse Mehmet Simsek, após ter sido eleito. "Uma economia turca baseada em regras e previsível será a chave para alcançar a prosperidade desejada", acrescenta.
Entre os principais pares cambiais, o euro segue a somar 0,67% para 1,0778 dólares, mesmo com as notícias de que a Zona Euro entrou numa recessão técnica.
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro aliviaram esta quinta-feira, depois das notícias que a Zona Euro entrou em recessão técnica - o que levou a uma maior procura pela segurança das obrigações.
A "yield" das Bunds alemãs com maturidade a dez anos, referência para a região, subtraiu 5,2 pontos base para 2,398% e os juros da dívida portuguesa desceram 5,1 pontos base para 3,099%.
Já os juros da dívida pública italiana com a mesma maturidade aliviaram-se 9,9 pontos base para 4,172%, ao passo que a "yield" das obrigações espanholas desceu 7,5 pontos base para 3,392%.
A economia da Zona Euro contraiu no primeiro trimestre do ano. Apesar das estimativas iniciais apontarem para crescimento, o produto interno bruto (PIB) da região recuou 0,1% entre janeiro e março, o que significa que não escapou a uma recessão no inverno.
Os preços do "ouro negro" seguem a perder terreno nos principais mercados internacionais, pressionados com a debilidade da procura e com o relato de que os Estados Unidos e o Irão poderão estar perto de um acordo sobre as exportações de petróleo – o que ofuscou a expectativa de uma oferta mais apertada por parte da Arábia Saudita e de uma potencial pausa na subida dos juros diretores por parte da Reserva Federal norte-americana.
O West Texas Intermediate (WTI), "benchmark" para os Estados Unidos, cede 0,12% para 72,44 dólares por barril.
Por seu lado, o Brent do Mar do Norte, crude negociado em Londres e referência para as importações europeias, desliza 0,13% para 76,85 dólares/barril.
As bolsas europeias negociaram sem grande direção, entre ganhos e perdas ligeiras, com a aposta no aumento dos juros diretores a penalizar setores como o imobiliário e as telecomunicações – que ofuscaram os ganhos das cotadas dos setores automóvel e mineiro.
O sentimento dos investidores continuou a ser pressionado pela inesperada decisão do banco central do Canadá de voltar a subir as taxas de juro de referência – decisão que se seguiu a um anúncio no mesmo sentido por parte da Austrália.
Com reuniões de política monetária do Banco Central Europeu e da Reserva Federal norte-americana agendadas para a próxima semana, os operadores optaram pela prudência, perante a maior aposta num aumento dos juros por parte do BCE (quanto à Fed, há quem já estime uma pausa na reunião dos dias 13 e 14, mas também quem ainda preveja mais uma subida de 25 pontos base).
O Stoxx 600, índice de referência do Velho Continente, fechou a somar 0,015%, para se estabelecer nos 460,87 pontos.
Entre os principais índices da Europa Ocidental, o alemão Dax somou 0,18%, o francês CAC-40 valorizou 0,27%, o italiano FTSEMIB ganhou 0,81%, o britânico FTSE 100 cedeu 0,32% e o espanhol IBEX 35 recuou 0,17. Em Amesterdão, o AEX registou um decréscimo de 0,088%.
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