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Fecho dos mercados: Receios de Brexit "castigam" bolsas e arrastam libra, ouro ganha com procura de refúgio

Os receios de uma vitória da saída do Reino Unido da União Europeia no referendo da próxima semana ditaram quedas expressivas às bolsas europeias na primeira sessão da semana. A libra também perdeu valor e o ouro voltou a brilhar.

Reuters
Raquel Godinho rgodinho@negocios.pt 13 de Junho de 2016 às 17:35

Os mercados em números

PSI-20 desceu 2,84% para 4.569,44 pontos

Stoxx 600 cedeu 1,84% para 326,80 pontos

S&P 500 desvaloriza 0,32% para 2.089,43 pontos

"Yield 10 anos de Portugal sobe 11,8 pontos base para 3,221%

Euro sobe 0,27% para 1,1281 dólares

Petróleo cai 0,42% para 50,33 dólares por barril em Londres

 

Bolsas europeias em mínimos de dois meses

As principais bolsas europeias arrancaram a semana em forte queda, com os investidores a revelarem um nível elevado de ansiedade em relação ao referendo sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia. As últimas sondagens conhecidas acentuaram os receios de saída e provocaram a quarta sessão de quedas nas bolsas europeias. O Stoxx 600, índice de referência europeu, cedeu 1,84% para os 326,80 pontos, tendo atingido mínimos de dois meses.

 

A bolsa de Lisboa não foi excepção e negociou nos níveis mais baixos desde Fevereiro. O PSI-20 desceu 2,84% para os 4.569,44 pontos, num dia em que todas as cotadas do índice perderam valor. O BCP, a Nos e a EDP Renováveis foram as que mais penalizaram a praça de Lisboa. O banco completou a quarta sessão de quedas. Desceu 8,18% para os 0,0202 euros, depois de ter tocado nos 0,02 euros, o valor mais baixo de sempre. A Nos depreciou 3,67% para os 5,983 euros e a EDP Renováveis perdeu 2,69% para os 6,631 euros.

 

Juros sobem pelo segundo dia e levam prémio de risco para máximos de um mês

Os investidores exigiram, esta segunda-feira, juros mais altos para apostar em títulos da dívida pública portuguesa em todos os prazos. E o mesmo aconteceu nos restantes países do sul da Europa. No caso nacional, a subida foi mais expressiva nos prazos mais longos. Na maturidade de referência, a dez anos, a taxa completou dois dias de subidas. Subiu 11,8 pontos-base para os 3,221%. A dívida alemã na mesma maturidade também subiu mas menos, o que elevou o prémio de risco da dívida portuguesa face à germânica para 319,76 pontos, o valor mais elevado desde 10 de Maio.

 

Euribor a três meses inalterada em mínimo histórico

As Euribor começaram a semana com uma tendência divergente. No prazo a três meses, que está em valores negativos desde Abril do ano passado, a taxa manteve-se inalterada nos -0,263%, o que representa o valor mais baixo de sempre. Já a taxa a seis meses, indexante em mais de metade dos créditos à habitação em Portugal, subiu para -0,158%, face aos -0,159% de sexta-feira. A Euribor a nove meses caiu para -0,089% e a 12 meses recuou para -0,020% face aos -0,018% da última sessão.

 

Libra em mínimos de dois meses face ao dólar

Numa altura em que aumentam os receios em relação à possibilidade de vitória da saída do Reino Unido da União Europeia no referendo da próxima semana, a moeda britânica continua a perder valor face à maioria das principais moedas negociadas. Face à moeda americana, a libra desce 0,13% para os 1,4239 dólares, depois de ter atingido mínimos de dois meses com uma queda de quase 1%, sendo que cada dólar vale 0,70210 libras. Uma sondagem efectuada pela Bloomberg a 32 economistas revela que a libra pode cair para mínimos de 30 anos no dia seguinte ao referendo, em caso de Brexit.

 

Petróleo cai pelo terceiro dia consecutivo

A matéria-prima desvalorizou pela terceira sessão consecutiva e chegou a negociar abaixo dos 50 dólares por barril em Londres. A penalizar o petróleo esteve o aumento dos poços de petróleo activos nos Estados Unidos pela segunda semana e da produção no Irão, que anunciou que pretende elevar a produção entre 600 a 700 mil barris por dia nos próximos cinco anos. Estes dados voltam a aumentar os receios em relação a um excesso de oferta no mercado. Em Nova Iorque, o West Texas Intermediate (WTI) cede 0,39% para os 48,88 dólares por barril, enquanto, em Londres, o Brent desvaloriza 0,42% para os 50,33 dólares por barril.

 

Ouro em máximos de quatro semanas com procura por segurança

Com os receios de um Brexit, a aversão aos activos de risco aumentou, o que penalizou essencialmente os mercados accionistas na primeira sessão da semana. A beneficiar do aumento da turbulência estiveram os activos percepcionados como de refúgio. É o caso do ouro. O metal precioso completou quatro sessões consecutivas de ganhos e atingiu o valor mais elevado desde meados de Maio. O ouro segue a valorizar 0,75% para os 1.283,82 dólares por onça, mas esteve já a apreciar 1,03% para os 1.287,31 dólares por onça. "O Brexit está verdadeiramente sobre o microscópio actualmente e este é o catalisador que está a levar o ouro para níveis mais elevados hoje", explicou à Bloomberg James Cordier, fundador da Optionsellers.com.

 

Destaques do dia

Presidente do Mecanismo Único de Supervisão considera "normal" capitalizar CGD. A presidente do Mecanismo Único de Supervisão disse hoje, em Bruxelas, que cabe à Direcção-Geral de Concorrência analisar o processo de capitalização da Caixa Geral de Depósitos, mas considerou normal a injecção de capital pelo Estado num banco público.

 

Preços em Luanda já aumentaram quase 30% no último ano. Os preços em Luanda subiram 29,23% nos últimos 12 meses, até Maio, renovando máximos históricos ao dispararem 3,46% face ao mês anterior, de Abril, influenciados pelas bebidas e alimentos.

 

Robin Bienenstock renuncia à administração da Oi. A gestora, que entrou para o conselho de administração da empresa brasileira em 2014, vai sair da sociedade de telecomunicações, onde será substituída por Marcos Grodetzky.

Procura por refúgio leva ouro a máximos de um mês. Com os receios de Brexit a provocarem quedas de quase 2% nas principais bolsas europeias, os investidores procuram activos percepcionados como refúgio.

 

Fuga ao risco também penaliza Wall Street. As bolsas norte-americanas seguem a tendência das restantes praças mundiais, numa sessão marcada pela fuga ao risco por parte dos investidores devido à incerteza com o resultado do referendo no Reino Unido.

 

Microsoft compra LinkedIn por 26,2 mil milhões de dólares. A Microsoft oferece 196 dólares por acção, o que representa um prémio de 49,5% sobre os títulos da rede social.

 

Libra pode atingir mínimo de 30 anos em caso de Brexit. O referendo para decidir a permanência do Reino Unido na União Europeia está agendado para 23 de Junho. A dez dias da votação, os receios em torno da vitória do "sim" determinam o sentimento dos investidores.

 

Economistas cortam previsões para o crescimento de Portugal. A economia portuguesa vai crescer 1,2% este ano, menos três décimas do que o previsto anteriormente. O desemprego descerá menos e o défice ficará nos 3%, de acordo com estimativas actualizadas de economistas internacionais.

 

PSD pressiona Costa para quebrar "silêncio ensurdecedor" sobre CGD. Os social-democratas temem a politização do banco público e querem respostas do primeiro-ministro já no debate parlamentar agendado para 15 de Junho.

 

Brexit continua a assustar investidores. A pouco mais de uma semana do referendo no Reino Unido, os investidores continuam a precaver-se contra a possibilidade de haver um Brexit. As bolsas asiáticas registaram a maior queda em dois meses e as praças europeias caem pela quarta sessão.

 

Petróleo abaixo dos 50 dólares com EUA e Irão. A matéria-prima está a desvalorizar pela terceira sessão devido ao aumento dos poços de petróleo activos nos Estados Unidos e da produção no Irão.

 

O que vai acontecer amanhã

 

Estatísticas do Banco de Portugal. O supervisor publica as estatísticas de instituições financeiras monetárias, relativas a Abril. Serão conhecidos os dados em relação ao crédito malparado e novas operações de financiamento a famílias e empresas.


Estatísticas do INE.
O INE revela, esta terça-feira, os dados sobre a construção (obras licenciadas e concluídas), no primeiro trimestre, e também os índices de volume de negócios, emprego, remunerações e horas trabalhadas nos serviços, em Abril.


Indicadores na Zona Euro e EUA.
O Eurostat publica os dados referentes à produção industrial, em Abril. Os economistas consultados pela Bloomberg prevêem uma subida de 1,3% face ao período homólogo. Do outro lado do Atlântico, serão publicados os dados relativos às vendas a retalho, em Maio.


Inflação no Reino Unido.
No Reino Unido, será conhecida a evolução do índice de preços no consumidor, em Maio.

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