Obrigações Aramco financia-se em 12 mil milhões numa das emissões mais concorridas da história

Aramco financia-se em 12 mil milhões numa das emissões mais concorridas da história

A Saudi Aramco esteve no mercado a financiar-se, através de cinco leilões de dívida. No total, emitiu 12 mil milhões de dólares, numa operação com muita procura, o que ajudou a reduzir os juros pagos pela Arábia Saudita. A Aramco financiou-se mesmo a juros mais baixos do que o reino.
Aramco financia-se em 12 mil milhões numa das emissões mais concorridas da história
Reuters
Sara Antunes 10 de abril de 2019 às 10:44

A Saudi Aramco emitiu 12 mil milhões de dólares, através de cinco leilões com maturidades diferentes. A procura por parte dos investidores foi tão elevada que coloca esta operação de financiamento numa das mais subscritas da história, realça a Bloomberg.

 

Na emissão a três anos, a Aramco colocou mil milhões de dólares, tendo aceitado pagar um prémio de 0,55 pontos percentuais face aos juros dos EUA, que se encontram nos 2,288%. Na emissão a cinco anos, a petrolífera financiou-se em dois mil milhões de dólares, pagando uma taxa de cerca de 3%, o que implica um prémio de 0,75 pontos face à taxa dos EUA.

 

A Aramco emitiu também três mil milhões a 10 anos, com os juros a ascenderem a 3,5% (um prémio de 1,05 pontos) e a 20 anos financiou-se em três mil milhões de dólares, com um prémio de 140 pontos.

 

Na emissão de mais longo prazo, a 30 anos, a Aramco aceitou pagar um juro de cerca de 4,5%, o que representa um prémio de 155 pontos.

 

A petrolífera conseguiu assim garantir um financiamento elevado com taxas de juro mais baixas do que inicialmente se previa. A Bloomberg realça que a Aramco conseguiu mesmo financiar-se a um custo inferior ao do reino, algo raro. Este contexto só foi possível devido à elevada procura, com a emissão a atrair uma procura superior a 100 mil milhões de dólares, quando o objetivo era uma emissão entre 10 e 15 mil milhões de dólares.

 

Estes resultados surgem depois de a Aramco se ter tornado na empresa mais lucrativa do mundo, tendo ultrapassado os lucros obtidos pela Apple, que era até 2018 a empresa mais lucrativa do mundo.

 

A contribuir para o forte interesse está tmbém o ambiente que se vive atualmente nos mercados, onde muitas emissões de dívida, sobretudo soberanas, estão a ser realizadas a juros negativos. Ou seja, os investidores pagam para ficar com aqueles títulos em carteira, devido à perspetiva de segurança.

 

Nesta emissão, os investidores conseguem obter retorno, num investimento que é considerado seguro, devido aos elevados lucros e ao facto de ser uma empresa estatal.

 

Esta operação surge depois de, no ano passado, a Arábia Saudita ter cancelado os planos de colocar em bolsa a Saudi Aramco. Esta oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) já tinha sido apelidada de "operação do século", tendo sofrido vários adiamentos e suspensões. A ideia seria vender 5% do capital da petrolífera, o que poderia representar um encaixe de 100 mil milhões de dólares para o reino. Se se confirmassem estes valores, a Aramco ficaria avaliada em dois biliões de dólares. Mas a operação acabou por não se concretizar.




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