Energia Petrolífera saudita lucra num ano o equivalente a metade do PIB de Portugal

Petrolífera saudita lucra num ano o equivalente a metade do PIB de Portugal

Os lucros da petrolífera estatal da Arábia Saudita quase que duplicaram os obtidos pela Apple, que antes liderava o ranking das companhias mais lucrativas do mundo.
Nuno Carregueiro 01 de abril de 2019 às 12:35

A Saudi Aramco obteve lucros de 111 mil milhões de dólares (99 mil milhões de euros) em 2018, um valor bem acima dos 76 mil milhões de dólares registados em 2017 e que dá à petrolífera saudita o estatuto de empresa mais lucrativa do mundo.

 

Como é uma empresa 100% detida pela Arábia Saudita, a petrolífera até aqui não revelava resultados, sendo que os números do último exercício estão agora a ser revelados pelas agências de rating pois a Aramco está a preparar uma emissão de obrigações.        

 

De acordo com a Moody´s, citada pelas agências de informação, a Aramco fechou 2018 com lucros de 111 mil milhões de dólares e receitas de 356 mil milhões de dólares. O EBITDA foi de 224 mil milhões de dólares e a petrolífera pagou mais de 50 mil milhões de dólares em dividendos ao seu único acionista.

 

Como se suspeitava, estes números colocam a Saudi Aramco facilmente no topo das empresas que obtêm os lucros mais elevados em todo o mundo. Os resultados líquidos da petrolífera saudita representam cerca de metade do PIB de Portugal no ano passado (201,6 mil milhões de euros). E superam os lucros conjuntos que foram obtidos em 2018 por três gigantes mundiais (Apple, Google e Exxon Mobil).

 

Antes de se conhecerem os resultados da Aramco, este ranking era liderado pela Apple. A empresa que fabrica o iPhone obteve lucros de 59,9 mil milhões de dólares em 2018, sendo que as cinco companhias que se seguem no "ranking" (Samsung, Alphabet, JPMorgan, Shell e Exxon) apresentaram lucros entre 20 e 40 mil milhões de dólares.


A Aramco produz cerca de 10% do petróleo mundial e os lucros não são mais elevados porque a eficiência da companhia é inferior à das suas rivais e a carga fiscal é bem superior. Só em impostos a Aramco pagou mais de 100 mil milhões de dólares no ano passado, o que representa quase metade dos lucros.

 

Entre impostos e dividendos, o reino saudita encaixou mais de 150 mil milhões de dólares com a Aramco, o que representa quase três vezes mais do que as receitas fiscais encaixadas em Portugal em 2018 (44 mil milhões de euros), ano em que a carga fiscal atingiu um recorde de 35,4% do PIB.

 

Mas há indicadores onde a Aramco não surpreende pela positiva. De acordo com a Fitch, o "cash flow" por barril de petróleo – indicador muito utilizado para comparar resultados de petrolíferas - foi de 26 dólares, bem abaixo das rivais Shell (38 dólares) e Total (31 dólares).

 

As agências Moody´s e Fitch atribuíram à Aramco o quinto rating mais elevado (A+), que iguala o da Arábia Saudita. A empresa, que desistiu para já de realizar uma oferta pública inicial para entrar em bolsa, pretende nos próximos dias angariar cerca de 10 mil milhões de dólares com a emissão de obrigações no mercado internacional.

 

O encaixe será para financiar parte do valor da aquisição de uma posição de controlo da empresa petroquímica Sabic, que é atualmente controlada pelo fundo soberano da Arábia Saudita. O valor da operação é de 69 mil milhões de dólares e insere-se na estratégia da Aramco de ficar menos dependente do mercado petrolífero.

 

De acordo com a Bloomberg, a emissão está atrair tanto interesse junto dos investidores que a "yield" dos títulos a emitir pode ficar próxima de zero.




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