Obrigações Juros da Grécia deslizam para mínimo histórico após derrota pesada de Tsipras

Juros da Grécia deslizam para mínimo histórico após derrota pesada de Tsipras

Os investidores estão a aplaudir o cenário de eleições antecipadas na Grécia, descontando os efeitos do regresso da Nova Democracia ao poder em Atenas.
Juros da Grécia deslizam para mínimo histórico após derrota pesada de Tsipras
Mercados estão antecipar que Kyriakos Mitsotakis será o próximo primeiro-ministro da Grécia
Nuno Carregueiro 27 de maio de 2019 às 12:52

Os juros da dívida grega estão em queda acentuada esta segunda-feira, em reação aos resultados das europeias, que levaram o primeiro-ministro Alexis Tsipras a solicitar eleições antecipadas.

 

No mercado acionista também é evidente a reação positiva dos investidores aos resultados das eleições, com o índice da bolsa de Atenas (o FTASE) a disparar 5,8%.

 

No mercado de dívida soberana a reação é também muito acentuada. Os juros das obrigações a 10 anos descem 25,6 pontos base para 3,07%, sendo que já tocaram num mínimo histórico abaixo dos 3%. No acumulado do ano a queda é já de 130 pontos base.

 

Este comportamento dos ativos helénicos traduz as expectativas de mudança de governo na Grécia. É que o Syriza, no poder desde 2015, sofreu uma pesada derrota nas eleições europeias deste domingo, ficando atrás do principal partido da oposição, o Nova Democracia.

 

Alexis Tsipras – cujo mandato, em condições normais, terminaria em outubro – anunciou que vai marcar eleições antecipadas. Estas vão acontecer a 30 de junho ou início de julho e dado que a diferença nas europeias foi de mais de 10 pontos percentuais para o Syriza, os investidores estão a antecipar o regresso do Nova Democracia ao Governo.

O primeiro-ministro helénico declarou que vai reunir-se com o presidente do país, Prokopis Pavlopoulos, para falar sobre a possibilidade de convocar eleições imediatamente a seguir à conclusão de uma segunda volta das eleições municipais agendada para a próxima semana.

 

No final do ano passado, o Nova Democracia, liderado por Kyriakos Mitsotakis, estava à frente nas sondagens para as próximas eleições gregas. A cara do partido de centro-direita já esteve no governo durante o segundo resgate – e fora da vida política exerceu funções como consultor na Mckinsey.

 

A potencial saída do Syriza do poder surge numa altura de maior confrontação de Atenas com os credores, já que Tsipras tem anunciado uma série de medidas de alívio da austeridade com a reposição de rendimentos aos gregos e metas menos ambiciosas no excedente orçamental.

 

"O mercado está a festejar uma potencial vitória do Nova Democracia, esperando que um novo governo adote uma política orçamental mais moderada e amiga do crescimento e que tenha maior capacidade de atrair investimento, incluindo o muito necessário investimento estrangeiro", disse à Bloomberg Thanassis Drogossis, analista da corretora Pantelakis.

 

Juros sobem em Itália e caem para mínimos em Portugal

 

A dívida grega também beneficia do ambiente de juros baixos na generalidade das obrigações europeias. A distância para os juros de Itália está agora cada vez mais curta, já que a "yield" das obrigações transalpinas está em alta, reagindo à promessa de Salvini (que ganhou as eleições) de baixar impostos.

 

O juro das obrigações italianas a 10 anos avança 2,1 pontos base para 2,57%, contrariando a tendência de alivio que se regista em geral na dívida europeia.

Os juros da Alemanha a 10 anos descem 1,6 pontos base para -0,134%, o que corresponde ao nível mais baixo desde setembro de 2016.

 

Em Portugal os juros das obrigações a 10 anos caem 1,8 pontos base para 0,948%, o que traduz um novo mínimo histórico. Este novo alívio dos juros portugueses acontece depois de, na sexta-feira, a agência Fitch ter melhorado a perspetiva para a dívida soberana de "estável" para "positiva" abrindo a porta a uma subida do rating.




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