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António José Teixeira
04 de Outubro de 2018 às 13:00

Dizem que "mata, mas limpa"

A irresponsabilidade e a impunidade corroem a confiança nas democracias. Já chegava a indomável velocidade de comunicação das emoções populares; também os discursos incendiários carregados de paixão se propagam mais longe e mais depressa do que os argumentos baseados na razão.

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Irresponsabilidade. O que está em causa no assalto e no achamento de Tancos é mais do que um assalto e um encobrimento. E nem vale a pena discutir o argumento do 'interesse nacional'. A questão mais inquietante é a persistente irresponsabilidade da hierarquia militar. Ao vexame do assalto seguiu-se a passagem de culpas para o poder político, como se a preservação de um paiol não fosse uma obrigação de intendência. Numa primeira fase, a chefia do Exército exonerou temporariamente cinco comandantes. Se as exonerações temporárias já eram insólitas, mais ainda foram as renomeações dos exonerados. Feitas as averiguações, concluiu-se pela irresponsabilidade. Pior é difícil imaginar num Exército digno desse nome. Se a hierarquia militar não assaca responsabilidades neste caso - seja em relação ao assalto, à encenação do achamento ou à libertação do assaltante - então o problema é do poder político, que não se dá ao respeito, que não exige rigor a quem não é capaz de o assegurar.

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