A auto-ajuda que não ajuda
A confiança afecta a maneira como fazemos as coisas e, por isso, influencia os resultados que conseguimos, tanto na vida profissional como no dia-a-dia social.
Mas por vezes, desmotivados ou cansados, é necessário reagir, não podemos ficar parados… Falar para si próprio, incentivando-se a si mesmo, é o que muito boa gente faz: "Vamos em frente… Sou o melhor… o mais inteligente… o mais capaz…" E resulta? Cuidado, não convém exagerar porque os incentivos podem fazer ricochete e pode ficar-se mais em baixo e menos confiante.
Uma investigação publicada na revista Psichological Science chama a atenção para o facto de pessoas com baixa auto-estima - pouco confiantes em si próprias e que tendem a criar uma auto-imagem negativa - poderem ser especialmente prejudicadas pelos comentários de motivação em voz alta. O facto é que esses incentivos geram pensamentos contraditórios. A pessoa diz "sou o melhor" e fica a pensar… "não sou nada… se calhar até sou o pior…" E não resulta.
Entre as pessoas com alta auto-estima, seguras de si próprias e que não necessitam de elogios de terceiros para estarem tranquilas, os comentários de auto-ajuda funcionam melhor. Sobretudo se não forem exagerados; "estou confiante, sou capaz, preparei-me bem", geralmente ajuda.
Mas atenção aos excessos. Os elogios podem ser algo exagerados, mas não muito; "sou o mais inteligente" é capaz de ser demasiado… "Sou inteligente" é melhor; melhor ainda é acrescentar "e preparei-me e trabalhei bem" - e isso ser verdade - "e por isso vai correr bem"; aí a auto-ajuda ajuda mesmo.
Professor na Universidade Católica Portuguesa
Mais lidas