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Fernando Sobral fsobral@negocios.pt 22 de Julho de 2018 às 18:50

Turismo estatal

Depois da Baixa pombalina e dos Jerónimos, que há mais para ver? Faltam grandes exposições únicas que possam atrair os visitantes e outros acontecimentos que, ciclicamente, sejam marcantes.

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Hoje já não existe a "Berlin Alexanderplatz" que Alfred Doblin descreveu na sua obra magistral. Berlim está na moda mas já não há berlinenses lá e os poucos que existem intitulam-se aborígenes. Berlim é uma criação, um fantasma e os actores já não estão lá. O que seria bom é que as pessoas que foram para lá deixassem de ser espectadores e se tornassem actores. Mas essas pessoas não têm criatividade, esperam apenas ser entretidos. Lisboa, por exemplo, arrisca-se a ser como Berlim, enquanto o turismo não rumar para climas novamente seguros mais a sul. Poderemos estar a perder uma oportunidade histórica, porque não temos infra-estruturas (comboios que não estejam decrépidos, Metro e autocarros que funcionem, aeroporto que não seja apenas um entreposto de lucro para o gestor. O efeito na luz de Lisboa esgota-se. Depois da Baixa pombalina e dos Jerónimos, que há mais para ver? Faltam grandes exposições únicas que possam atrair os visitantes e outros acontecimentos que, ciclicamente, sejam marcantes. Lisboa é apenas o símbolo maior desta atracção fatal.

 

No meio deste número de hipnotismo transversal que não admite uma discussão séria, deparámo-nos, há uns meses, com a criação pelo Governo de um instrumento, com um orçamento total de 25 de milhões de euros para "fixar pessoas e criar empregos no interior". A bondosa ideia causa, no entanto, alguma perplexidade: quem quiser explorar uma casa numa aldeia pode colocá-la num fundo imobiliário (o Turismo Fundos, detido pelo Turismo de Portugal e por dois bancos), que a compra, e fica depois a cobrar uma renda ao promotor. Por norma, as operações poderão durar até 15 anos e no final, o promotor pode recomprar o imóvel. Ou seja, o Estado que anda a alienar imobiliário por todo o lado, volta a ser proprietário. Faz sentido? E se, passados tantos anos, o promotor não desejar adquirir novamente a casa, porque não ganhou dinheiro para isso? O Estado faz o quê? Fica com ela, criando uma nova FNAT? Ou encontrou, apenas, uma nova vocação, a de "croupier"?

 

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