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Jorge Marrão 14 de Setembro de 2020 às 19:20

Presidenciais e sociedade

Não é um acidente, nem uma arrogância, as candidaturas de Ana Gomes e André Ventura: ambos a lutarem contra a corrupção dos dinheiros, mas sem coragem para denunciarem a corrupção política do regime. Não são políticos, mas justicialistas.

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A FRASE...

"Marcelo diz que vai falar com Costa sobre apoio a Luís Filipe Vieira."


Público, 14 de Setembro de 2020
 

A ANÁLISE...

 

Os fundos europeus serão o remédio para manter uma doença incurável da sociedade. É por esta via que quase tudo se jogará para se agarrar o poder. A governação da geringonça revela-se a cada dia que passa um interregno. Este é conservar a sociedade dependente e doente. Sem prejuízo dos erros políticos de percurso de Passos Coelho e dos autismos da Europa e do FMI sobre a realidade de Portugal, o virar da página da austeridade mais não é do que um reforço do poder dos partidos do Estado na sociedade. É uma tentativa, e nalguns casos com sucesso, do regresso de novas promiscuidades entre os governos e os poderes económicos que restam, ou que vão nascer por puro interesse estatal. Dificilmente o sistema bancário terá a predisposição e a capacidade para ajudar os partidos do Estado a fixarem-se no poder. O regime da bancarrota de Sócrates viveu da ligação (perversa) entre o soberano, o sistema bancário, empresários fabricados por bancos e Estado, e os regimes exportadores de divisas, espelhado no célebre triângulo dourado, que incluía a América Latina e a África. Para salvar a imagem socialista do seu anterior primeiro-ministro, reforçando a ideia que um camarada é sempre um camarada, privilegiando os valores da fraternidade e das lealdades, quaisquer que sejam os erros e os disparates produzidos na condução da vida pública, os socialistas, em vez de aceitarem os erros das políticas públicas do passado, têm vindo a usar uma estratégia de ocultação com a conivência, consciente ou não, da esquerda radical que se deslumbrou com a possibilidade de chegar perto das rédeas do poder, e impossibilitar assim a libertação da sociedade civil e o retorno à mudança que temos de fazer para sair do crescimento económico nulo das últimas décadas. Não é um acidente, nem uma arrogância, as candidaturas de Ana Gomes e André Ventura: ambos a lutarem contra a corrupção dos dinheiros, mas sem coragem para denunciarem a corrupção política do regime. Não são políticos, mas justicialistas. A primeira por deveres de fraternidade centrar-se-á em pessoas e instituições que não lhe agradam, este por interesse em fixar os eleitorados descontentes com quase tudo. Trazem o antissistema, mas irão reforçar o sistema pelo seu radicalismo. Neste contexto, a candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa não se compreende, porque não sabemos ao que vai, a não ser manter o seu poder presidencial.
Quem julga que está a fazer história em vida normalmente termina com uma má história.

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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