Luís Todo Bom
Luís Todo Bom 04 de novembro de 2019 às 19:19

Velhos, funcionários públicos, resignados

O excesso de funcionários públicos, também mal preparados e pouco qualificados, na administração central e local, estão na base da baixa qualidade e ineficiência dos serviços públicos, da teia burocrática que asfixia as nossas empresas.

O retrato do nosso país, traçado por várias organizações, nacionais e internacionais, dum modo consistente e unânime, apresenta a seguinte realidade: Um país com uma população envelhecida e pouco qualificada, com um número de funcionários públicos excessivo, resignado à sua pobreza e a baixos índices de qualidade de vida.

 

A baixa qualificação académica e profissional está na base da baixa produtividade (os portugueses trabalham muitas horas, mas com grande ineficiência), que se traduz em baixa competitividade do nosso aparelho produtivo, compensada com baixas remunerações.

 

O envelhecimento condiciona a capacidade de aprendizagem de novas tecnologias e de novos processos operativos, prolongando este modelo de baixa produtividade.

 

Cria, para além disso, pressões enormes sobre o nosso sistema de saúde e de segurança social, criando um ciclo de empobrecimento constante.

 

O excesso de funcionários públicos, também mal preparados e pouco qualificados, na administração central e local, estão na base da baixa qualidade e ineficiência dos serviços públicos, da teia burocrática que asfixia as nossas empresas e nos custos de contexto que impedem a melhoria da sua competitividade.

 

Constituem, também, uma enorme rigidez da despesa pública, impedindo uma redução mais rápida da nossa dívida externa.

 

As últimas eleições, em que o país não manifestou qualquer sobressalto ou desejo efectivo de mudança, provam que a maioria dos portugueses está resignada com a sua sorte.

 

Escolheram a garantia da continuação deste crescimento anémico, serviços públicos em degradação lenta, mas permanente, emprego público assegurado, remunerações baixas, com os pequenos aumentos absorvidos pelos impostos indirectos.

 

Não escolheram a mudança, aceitando os riscos e os desafios que a mesma implica.

 

Os nossos jovens, mais qualificados e inconformados, desistiram de lutar pelas mudanças no seu país.

 

Decidiram emigrar para os países da Europa do Norte, onde encontram um ecossistema completamente diferente: Estruturas públicas e empresariais eficientes, empregos desafiantes e bem remunerados, qualidade de vida indiscutível.

 

A apatia com que o país acompanha o advento das novas tecnologias e das novas plataformas de comunicação e informação, é preocupante.

 

As empresas privadas respondem aos novos desafios com novas plataformas informáticas, automação, robotização, bases de dados relacionais.

 

A administração pública responde com a admissão de mais funcionários, agravando a ineficiência global de todo o sistema.

 

Os relatórios internacionais continuam a surgir, periodicamente, assinalando todos estes aspectos negativos.

 

Com tendência para agravamento, face ao fenómeno recente de imigração de jovens, sem qualquer qualificação académica e profissional, que asseguram os serviços básicos de comércio e turismo.

 

Sem qualquer sobressalto cívico.

 

Ninguém antecipa um futuro promissor.

 

Gestor de Empresas 

 

Artigo em conformidade com o antigo Acordo Ortográfico

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