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António Nogueira Leite 28 de Setembro de 2020 às 19:50

Pequenas demais

As nossas microempresas têm uma produtividade que é de apenas 41% da média europeia (dados de 2018, Eurostat), enquanto nas pequenas o rácio sobe para 63%, sendo de 69% nas médias e 78% nas grandes.

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A FRASE...

 

"Em Portugal só há 875 empresas grandes."

Manuel Carvalho, Público, 27 de Novembro de 2019 

 

A ANÁLISE...

 

Desde que me lembro que tenho assistido a um debate em Portugal sobre o aparente puzzle da baixa produtividade do trabalho face aos outros países europeus. Na verdade, a convergência com a União Europeia, objectivo central da política económica no pós-adesão, foi perdendo espaço no debate politico-económico, mesmo com o abaixamento permanente do desafio com a entrada de novos Estados-membros, em regra bem mais pobres do que a média do conjunto que os acolhia. Mas, ainda que a convergência perdesse o centro do debate, um dos sintomas da não convergência, a permanentemente baixa produtividade do trabalho, foi aparecendo de tempos em tempos na discussão e nalguns trabalhos publicados sobre o tema.

 

A qualificação da mão-de-obra é um problema, mas houve avanços. O mau funcionamento dos mercados é outro, mas não se degradou nem justifica tamanha disparidade face ao centro da Europa. Muitos dos gestores não têm qualificações superiores, mas tal não acontece nas empresas de média e grande dimensão. A justiça funciona mal, mas em Itália e Espanha funciona pior, sob alguns ângulos de análise, e a nossa produtividade é muito menor. Porventura o factor mais negligenciado nestas explicações, pelo menos no debate público, é um dos que maior fatia da diferença consegue explicar. A escassa dimensão de muitas das empresas portuguesas. O tecido empresarial português tem uma concentração importante nas micro e nas pequenas empresas e é aí que o diferencial de produtividade para a média europeia é mais notório. As nossas microempresas têm uma produtividade que é de apenas 41% da média europeia (dados de 2018, Eurostat), enquanto nas pequenas o rácio sobe para 63%, sendo de 69% nas médias e 78% nas grandes, sendo que muitas destas últimas operam em ambiente concorrencial.

 

Temos assim uma divergência em parte explicada pela pequena dimensão das empresas, sendo que, sobretudo no que respeita às pequenas e médias, se podem perspectivar ganhos importantes de concentração empresarial (sem atentar contra as regras de uma boa e sã concorrência). Ora este deve ser um desígnio de empresários e gestores, mas também dos poderes públicos. Não se propõe a criação de gigantes, mas apenas uma economia em que os mais pequenos cresçam e melhorem o seu contributo para o conjunto da economia.

 

Artigo está em conformidade com o antigo Acordo Ortográfico

 

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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