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Paulo Carmona 04 de Maio de 2021 às 10:10

TAP: 400€ de cada português

Pelo último boletim da ANAC, a TAP foi responsável por 15% do movimento trimestral no aeroporto do Porto, 8% em Faro, 26% no Funchal e 9% em Ponta Delgada. Se a TAP deixasse de existir, acham que se notaria nesses aeroportos?

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A FRASE...

 

"A intervenção pública na TAP poderá vir a resultar num retorno para a economia de até 10 mil milhões de euros até 2030." 

 

Miguel Frasquilho e Ramiro Sequeira, ECO, 29 de abril de 2021

 

A ANÁLISE...

 

O tema da TAP já aborrece os portugueses, mas o pior são estas tristes intervenções, certamente a mando do ministro que também as faz. Os contribuintes portugueses irão colocar injustificadamente perto de 4.000.000.000 de euros na TAP através dos seus impostos, sobre o leite e os ovos, por exemplo. O argumento utilizado no artigo citado é que a falência custaria muito dinheiro e perderíamos 3 mil milhões de euros por ano em passagens podendo "ficar isolados do mundo" (sic). E também iríamos importar o que hoje exportamos em bilhetes, teríamos mais desemprego e efeitos colaterais para fornecedores.

 

O próprio ministro disse que eliminar a TAP é eliminar uma das maiores exportadoras portuguesas e fonte de divisas para Portugal. Convém dizer que estas afirmações foram proferidas sem rir. Se retirarmos a Galp, a TAP é talvez o maior exportador nacional, mas é também o maior importador. O seu maior custo operacional é combustível, todo importado para refinação. Como a companhia tem tido prejuízos, isto é, os custos superiores aos proveitos, as suas exportações podem ter ficado abaixo das importações apesar de grande parte dos seus clientes serem estrangeiros. Este é outro tema. Os portugueses pagam a TAP, mas não voam nela. Nem os turistas. A TAP não é a responsável pelo boom turístico, mas sim as ditas low-cost.

 

Pelo último boletim da ANAC, a TAP foi responsável por 15% do movimento trimestral no aeroporto do Porto, 8% em Faro, 26% no Funchal e 9% em Ponta Delgada. Se a TAP deixasse de existir, acham que se notaria nesses aeroportos? E que outras companhias não a substituiriam imediatamente? Acham que ter estes voos vale 4 mil milhões de euros para o turismo nacional? Valerá por Lisboa que tem 51% dos voos operados pela TAP. É isto a descentralização? Ou antes pelo modelo de negócio da TAP de transportar brasileiros e americanos para a Europa via Lisboa, onde 64% seguem para outros destinos que não Portugal. Isso é que é estratégico? E estes argumentos de imbecilização dos portugueses, para justificar o injustificável?! E como uma pequena companhia reduzida a 50 ou 60 aviões vai fazer milagres pelo turismo e reembolsar os portugueses? Só na cabeça delirante de alguns… 

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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