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Filipe Santos - Dean da Católica Lisbon School of Business & Economics
09:15

Portugal no top 5 dos startup "hubs"

Portugal e as suas empresas precisam de inovar com sucesso, e o ecossistema de empreendedorismo é o adubo dessa dinâmica inovadora.

Não é só nas Escolas de Gestão, como a Católica-Lisbon, que Portugal aparece no top 5 europeu dos "rankings" do Financial Times. O "ranking" dos melhores Startup Hubs divulgado o mês passado coloca Portugal no top 5 europeu com doze dos seus "hubs" de startups entre os 180 melhores da Europa, incluindo oito deles no top 100 e quatro no top 40. Estar no top 5 da Europa entre mais de 30 países tendo em conta a dimensão de Portugal é um feito extraordinário!

Relevante é também este não ser um fenómeno apenas da cidade de Lisboa, mas sim de todo o país. Embora Lisboa tenha sete dos doze melhores "hubs" (com destaque para a Unicorn Factory, Lispolis, Fintech House e Build Up Labs), a Startup Braga e Startup Leiria estão no top 70, havendo lugar ainda para a Business Factory da Ericeira, a Uptec do Porto e a Startup Madeira. Há também "hubs" focados em startups de Impacto como a Casa de Impacto em Lisboa.

Este é um verdadeiro ecossistema de empreendedorismo a nível nacional que gera benefícios significativos para a economia portuguesa. Permite desde logo reter e atrair o melhor talento jovem global, promover mecanismos de transferência de tecnologia entre a academia e o setor empresarial e desenvolver inovações nas empresas estabelecidas ao ligá-las a startups inovadoras. Adicionalmente, permite a criação e crescimento de centenas de startups, algumas das quais se tornam unicórnios, ou seja, startups de elevado crescimento que valem mais de mil milhões de dólares. Estes unicórnios lançam produtos globais desde a sua origem e desenvolvem centros de competência em Portugal, contratando centenas de trabalhadores qualificados. Dos unicórnios portugueses recentes, destaca-se a SwordHealth, a Feedzai e a Tekever que, em conjunto, têm mais de 1500 empregados em Portugal. Existem já oito unicórnios de origem nacional, um número muito positivo no contexto Europeu, além de mais de 40 empresas unicórnio com operações significativas em Portugal, muitas delas atraídas pela Unicorn Factory de Lisboa. E o seu potencial de crescimento é tremendo. Por exemplo, a Feedzai foi contratada pelo BCE para assegurar a segurança do futuro Euro digital e a Tekever está a dar cartas na área dos drones, com contratos significativos na área civil e de defesa.

Mas mais do que exemplos individuais, o importante é Portugal estar a conseguir desenvolver um ecossistema dinâmico que gera um ciclo virtuoso entre talento, capital, tecnologia, inovação e capacidade de empreender, gerando continuamente novas startups. Este é o motor central de uma economia moderna, dinâmica e inovadora. Mas como foi possível a Portugal chegar ao top 5 de Europa em "hubs" de empreendedorismo?

Por ter implementado aquilo que tantas vezes falta em Portugal – uma visão estratégica que combina recursos endógenos com abertura global, alinhada com políticas públicas consistentes que atravessam o espetro político, envolvem parceiros privados e têm continuidade. Em Lisboa, as políticas mais ambiciosas de tornar a cidade um "hub" global para startups tecnológicas foram lançadas desde 2010 com a criação da Startup Lisboa, a renovação do espaço urbano para o lançamento de "hubs" de inovação, e o acolhimento do Websummit desde 2016, o qual colocou Lisboa no mapa mundial do empreendedorismo tecnológico. Estas políticas dinamizaram recursos endógenos que dão competitividade a Portugal, tais como as excelentes escolas de engenharia e ciências nacionais e as condições atrativas para reter talento global.

É também da salientar a articulação de políticas entre os níveis local e nacional e a sua consistência temporal. As políticas e estratégias de cidades como Lisboa e Braga, foi complementada com políticas a nível nacional, apesar de muitas vezes serem governos apoiados por diferentes esferas partidárias. Isso permitiu um crescimento de ambição – da Startup Lisboa para a Startup Portugal, de organizar o Websummit em Lisboa para o lançamento de uma fábrica de unicórnios. É também de salientar a criação de entidades dinamizadoras como a Startup Portugal - associações ou estruturas de missão, com uma missão focada e agilidade para operacionalizar as políticas e dinamizar o ecossistema.

Um cenário semelhante verifica-se nas políticas de promoção da inovação social, outra área em que Portugal dá cartas e é considerada uma referência a nível Europeu. Lançada no âmbito de um governo de centro-direita em 2014, apadrinhada por um governo de centro-esquerda desde 2016, e continuado o apoio novamente por um governo de centro-direita desde 2024, a política de inovação social tem uma organização dedicada – a Estrutura de Missão Portugal Inovação Social - que funciona com foco nacional, com uma liderança forte e dedicada nos últimos dez anos. Sendo uma organização nacional, atua também a nível regional através dos seus dinamizadores de ecossistema e do trabalho em parceira com centenas de municípios.

Em todos estes processos há uma perspetiva clara – os governos centrais e locais devem criar as condições e facilitar os mecanismos de instalação, reconhecimento e financiamento dos projetos e empresas inovadoras, mas são os agentes económicos que inovam – os empreendedores, as empresas, as organizações sociais. Neste contexto, as fontes principais de financiamento são asseguradas pelo setor privado ou filantrópico, não por fundos públicos, embora os fundos públicos possam ser relevantes para reduzir o risco ou acompanhar o financiamento privado. Hoje em dia, em Portugal multiplicam-se os fundos de investimentos em startups e as práticas de investimento social.

Outra aprendizagem é evitar o foco em projetos bandeira específicos, pois o sucesso de cada projeto inovador terá sempre elevada variabilidade. O conceito de ecossistema inovador é exatamente criar as condições para que surjam muitas iniciativas inovadoras, algumas das quais tenderão a falhar e outras poderão ter um enorme sucesso, sendo difícil à partida distinguir umas das outras. Portugal e as suas empresas precisam de inovar com sucesso, e o ecossistema de empreendedorismo é o adubo dessa dinâmica inovadora. Portugal está novamente de parabéns!

Pela nossa parte, a Católica, considerada em 2024 a universidade mais empreendedora de Portugal, continuará a dar o seu contributo, desenvolvendo e promovendo empreendedores com impacto. Nesse aspeto convido todos para o evento do Negócios com Impacto da Católica-Lisbon no dia 18 de março às 18h, em que daremos destaque a mais de 40 dos melhores inovadores de Portugal, graduados da Católica que se lançaram na aventura do empreendedorismo para tornar o mundo melhor.

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