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Fernando Sobral fsobral@negocios.pt 03 de Setembro de 2012 às 23:30

A auto-ajuda

Há muito tempo Dale Carnegie escreveu o influente "Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas". Nele, o guru abriu as janelas da auto-ajuda: acredite que pode mudar a sua vida e isso concretizar-se-á.

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Pedro Passos Coelho, na falta de Maquiavel para o ajudar a ultrapassar a orfandade política legada pelo rouco Miguel Relvas, encontrou na auto-ajuda o tónico para o seu discurso político. Descobriu um novo caminho para influenciar as pessoas. Para isso ajuda-se a si próprio. Fala para acreditar no que diz, pensando que assim está a ajudar os portugueses. Parece dizer: acreditemos na sagrada importância da austeridade e o futuro concretizar-se-á. Ou seja, a austeridade, na falta de estratégia política e de economia real, tornou-se o princípio, o meio e o fim deste Governo. É claro que esta crença na austeridade e na recompensa que o FMI, o BCE, a UE e a senhora Merkel lhe darão é um exercício de ingenuidade.

Por detrás de tanta austeridade está a reformulação do nosso modelo social. Os líderes ocidentais andam curtos de moral e escassos de ideias, mas há quem saiba o que quer. O ajustamento português está-se a fazer sobretudo pelo nivelamento inferior dos salários. Passos Coelho ajuda-se a si próprio ao dizer que o défice está a cair devido a cortes na despesa e não a aumentos da receita. É uma maneira requintada de colocar a questão: a receita está a cair porque os impostos e o desemprego subiram tanto que começa a não haver como tributar mais. O choque existirá se os portugueses depois de tantos sacrifícios ainda tiverem de beber a cicuta. Passos Coelho é o nosso Dale Carnegie. Resta saber se a auto-ajuda resolve a nossa depressão.

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