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Comissão Europeia revê em baixa crescimento da zona euro para 4% este ano

Bruxelas prevê uma retoma mais lenta devido sobretudo à variante ómicron, que obrigou a novos confinamentos, bem como à escassez de matérias-primas e às pressões inflacionistas. Em 2023, zona euro deverá crescer 2,7%.

Pedro Elias
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A Comissão Europeia reviu esta quinta-feira em baixa as previsões de crescimento da zona euro para este ano, de 5,3% para 4%. Bruxelas prevê uma retoma mais lenta devido sobretudo à variante ómicron, que obrigou a novos confinamentos, bem como à escassez de matérias-primas e às pressões inflacionistas.

"Após uma forte recuperação de 5,3% em 2021" na zona euro e na União Europeia, a Comissão assume que a economia entrou em 2022 "com um ritmo mais fraco do que o projetado", baixando assim as perspetivas. Já para 2023, o ritmo foi revisto em alta, com a UE a crescer 2,8%, ao invés dos 2,5% anteriormente avançados, e a zona euro 2,7%, o que compara com os anteriores 2,4%.

Bruxelas indica que, depois de a economia da zona euro ter recuperado o nível de crescimento pré-pandemia no verão do ano passado, "já era esperada" uma desaceleração nas previsões de outono, ainda que "moderada". "Desde então, os ventos contrários ao crescimento intensificaram-se", assinala, tornando o arranque mais brando. Será só depois que a economia europeia deverá "retomar o ritmo de expansão económica no segundo trimestre deste ano". 

Ómicron com impacto económico "mais duradouro"
Na apresentação do documento com as previsões de inverno da Comissão Europeia, o comissário europeu da Economia, Paolo Gentiloni, sublinhou que "a incerteza e os riscos em torno da previsão do inverno permanecem altos, porque a evolução da pandemia permanece imprevisível".

As previsões de Bruxelas apontam que a atual onda de contágios com a variante ómicron "pode ter um impacto económico mais duradouro do que o previsto", trazendo novas interrupções no abastecimento de produtos. Além disso, as tensões geopolíticas no Leste Europeu são também apontadas como um motivo de preocupação.

Por outro lado, o consumo das famílias deverá crescer de forma robusta, como aconteceu anteriormente, e o investimento público deverá ser fomentado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) destinado a apoiar a retoma económica em cada um dos Estados-membros da UE.

Inflação deverá continuar a subir até outubro
Em comparação com as previsões de outono, as novas projeções sobre a inflação foram revistas em alta para este ano. Paolo Gentiloni explicou, na apresentação do documento, que "os preços da energia devem permanecer altos por mais tempo e as pressões inflacionistas deverão ampliar-se para várias categorias de bens e serviços".

"A inflação na zona euro deverá atingir o pico no primeiro trimestre de 2022 e permanecer acima de 3% até o terceiro trimestre do ano", disse, sublinhando que é esperado que "a inflação diminua acentuadamente no último trimestre do ano e se estabeleça abaixo de 2% no próximo ano".

A Comissão Europeia prevê que a inflação cresça de 2,6% na zona euro em 2021 (2,9% na UE) para 3,5% (3,9% UE) em 2022, antes de cair para 1,7% (1,9% UE) em 2023.

PIB das maiores economias da UE revisto em baixa
Depois de ter crescido 2,8% no ano passado, as previsões da Comissão Europeia para o crescimento da Alemanha foram também revistas em baixa. A maior economia da Europa deverá crescer 3,6% este ano, devido aos constrangimentos persistentes nas cadeias de abastecimento, e 2,6% em 2023.

A economia de França, que cresceu 7% em 2021, deverá acelerar 3,6% este ano e 2,1% em 2023. "O consumo privado deverá continuar a aumentar acentuadamente este ano, beneficiando do dinamismo do mercado de trabalho. Espera-se que o investimento permaneça robusto, uma vez que continua a ser suportado pelo PRR e condições de financiamento favoráveis", explicou Paolo Gentiloni.

Com um crescimento mais robusto, Itália deverá subir 4,1% ainda este ano e 2,3% no próximo, depois de no ano passado ter encerrado 2021 perto dos níveis pré-crise. Já o PIB da vizinha Espanha deverá crescer 5,6% este ano e 4,4% em 2023.

(Notícia atualizada às 11h26)
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