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Bazuca dos EUA contra o vírus pode chegar a 2 biliões. Alemanha emite 10% do PIB em dívida

O valor dos pacotes orçamentais para combater os efeitos da pandemia aumenta todos os dias.

Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 21 de Março de 2020 às 17:46
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Os Governos em todo o mundo estão a anunciar mega pacotes de estímulos orçamentais para mitigar os efeitos da propagação do coronavírus na economia mundial. Atenuar uma recessão que é dada como certa é o objetivo dos países, que estão a dar sinais de que não vão colocar travões aos muitos milhares de milhões que vão ser gastos para ajudar empresas e famílias a superar a quase paralisação da atividade económica durante (não se sabe quantos) meses.

 

Estes pacotes orçamentais estão a ser desenhados e anunciados e ainda nem chegaram a ser aprovados pelos parlamentos, pelo que ainda falta tempo até chegarem ao terreno. Mas a sua dimensão tem vindo a crescer de dia para dia.

 

O montante envolvido no programa da maior economia do mundo arrancou na casa das centenas de milhares de milhões de dólares e hoje já se fala em 2 biliões de dólares.

 

A fasquia foi admitida este sábado por Larry Kudlow, conselheiro económico da Casa Branca. À chegada ao Capitólio para as negociações sobre este programa, Kudlow adiantou que o "pacote pode chegar a 10% do PIB dos Estados Unidos. É enorme".

 

O conselheiro económico de Trump especificou que em despesa efetiva o programa deverá oscilar entre 1,3 e 1,4 biliões de dólares, sendo o restante na forma de empréstimos que poderão depois de ser reembolsados.

 

Donald Trump deu ordens ao seu executivo para esticar ao máximo o valor do programa de resposta ao coronavírus, sendo que parte do dinheiro será dado de forma direta aos norte-americanos através da entrega de cheques.

 

Caso atinja 1,4 biliões de dólares, este pacote será bem superior ao implementado em 2008 para responder à crise financeira: 700 mil milhões de dólares (que hoje equivalem a cerca de 840 mil milhões de dólares, de acordo com a Bloombeg).

 

Mas não é só os Estados Unidos que estão dispostos a gastar como nunca para combater os efeitos do vírus. Na Europa a ordem é para gastar sem preocupações com a derrapagem das contas públicas.

 

Alemanha emite 350 mil milhões

 

Ursula von der Leyen anunciou que, pela primeira vez na história da Zona Euro, a Comissão Europeia acionou a cláusula de exclusão das regras de disciplina orçamental determinadas pelo PEC, o que entre outras consequências implica que caia a obrigatoriedade de défices inferiores a 3% do PIB. 

 

A Alemanha, um dos países europeus mais ortodoxos na disciplina fiscal, também dá mostras de que as contas públicas são agora a menor das suas preocupações.

 

Segundo o Financial Times, o governo alemão deverá aprovar já na segunda-feira um aumento de 356 mil milhões de euros no endividamento público para fazer face aos gastos com a pandemia.

 

O valor equivale a 10% do PIB da maior economia europeia e vai colocar um ponto final na política seguida nos últimos anos por Angela Merkel de orçamentos equilibrados e défices zero.

 

Já ontem tinha sido noticiado que a Alemanha iria criar um fundo de 500 mil milhões de euros exclusivamente para apoiar as empresas penalizadas pela paralisação da atividade económica. Este fundo poderá injetar liquidez e até comprar posições acionistas, sendo que o valor que está agora em cima da mesa é já de 600 mil milhões de euros.

Este fundo de estabilização, conhecido na Alemanha por WSF, vai receber 100 mil milhões de euros do Estado e garantias estatais no valor de 400 mil milhões de euros.

A Alemanha vai ainda injetar 100 mil milhões de euros no seu banco de fomento (KfW) e os restantes 156 mil milhões de euros correspondem ao orçamento suplementar deste ano para a despesa adicional que o Estado alemão fará para combater a pandemia.

O Governo alemão já fez saber que fará o que estiver ao seu alcance para preservar o tecido empresarial, podendo avançar com nacionalizações, tal como já admitiu a França. "Usámos uma ferramenta semelhante em 2008 e 2009, embora tenha estado mais focada no setor bancário", disse Olaf Scholz à rádio alemã Deutschlandfunk rádio, nesta sexta-feira.

O ministro das Finanças acrescentou que "pode acontecer que uma empresa de repente tenha uma escassez de liquidez, e estamos a tentar resolver isso com nosso programa de injeção de capital. Mas, em algum momento, será necessária liquidez e estamos prontos novamente para dar estabilidade nos mercados financeiros".

Se há economia que está preparada para deixar as contas públicas derraparem é a alemã, pois tem uma dívida pública abaixo de 60% do PIB depois de vários anos de excedentes orçamentais.

Jens Weidmann, presidente do Bundesbank, já aproveitou para dizer que a Alemanha agiu da forma correta na política orçamental nos últimos anos "quando a economia estava bem", pois "agora temos margem de manobra para lidar com esta crise e partimos com vantagem".

Além deste pedido de endividamento adicional, em cima da mesa do Conselho de Ministros liderado por Angela Merkel estará também um "lockdown" total para travar o contágio de coronavírus no país.

França avança com ajudas estatais que mobilizam 300 mil milhões

A Comissão Europeia aprovou hoje um pacote de ajudas estatais de França às empresas do país afetadas pelo surto de Covid-19, que mobilizam 300 mil milhões de euros para garantir liquidez às companhias, nomeadamente pequenas e médias.

"A Comissão Europeia aprovou três regimes de auxílios estatais de França para apoiar a economia francesa no contexto do surto do novo coronavírus", informa o executivo comunitário numa informação publicada no seu ‘site’.

Realçando que a estimativa é que estas ajudas estatais francesas "mobilizem mais de 300 mil milhões de euros em apoios à liquidez para empresas afetadas pelo impacto económico do surto", Bruxelas precisa que, em causa, estão desde logo dois regimes que permitem ao banco de investimento público francês, Bpifrance, fornecer garantias estatais sobre empréstimos comerciais e linhas de crédito para empresas com até 5.000 funcionários.

A estes acresce um outro regime com garantias estatais aos bancos relativamente a carteiras de novos empréstimos, um "auxílio direto às empresas que permitirão que os bancos forneçam liquidez rapidamente a qualquer companhia que precise", segundo a informação transmitida por Paris a Bruxelas.

Na passada quinta-feira, a Comissão Europeia adotou um quadro temporário para ajudas estatais, devido ao surto de Covid-19, que autoriza os Estados-membros da União Europeia (UE) a dar apoios direitos ou em benefícios fiscais até 800 mil euros por empresa.

França foi, assim, o primeiro Estado-membro a usufruir destas regras mais flexíveis para auxílios estatais, normalmente rejeitados pelo executivo comunitário por poderem afetar a concorrência europeia.

Bruxelas considerou, assim, que "as medidas francesas estão em conformidade com as condições estabelecidas no quadro temporário".

"Em concreto, [os regimes propostos por França] cobrem garantias sobre empréstimos com maturação e dimensão estipuladas", além de limitarem "o risco assumido pelo Estado a um máximo de 90%", observa o executivo comunitário.

Também hoje, a Comissão Europeia aprovou um pacote de ajudas estatais proposto pela Dinamarca, que prevê alocar mil milhões de coroas dinamarquesas (cerca de 130 milhões de euros) para apoiar as pequenas e médias empresas afetadas pela pandemia, em forma de garantias para empréstimos a estas companhias.

Em causa estão regras temporárias definidas por Bruxelas que estarão em vigor até ao final de dezembro de 2020, podendo ser prorrogadas, prevendo desde logo que "os Estados-membros possam criar regimes de subvenções que poderão ir até 800 mil euros para ajudar uma empresa a fazer face a necessidades urgentes de liquidez", com este apoio a poder surgir como apoio direto, benefícios fiscais ou adiantamentos, segundo a informação divulgada pela Comissão Europeia na quinta-feira.

Este quadro temporário prevê também "garantias estatais para empréstimos contraídos por empresas junto de bancos", bem como "empréstimos públicos subvencionados às empresas" com taxas de juro bonificadas. Lusa

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