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Marcelo admite renovar estado de emergência até para lá do Natal. Adverte para "provável" 3.ª vaga

O Presidente da República admitiu esta sexta-feira a eventualidade, caso seja necessário, de uma segunda renovação do estado de emergência entre 9 e 23 de dezembro e até mesmo mais renovações da situação de exceção. E alertou para a possibilidade de uma terceira vaga em janeiro e fevereiro.

António Pedro Santos/Lusa
Pedro Curvelo pedrocurvelo@negocios.pt 20 de Novembro de 2020 às 20:06
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O Presidente da República advertiu esta sexta-feira que "caso seja necessário" renovará uma segunda vez o estado de emergência, entre 9 e 23 de dezembro e "até mesmo para lá dessa data".

Numa declaração ao país a partir do Palácio de Belém, Marcelo Rebelo de Sousa, assegurou que "se a situação o exigir" for necessária uma "segunda renovação do estado de emergência, de 9 a 23 de dezembro, ou mesmo mais renovações, que ninguem se iluda não hesitarei um segundo em propô-las".

O chefe de Estado começou por referir que "apesar de sinais de ligeira descida nos casos, sobe o número de mortos, de internados, de doentes em cuidados intensivos". Acresce, disse, que, segundo os especialistas, "as medidas demoram cada vez mais a produzir os efeitos visados. E quanto mais tarde forem tomadas mais demoram a fazer efeito".

Marcelo Rebelo de Sousa advertiu ainda para o risco de uma terceira vaga pandémica.

"Uma terceira vaga pode ocorrer entre janeiro e fevereiro. Importa tentar conter fortemente em dezembro o processo pandemico, mesmo que ele aparente dias antes ter ultrapassado o pico da segunda vaga", frisou.

O Presidente frisou a importância de "conter o curso da pandemia em dezembro e também, certamente, nos primeiros meses de 2021".

"A vacina, que tem de ser para todos que a desejarem, não cobrirá esses e outros que a ela adiram mais tarde em menos de alguns meses. Atingir situações críticas generalizadas nas nossas estruturas de saúde será dramático para os doentes covid e para os muitos, muitos mais doentes não covid", sublinhou.

"O que temos a dar como certo é que o estado de emergência dure o que for necessário ao combate à pandemia", prosseguiu, deixando um apelo para "que não se facilite". "Não facilitem os decisores políticos, não facilitem os portugueses em dezembro. Do princípio ao fim de dezembro, para não ter de sofrer um agravamento pesado ao virar para 2021", reiterou.

Marcelo assumiu que será necessário procurar "equilibrar esta exigência com não parar a economia, a sociedade, a cultura". 

O chefe de Estado apelou também a que "não se dividam irreparavelmente, entre os defensores da vida e da saúde e os defensores da economia, da sociedade e da cultura. Entre os defensores da dureza sanitária e os defensores da abertura económica". Mas Marcelo foi mais longe, pedindo que "recusem a violência física na discussão democrática a favor e contra o que quer que seja".

O Presidente deixou também alguns recados, pedindo que "partidos e parceiros sociais continuem a fazer a convergência possível". "Há mais do que tempo para se ajuizar de atos e de autores, para apurar e julgar responsáveis. Não faltarão eleições para isso", reforçou.

"É natural que nove meses de pandemia pareçam uma eternidade para os portugueses. E se é verdade que estamos todos no mesmo barco e todos sofrems. Há uns que sofrem na primeira classe, outros na segunda, outros na terceira e outros nos porões", afirmou.

"Não vamos renunciar nem baixar os braços. Vamos fazer o que sempre fizemos em quase nove séculos de história: aguentar pestes, combater guerras, perder e recuperar independências, não desistindo e tendo de refazer vidas - às vezes a milhares de quilómetros de distância - partindo e chegando sem nada, uma mão à frente e outra atrás. Foi assim no passado que nós, portugueses, superámos as piores horas. Mais unidos do que divididos. Nunca desistimos de Portugal", concluiu.

A declaração presidencial ocorre no dia em que foi aprovada pelo Parlamento a renovação do estado de emergência, que irá vigorar entre as 00:00 horas de 24 de novembro até às 23:59 de 8 de dezembro. No decreto presidencial, deixa de haver referência a um estado de emergência "limitado" e foi recuperada a possibilidade do confinamento compulsivo dos infetados com o coronavírus ou pessoas sob vigilância ativa, que se aplicou nos três estados de emergência que vigoraram na primavera.

Adicionalmente, fica prevista a possibilidade de agrupar concelhos em função do risco epidemiológico, distinguindo as medidas restritivas a aplicar. O Governo pondera criar três escalões para os chamados concelhos de risco elevado - com mais de 240 casos por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias - que terão por base os critérios do Centro Europeu de Contolo de Doenças (CECD): de 240 a 480 casos, de 480 a 960 e acima de 960.


(Notícia atualizada)
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