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Resultados das vacinas contra a covid-19 chegam nas próximas semanas

As farmacêuticas fizeram grandes promessas de resultados rápidos nas pesquisas das vacinas contra o coronavírus. O momento da verdade para as que estão na linha da frente chega este mês.

Reuters
Bloomberg 06 de Setembro de 2020 às 15:00
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Os primeiros resultados dos testes sobre se uma vacina consegue impedir o contágio pelo vírus deverão ser divulgados em meados de setembro pela AstraZeneca, de acordo com a Airfinity, empresa de análise que rastreia testes de medicamentos. A farmacêutica prometeu 30 milhões de doses para o Reino Unido até ao fim do mês.

Duas outras candidatas - as vacinas da empresa americana Moderna e da parceria entre a Pfizer, dos EUA, e BioNTech, da Alemanha - também poderão ter dados iniciais antes de uma reunião-chave sobre vacinas contra o vírus agendada para 22 de outubro pela FDA, agência reguladora de fármacos e alimentos dos EUA, disse a Airfinity.

O governo dos EUA disse que os estados devem preparar-se para ter uma vacina disponível até ao dia 1 de novembro. Uma quarta candidata, a vacina da chinesa Sinovac Biotech, poderá ter resultados preliminares logo após a reunião da FDA.

Esses primeiros resultados estarão longe de apresentar o quadro completo. São conhecidos como leituras provisórias - como uma foto tirada antes da conclusão de um estudo, com apenas uma fração dos dados. Na segunda-feira, a Organização Mundial da Saúde alertou contra a aprovação de uma vacina antes que todos os riscos e benefícios estejam claros. Mas, com o ressurgimento do vírus na Europa e a contínua propagação na Índia e nas Américas, os números iniciais serão um indicador importante.

Os primeiros resultados devem ser suficientes para "nos dar uma boa ideia sobre o caminho que estamos a seguir", disse o CEO da Airfinity, Rasmus Bech Hansen. "Estão a avançar mais rápido do que se poderia imaginar".

 

As projeções da Airfinity baseiam-se em dados disponíveis sobre o recrutamento e modelo do ensaio, juntamente com as taxas de infeção em locais onde os pacientes foram recrutados.

Cada uma dessas vacinas experimentais já mostrou resultados promissores em ensaios mais pequenos concebidos para sinalizar quaisquer problemas graves de segurança e mostrar se os candidatos conseguem estimular alguma resposta do sistema imunológico. Os dados de segurança iniciais são essenciais; ao contrário dos medicamentos, as vacinas são normalmente administradas em pessoas relativamente saudáveis e não devem criar riscos graves.

O verdadeiro teste, porém, é um estudo grande o suficiente para mostrar com um elevado grau de certeza se uma vacina candidata pode funcionar no mundo real. Isso requer dezenas de milhares de participantes, em comparação com as poucas centenas de pessoas que tomaram as vacinas nos testes iniciais.

As farmacêuticas geralmente esperam pelos resultados finais antes de pedir aprovação regulatória, e as três candidatas que lideram a corrida devem ter os dados completos até ao fim do ano, segundo a Airfinity. Nos EUA, esse prazo pode não ser rápido o suficiente. Resultados provisórios esmagadoramente positivos podem levar à interrupção dos estudos mais cedo, com a disponibilização de vacinas muito rapidamente ao público, disse Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas, em entrevistas ao Los Angeles Times no início desta semana.

A pressão política para aprovar uma vacina será muito grande se o quadro inicial dos dados desses testes for promissor. O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que uma vacina poderia estar disponível até às eleições de 3 de novembro e acusou a FDA de tentar atrasar o processo de aprovação.

Ao mesmo tempo, Rússia e China já aprovaram vacinas experimentais para uso limitado antes das conclusões dos testes.

A Pfizer disse que deve ter dados suficientes para uma autorização já em outubro.

A AstraZeneca disse que espera resultados ainda este ano, dependendo da taxa de infeção nas comunidades onde realiza testes.

A J&J disse que ainda espera iniciar o seu teste de estágio final este mês, com os primeiros lotes da vacina disponíveis para uso de emergência no início de 2021, enquanto aguarda os resultados do estudo. A Sinovac não quis comentar. A Moderna não quis comentar sobre o prazo para a leitura dos seus dados.

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