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Variante britânica já provocou 150 mil casos de covid em Portugal

Travão nas transmissões secundárias limita a 48% os casos provocados pela variante britânica. Investigador alerta para “novo crescimento exponencial” com desconfinamento, a equilibrar com a "tão desejada" imunidade de grupo.

REUTERS/Rahel Patrasso
António Larguesa alarguesa@negocios.pt 22 de Fevereiro de 2021 às 16:20
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Desde 1 de dezembro de 2020 já foram detados mais de 10 mil casos da variante britânica em Portugal, num total de 53 mil, o que leva o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) a estimar que desde essa altura já terão ocorrido cerca de 150 mil casos de covid-19 no país provocados pela variante do Reino Unido.

 

Durante a sessão com especialistas que decorre esta tarde no Infarmed, o investigador João Paulo Gomes reconheceu que a projeção feita em meados de janeiro, que apontava para que a proporção de casos desta variante atingisse mais de 60% na segunda semana de fevereiro, acabou por não se verificar devido ao "confinamento rígido" implementado.

 

Até este domingo, 21 de fevereiro, o número de casos de covid-19 provocados por esta variante estava limitado a 48% e não se verifica nesta fase uma tendência crescente. A taxa de crescimento da prevalência, que nas primeiras semanas era da ordem dos 80%, isto é, quase duplicava, foi baixando e na última semana "varia entre os 4% e os 10%".

 

Pode ter acontecido que tenhamos consigo travar todas as transmissões, além da primária. João Paulo Gomes, investigador do INSA



Apesar da adoção das medidas de confinamento, era expectável que esta variável britânica, sendo mais transmissível, aumentasse a sua proporção no número de novos casos. No entanto, o que se verifica é um planalto, uma manutenção do nível das semanas anteriores, sublinhou o responsável pelo Núcleo de Bioinformática do Departamento de Doenças Infeciosas do INSA.

 

"O que pode ter acontecido é que tenhamos consigo travar todas as transmissões, além da primária. E bloqueando todos os processos da transmissão secundária, além da inicial, neste caso uma variante mais transmissível terá perdido essa vantagem face a outras, o que só é possivel num confinamento como os que estamos a atravessar no país", justificou.

 

Imunidade de grupo contra a variante

 

Com o tema do desconfinamento já a começar a dominar o discurso político, João Paulo Gomes advertiu que "esta variante não vai desaparecer nem perde as suas características" e, por isso, "é normal que possamos observar um novo crescimento exponencial". O que fazer? Tentar equilibrar com a "imunidade de grupo tão desejada", alcançada através da "vacinação massiva" e também dos "anticorpos robustos" de milhares de portugueses já infetados pelo novo coronavírus.

 

Numa análise à idade dos infetados com esta variante britânica, o investigador evidenciou que "não podemos concluir que haja uma preferência pelas faixas populacionais mais baixas", ao contrário do que chegou a ser admitido por alguns estudos iniciais.

 

Relativamente à variante originária da África do Sul, o INSA apenas identificou quatro casos em Portugal, tendo este domingo, 21 de fevereiro, confirmado os primeiros sete casos de covid-19 associados à variante do Brasil, referentes a uma única cadeia de transmissão.
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