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Centeno: "Qualquer economista pode gostar" de ser governador do Banco de Portugal

Em entrevista à RTP, Mário Centeno negou uma "deterioração da relação" com António Costa e revelou que a decisão de sair foi "sendo construída ao longo do tempo".

Centeno disse no final de fevereiro que a economia portuguesa deverá ter tido      já em 2019 o primeiro excedente orçamental em democracia, indo ao encontro das expectativas da S&P.
André Kosters/Lusa
Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 11 de Junho de 2020 às 21:55
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O ministro das Finanças demissionário não esconde que o cargo de governador do Banco de Portugal é algo que pode ambicionar para o seu futuro profissional, apesar de deixar claro que a decisão não é sua.

"Sou funcionário do Banco de Portugal". A escolha de quem será o próximo governador do Banco de Portugal é uma "decisão que compete ao próximo ministro das Finanças e ao Governo" e "não é minha", disse Mário Centeno em entrevista no telejornal da RTP, admitindo que já falou do assunto com o primeiro-ministro.

 

Adiantou ainda que este é um "cargo que é muito importante para o país", que "não vai perder importância ao longo dos próximos anos" e que é um cargo que "qualquer economista pode gostar de desempenhar".

 
"Ser governante não é um cadastro"

Apesar de ressalvar que esta última frase representa apenas uma qualificação do cargo, Mário Centeno não negou que este seja um dos seus objetivos para o seu futuro profissional e considerou também que não existem incompatibilidades em o exercer, apesar de ter sido ministro das Finanças.

Assinalando que não conhece nenhum país onde exista essa incompatibilidade, Centeno questionou que "depois de ser ministro das Finanças e presidente do Eurogrupo, quais os cargos que me reserva sem incompatibilidades?".

 

"Ser governante não é um cadastro", reforçou Mário Centeno, assinalando que o "país não pode pôr mais restrições a si próprio". "Sempre defendi que o critério de independência não é estratosférico".

 

"Durante mais um mês serei presidente do Eurogrupo e depois voltarei ao Banco de Portugal" - instituição de onde saiu para o primeiro Governo de António Costa, em 2015.

 

Sobre o seu futuro profissional, revelou ainda: "não tenho ambições políticas nenhumas". E a primeira coisa que vai fazer quando deixar o Eurogrupo é passar umas férias que já estão programadas com a família em Portugal.
 

Decisão de sair foi "sendo construída ao longo do tempo" 

 

Mário Centeno, que termina as suas funções como ministro das Finanças na próxima segunda-feira, garantiu na primeira parte da entrevista à RTP que "não houve deterioração da relação" com António Costa. "Nem podia haver. Não podia exercer o meu lugar sem ter uma relação transparente e clara com o primeiro-ministro".

 

Nada mudou, disse ainda, "do ponto de vista político e no relacionamento pessoal". Só que, disse mais uma vez, é o fim de um ciclo. "Essa decisão foi sendo construída ao longo do tempo, conjuntamente com o primeiro-ministro, mas sempre num contexto de grande responsabilidade daquilo que foram as sucessivas tarefas que o ministro das Finanças de Portugal tem para desempenhar, ainda mais como presidente do Eurogrupo", função que quis terminar até ao fim do mandato que acontece a 12 de julho.

"Todas as leituras da minha relação com o primeiro-ministro são descontextualizadas. Não houve deterioração da relação, nem podia haver. Não podia exercer o meu lugar sem ter uma relação transparente e clara com o primeiro-ministro", disse o ainda ministro das Finanças, assinalando que "nada mudou do ponto de vista político e relacionamento pessoal" com António Costa, com quem teve uma "relação muito leal, franca e transparente".  

 
"Relações saudavelmente tensas"

Centeno falou também de "relações saudavelmente tensas" e da necessidade de "combinar inúmeras prioridades" e revelou que não entrou demissionário na reunião com António Costa após a polémica com o Novo Banco.

 

Existia a "necessidade de clarificar uma situação que estava a crescer no domínio público" e "era necessário resolver" o problema e "transmitir a todos da forma que foi feita", revelou.

 

Sobre a relação com o Presidente da República, afirmou que nunca se sentiu incomodado com as declarações de Marcelo Rebelo de Sousa.

 

"Sempre que falámos, mantivemos conversas no foro institucional. Em nenhum momento outra coisa que não o desígnio de trabalhar para o sucesso do país esteve em cima da mesa", acrescentou.

Centeno desvalorizou também a polémica sobre a nomeação de António Costa e Silva para desenhar o plano de recuperação da economia portuguesa.

 

"Quero repor alguma tranquilidade nessa dimensão. Não conheço de facto António Costa e Silva, não falei com ele, mas a decisão e a escolha do nome foi debatida dentro do governo. Participei nessa discussão e as decisões do governo são coletivas", revelou o ministro, assinalando que o orçamento suplementar e o plano de recuperação "são dois planos de ação distintos" e que "não têm de ser articulados".

Poder do Estado na TAP será superior se privados não acompanharem apoio

 

Centeno falou ainda sobre as ajudas de Estado à TAP, afirmando que tem de ser encontrada a melhor forma de assegurar que o dinheiro que os contribuintes vão colocar na companhia aérea seja devolvido.

 

Sobre a relação de forças entre o acionista Estado e os acionistas privados, o ministro adiantou que este pode ser mantido se os privados acompanharem o esforço do governo neste apoio.

 

Já se o apoio que a TAP receber for apenas público, então o poder do Estado terá de ser "muito superior" face ao que existe atualmente.

 

(notícia em atualizada pela última vez às 22:40)
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