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Euler Hermes: Maioria sólida de Boris vai ajudar Reino Unido a crescer mais

A seguradora de crédito Euler Hermes, acionista da Cosec, reviu em alta a projeção de crescimento do PIB do Reino Unido em 2020 de 0,8% para 1%, considerando que a ampla maioria alcançada pelo Partido Conservador vai ajudar a economia britânica a crescer mais.

Reuters
David Santiago dsantiago@negocios.pt 20 de Dezembro de 2019 às 19:09
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Reduzida a incerteza e afastado o cenário de novas eleições no horizonte próximo, o Reino Unido deverá crescer mais no próximo ano do que era até aqui previsto.

Esta é a conclusão principal do estudo da seguradora de crédito Euler Hermes, acionista da Cosec, que considera que a estratégia do Partido Conservador de concluir o Brexit o mais rapidamente possível, sufragada nas eleições gerais de 12 de dezembro, "reduz a incerteza para a economia do Reino Unido", diminuindo ainda o risco de novas eleições nos próximos tempos.

De acordo com o estudo, a estabilização da política britânica após tantos meses de turbulência vai contribuir positivamente para a economia como um todo e, em particular, para as empresas britânicas, a libra e a bolsa londrina. Por outro lado, também o previsto aumento da despesa vai ajudar a animar a economia.

Assim, a Euler Hermes reviu em alta a projeção de crescimento do PIB do Reino Unido em 2020 dos anteriores 0,8% para 1%, antecipando agora uma expansão económica de 1,6% em 2021.

A seguradora de crédito recorda que o manifesto eleitoral do Partido Conservador de Boris Johnson se comprometia com "estímulos orçamentais modestos". Estímulos estes sobretudo assentes em medidas previamente anunciadas: mais 20 mil milhões de libras de despesa, o que equivale a mais de 1% do PIB até 2023-2024.

Além disso, os analistas desta instituição antecipam que o investimento nos serviços públicos cresça para 3% do PIB em 2023-2024. E recordam ainda que o há muito prometido corte da carga fiscal para as empresas foi cancelado, durante a campanha, por Johnson.

O primeiro-ministro anunciou que o corte do IRC dos atuais 19% para 17% previsto para abril do próximo ano seria substituído pelo reforço do investimento – na ordem de 6 mil milhões de libras - em serviços públicos considerados prioritários pelos britânicos, designadamente no setor público de saúda (NHS).

Empresas, libra e mercados ganham com estabilidade

A Euler Hermes acredita que a redução de incerteza e instabilidade vai traduzir-se também em mais investimento das empresas, as quais vão beneficiar de maiores níveis de procura interna, isto apesar de um contexto de previsível abrandamento da economia global e de continuada pressão sobre o preço do petróleo.

Com mais crescimento e uma taxa de inflação abaixo da meta de 2%, o Banco de Inglaterra, que acaba de manter as taxas de juro diretoras, deverá aguardar e só iniciar a normalização da respetiva política monetária (subida dos juros) já em 2021.

Com esta conjuntura, a libra terá tendência para continuar a valorizar-se nos mercados cambiais antes de estabilizar já no decurso do próximo ano, antecipam ainda os analistas da acionista da Cosec.

Também a bolsa de Londres deverá ganhar com a conjugação destes fatores.

Todavia, nem tudo serão rosas para o Reino Unido em 2020. A Euler Hermes antevê que o mais difícil de todo o processo relativo à saída britânica da União Europeia passará pela negociação de um acordo comercial entre os dois blocos.

E considera "improvável" que um acordo bilateral possa estar concluído antes de 2022, desde logo pela dificuldade inerente à implementação de controlos aduaneiros no Mar da Irlanda como decorre do acordo de saída que Johnson firmou, em outubro, com Bruxelas.

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