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Quem é quem nas eleições em Espanha

Cerca de três anos depois das últimas eleições parlamentares, os principais candidatos e partidos surgem em posições distintas relativamente a 2016. Mais do que aspirar ao governo, Sánchez quer mantê-lo, enquanto o PP mais do que ganhar quer dominar a direita.

Pedro Sánchez

Pedro Sánchez
Persistência para chegar ao poder

O ainda primeiro-ministro deve vencer as eleições, mas nada garante que vá governar. Para isso acontecer terá de voltar a fazer valer a capacidade negocial e a persistência demonstradas no longo processo que lhe permitiu governar nos últimos 11 meses. Apesar das fracassadas tentativas de ser investido primeiro-ministro e de ter sido afastado da própria liderança do PSOE, Pedro Sánchez deu a volta por cima reconquistando o partido e chegando ao poder com o apoio do Unidos Podemos e de pequenas forças soberanistas. Após várias derrotas eleitorais para o PP, a quebra dos populares e um panorama político polarizado fizeram do PSOE o partido central da política espanhola. Sánchez rejeita voltar a aliar-se a independentistas para reforçar o perfil moderado do PSOE.

Quero deixar uma coisa clara desde o primeiro momento: não me aliei aos independentistas Pedro Sánchez
Líder do PSOE e primeiro-ministro

Pablo Casado

Pablo Casado
O espelho de Aznar

Pablo Casado substituiu o malogrado Mariano Rajoy no verão de 2018 e fez questão de proclamar que "o PP voltou". Assumido herdeiro do "direitismo" do antigo primeiro-ministro José María Aznar, aos 38 anos Casado representa a chegada de uma nova geração ao comando dos populares mas também um regresso ao passado. Aposta na natureza patriótica (sobretudo no combate ao independentismo) e católica do PP e no conservadorismo nos costumes que durante anos foi imagem de marca da direita espanhola. O novo líder recolocou os populares mais à direita no espectro político espanhol para tentar limitar o crescimento do Vox (extrema-direita) e afirmar-se como o verdadeiro líder da direita ante em resposta à crescente popularidade de do líder do Cidadãos.

Não se pode branquear o terrorismo nem o separatismo. Pablo Casado
Presidente do PP

Albert Rivera

Albert Rivera
O catalão rosto do unionismo

Natural de Barcelona, Albert Rivera é catalão mas também opositor do secessionismo da Catalunha. Foi isso que o levou à política e à formação do Cidadãos, que nasceu como um partido anti-independentismo e só depois adquiriu relevância nacional. A forma como protagonizou a oposição à declaração de independência catalã pertimitiu-lhe liderar as sondagens na primeira metade do ano passado. Até 2018 tentou afirmar o Cidadãos como um partido "centrista" e liberal, posicionado entre PSOE e PP para assim assumir o papel de força charneira capaz de viabilizar soluções de governo quer à esquerda quer à direita. Todavia, a chegada de Casado ao PP e o surgimento do Vox levaram Rivera a radicalizar o discurso na tentativa de fazer do Cidadãos o maior partido da direita.

Os espanhóis são a minha grande família (...) Quando estamos juntos, somos mais fortes.  Albert Rivera
Presidente do Cidadãos

Pablo Iglesias

Pablo Iglesias
O radical em vias de ser moderado

O professor de Ciência Política aproveitou a mobilização dos "indignados" do 15 de Maio para, já em 2014, formar o Podemos. Capitalizou o mediatismo granjeado com aparições múltiplas nos media, permitindo-lhe normalizar a mensagem marxista de um discurso muitas vezes rotulado de populista. Depois de em 2016 ter falhado a substituição do PSOE como principal partido da esquerda espanhola (o famoso "sorpasso", pelo qual se aliou aos pós-comunistas da Esquerda Unida na aliança Unidos Podemos) e ante as divisões no seio do Podemos quanto ao caminho a seguir, Iglesias optou nesta última fase pela institucionalização do Podemos. Iglesias surge agora com um discurso mais moderado acreditando ser mais conforme à participação no governo, meta atual do partido.

Para que o PSOE cumpra algumas propostas que faz, temos de estar no governo. Creio que isto não é discutível. Pablo Iglesias
Líder do Podemos

Santiago Abascal

Santiago Abascal
Direitismo franquista

Criado em 2013, só em 2018 o Vox assumiu protagonismo graças à subida consistente do partido de ultra-direita nas sondagens. Em dezembro teve quase 11% nas eleições autonómicas da Andaluzia e no mês seguinte entendeu-se com PP e Cidadãos para criar o primeiro governo de direitas na região. O líder Santiago Abascal soube aproveitar o terreno fértil criado pela deterioração de um PP fragilizado pela corrupção, o ambiente favorável a movimentos nacionalistas e a ameaça independentista. Depois de em 2016 não ter eleito deputados, tem agora garantido o lugar de quinto partido e aspira mesmo a ficar em terceiro. Nacionalista, xenófobo e machista, Abascal foi filiado no PP, do qual se afastou por considerar que o partido perdera a sua natureza conservadora.

Se amas o teu país, és chamado xenófobo e fascista. Se dizes que a imigração tem de ser controlada, és racista e fascista.  Presidente do Vox
David Santiago dsantiago@negocios.pt 27 de Abril de 2019 às 17:00
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