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Socialistas europeus querem copiar geringonça

A solução de Governo protagonizada pelo PS e António Costa é vista na Europa como fórmula a replicar pelos partidos socialistas em clara perda eleitoral. A reboque da vinda de Benoît Hamon a Portugal, o site Politico sublinha essa vontade mas nota que será difícil reproduzir.

Reuters
David Santiago dsantiago@negocios.pt 24 de Fevereiro de 2017 às 13:59
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Ainda com poucos dias de vida a geringonça já servia de exemplo a líderes socialistas. Foi isto mesmo que trouxe Pedro Sánchez, então secretário-geral do PSOE, a Lisboa logo no início de Janeiro do ano passado, duas semanas depois das legislativas espanholas que resultaram num Parlamento fragmentado e sem soluções evidentes de Governo.

 

Cerca de um ano volvido, foi a vez de Benoît Hamon, o inesperado candidato do PS francês, a vir a Lisboa durante dia e meio para tentar perceber como foi possível ao primeiro-ministro português negociar uma inédita e improvável solução de Governo com os partidos ditos da extrema-esquerda, até aqui sempre distantes de responsabilidades executivas.

 

Apesar das especificidades de cada país pode traçar-se um quadro relativamente geral para os chamados partidos socialistas europeus, integrados no que se convencionou designar de social-democracia de centro-esquerda.

 

À perda de relevância eleitoral – em que o caso mais paradigmático é o do Pasok, na Grécia, que foi substituído como grande partido pelo até aí radical Syriza – junta-se o surgimento de novos partidos e o crescimento do fenómeno populista não só na Europa. Muitas vezes aliados, como mostra o anti-sistema Movimento 5 Estrelas, em Itália, o Alternativa para a Alemanha (AfD), na Alemanha, ou o Podemos, em Espanha.

 

Partindo deste quadro, o site Politico sustenta que "os socialistas europeus que estão à procura da fórmula para reverter o seu declínio eleitoral estão a folhear dicionários para encontrar a tradução da palavra portuguesa geringonça". E não hesita referir que o representante da ala mais à esquerda do PSF veio a Portugal "procurar inspiração" para ele próprio criar uma "brinquebalante", isto numa altura em que segue em quarto lugar nas sondagens e com escassas possibilidades de passar à segunda volta nas presidenciais gaulesas.

 

No texto publicado esta sexta-feira, 24 de Fevereiro, pelo Politico, este site especializado em questões políticas salienta que a oposição não viu cumprida a sua expectativa de que a geringonça se desmancharia devido à alegada impossibilidade de António Costa conseguir "objectivos aparentemente contraditórios: recuar na austeridade para satisfazer os parceiros da esquerda; e manter-se fiel à restrição orçamental exigida pelos parceiros da Zona Euro e os credores externos".

 

Em subtítulo, o Politico retracta estes cerca de 15 meses de geringonça como uma "história improvável de sucesso", apoiando-se em factores como a perspectiva de um défice orçamental de 2,1% em 2016 e nas elevadas taxas de popularidade do primeiro-ministro.

 

Será difícil reeditar geringonças na Europa

 

O Politico sustenta que num ano de importantes eleições no Velho Continente, será difícil a reedição de soluções governativas à imagem da construída em Portugal. Desde logo o Partido Trabalhista Holandês, partido júnior da coligação que governa na Holanda e que enviou recentemente uma delegação a Lisboa para tirar notas sobre a geringonça, poderá cair de segunda maior força para quinta, mostram as sondagens referentes às legislativas agendadas já para o próximo mês de Março.

 

Depois centra-se nas presidenciais francesas, recordando que Benoît Hamon tem como única possibilidade de passar à segunda volta convencer Jean-Luc Mélenchon, candidato representante de comunistas e parte da extrema-esquerda, a desistir e conferir-lhe apoio.

 

Ao contrário do que a maioria poderia esperar poucos meses, as melhores perspectivas poderão vir da Alemanha, muito graças ao crescimento nas sondagens conseguido pelo SPD desde que confirmou Martin Schulz, ex-presidente do Parlamento Europeu, como o rival de Angela Merkel. Mesmo perdendo, o SPD poderia negociar um acordo à esquerda com os Verdes e até mesmo o Die Linke.

 

Já depois de notar que "as esquerdas não são todas iguais", o que dificulta a reprodução de uma plataforma de Governo à imagem da geringonça, e em conclusão, o Politico considera que esta solução pode até ser "difícil de replicar", assumindo ser perceptível que num tão mau momento dos socialistas estes tentem "descobrir se ao menos algumas componentes da geringonça são exportáveis". 

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