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Centeno quis falar das "conquistas" do passado, direita preferiu saber da crise política

No rescaldo do desentendimento com o primeiro-ministro, Mário Centeno foi buscar todos os trunfos da sua governação para intervir no debate sobre o Programa de Estabilidade.

Lusa
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Já tinham decorrido quase duas horas de debate sobre o Programa de Estabilidade, quando Mário Centeno falou. E o ministro das Finanças aproveitou o palco da Assembleia da República, no dia seguinte a um desentendimento com o primeiro-ministro, para passar em revista todas as "conquistas" do passado, em matéria económica e financeira.

Mário Centeno louvou os resultados económicos de 2019, defendendo que Portugal estava a crescer acima da média da União Europeia, frisou que o Governo foi quem mais acertou nas projeções macroeconómicas e notou que os resultados nos primeiros dois meses do ano continuavam positivos. 

Frisou que o Governo conta com quatro orçamentos do Estado com "objetivos cumpridos", que reduziu a dívida pública, que Portugal diminuiu também o endividamento privado e que por isso não deve permitir que o "interregno" no crescimento afete a estabilidade das instituições, sejam financeiras, sejam sociais.  

Sobre o Programa de Estabilidade, argumentou que o Executivo calculou o impacto do confinamento na economia por cada 30 dias em que esteja a ser aplicado e que apresentou as consequências de todas as propostas feitas nas contas públicas. "Foi assim que sempre construímos os Programas de Estabilidade", defendeu.


Sobre a polémica política em torno do Novo Banco, nem uma palavra. Mas a oposição não deixou passar. Pelo PSD, Álvaro Almeida criticou primeiro a falta de informação no Programa de Estabilidade – "que não cumpre as regras", disse – mas não hesitou em perguntar a Centeno "qual foi o preço da vitória" sobre o primeiro-ministro. "Vai ser obrigado a ficar no governo mais tempo? Teve de abdicar do cargo no Banco de Portugal, ou a partir de setembro vamos tê-lo deste lado", quis saber, em tom provocatório.

"A sua intervenção foi um verdadeiro testamento político", somou Duarte Pacheco, também deputado social-democrata. "Veio aqui de forma cansada e estafada, repetir pela enésima segunda vez o que fez. Mas já sem um rasgo de esperança do que vai fazer", atirou. "Faltou o essencial, porque faltou a estabilidade governativa num momento essencial da política do país. Faltou a estabilidade do governo, com os conflitos criados entre o ministro das Finanças e o primeiro-ministro", defendeu.

António Filipe, deputado do PCP, garantiu que os comunistas não estão "nada preocupados com psicodramas da relação política entre o primeiro-ministro e o ministro das Finanças", concentrando-se antes em criticar a resposta europeia, que diz aos Estados que se endividem para depois "criar novas troikas", frisou.

Mas Mariana Mortágua, deputada do BE, não deixou passar o tema do Novo Banco. "A República tem o dever e o poder de saber ao pormenor como gasta cada cêntimo do dinheiro público. E o governo tem o dever de responder a essa exigência porque é o mesmo governo que nega" mais apoios na resposta à crise, argumentou.

Na resposta, Mário Centeno comprometeu-se a apresentar em junho, juntamente com o Orçamento Retificativo, as projeções macroeconómicas, argumentando que está à espera de saber como será desenhado o apoio da União Europeia à recuperação económica dos países. 

No final, falou sobre o Novo Banco. Disse primeiro que não permitirá "que uma instituição bancária que tem as portas abertas possa ser prejudicada por um debate parlamentar", e depois repetiu o que já tinha afirmado ontem: "Não há nenhuma injeção de capital no Novo Banco sem auditorias. Não há ausência de controlo nestes processos."

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