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Rafael Marques: "é inaceitável" que Isabel dos Santos diga desconhecer "os abusos na era do pai"

Ativista acusa empresária de ter uma "abordagem exclusivamente narcisista da realidade e do sistema de justiça do seu país".

Bruno Simão/Negócios
Celso Filipe cfilipe@negocios.pt 30 de Novembro de 2022 às 14:07

No mesmo dia em que Isabel dos Santos deu uma entrevista à CNN (29 de novembro), o ativista Rafael Marques de Morais deixou duras críticas à filha do antigo presidente, José Eduardo dos Santos. "É inaceitável que alguém que se apresente como potencial candidata a presidente da República, cargo cujos poderes constitucionais permitem decidir sobre a vida e a morte dos angolanos, tenha uma abordagem exclusivamente narcisista da realidade e do sistema de justiça do seu país, como se Angola fosse uma bola, com todos lá dentro, para pontapear a seu bel-prazer", escreveu no site Maka Angola.

Numa entrevista anterior à Deutsche Welle, Isabel dos Santos tinha afirmado estar a ser perseguida pela justiça, considerando que Angola não "não é um Estado de direito democrático". Na ocasião, a empresária disse ainda ter percebido que o MPLA era um partido corrupto.


"A família dos Santos, pontificada por Isabel e com Manuel Vicente como único concorrente equiparável, foi a principal beneficiária da guerra, da paz, da falta de justiça em Angola, do incumprimento das leis, da falta de independência do poder judicial e da violação dos direitos humanos. Mas a ex-presidente do conselho de administração da Sonangol diz que ‘não tinha noção’ da gravidade das injustiças e não sabia nada da violação dos direitos humanos. O rol de injustiças, de abusos de poder e de cultura de intrigas destruíram o tecido social angolano, ao ponto de os cidadãos permitirem sem reagir, salvo alguns queixumes, a pilhagem desabrida do país. E continuam a facilitar o seu saque", sublinha Rafael Marques de Morais num artigo intitulado "O ilusionismo de Isabel dos Santos".

Num longo texto, o ativista lembra ainda os períodos em que ele próprio foi vítima do Governo então liderado por José Eduardo dos Santos. "De que perseguição sofreu Isabel dos Santos? Uma perseguição que lhe permitiu furtar-se a uma notificação oficial e embarcar para um exílio de luxo no mesmo dia?

Cada um conta a sua história ou estória de perseguição. Eu conto a minha.

Passei 19 anos a enfrentar processos judiciais, incluindo os movidos por JES e por um total de dez poderosos generais. Arrepiei-me com dois atentados à minha vida, incluindo um na África do Sul que, conforme vim a saber mais tarde, foi abortado no último minuto pelas mesmas ordens superiores que o haviam ordenado. Deveria eu ter agradecido a magnanimidade?

Estive preso e 'retido' várias vezes e até fui brutalmente espancado no quartel-general da Polícia de Intervenção Rápida (PIR), com direito à filmagem da selvajaria. Tive o passaporte confiscado no aeroporto por mais de dez vezes e um rol indescritível de perseguições e de vigilância física a todo o tempo. Isso incluiu o parqueamento permanente, numa casa vizinha à minha, de uma mini-van montada com sofisticados equipamentos de escuta (24h/24h), numa operação coordenada pelo israelita Haim Taib, cujas empresas continuam a beneficiar de grandes contratos com o atual governo".

 

Na opinião de Rafael Marques de Morais, "é simplesmente inaceitável anunciar à imprensa livre estrangeira que não tinha noção dos abusos na era do seu pai" quando "até há bem pouco tempo, Isabel dos Santos era a dona da ZAP TV em Angola, que, no governo do seu pai, nunca moveu uma palha para garantir a liberdade de imprensa nos seus espaços – antes pelo contrário".

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