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Powell jantou com Trump e pôs critérios políticos fora da mesa

Powell e Clarida, da parte da Reserva Federal norte-americana, sentaram-se à mesa da Casa Branca com o presidente Trump e o respetivo secretário de Estado do Tesouro, Mnuchin. A mensagem foi de separação entre os critérios utilizados para definir a política monetária e as motivações políticas.

EPA
Negócios jng@negocios.pt 05 de Fevereiro de 2019 às 10:23
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O presidente norte-americano, Donald Trump, convidou o líder da Reserva Federal americana, Jerome Powell, para jantar. À mesa também se sentou o secretário de Estado do Tesouro, Steven Mnuchin, mas a Fed afirmou não haver espaço para "análise política" na sua intervenção como banco central, informou a instituição num comunicado, publicado pela CNBC.

 

O presidente da Fed, Jerome Powell, e o vice-presidente da mesma instituição, Richard Clarida, aceitaram o convite do presidente dos Estados Unidos para um "jantar informal" na Casa Branca, avançou o banco central. O objetivo foi "discutir os desenvolvimentos económicos recentes e as perspetivas de crescimento", diz a mesma nota.

 

Nesta discussão, o presidente da Fed terá aproveitado para reiterar a posição que marcou na conferência de imprensa da semana passada, que se seguiu à decisão da Fed de não alterar a taxa de juro diretora. 

 

Segundo a comunicação da Fed, Powell "não discutiu as suas expectativas em relação à política monetária, exceto para sublinhar que o caminho a seguir em relação a estas políticas irá depender inteiramente da informação económica que é publicada e do respetivo significado para o panorama económico". As decisões, terá insistido, serão baseadas "somente em análise cautelosa, objetiva e não política".

 

Por fim, o presidente do banco central norte-americano garantiu que está a trabalhar tendo em mente objetivos como a criação máxima de emprego e a estabilização dos preços.

 

Na última quarta-feira, dia 30 de janeiro, a Reserva Federal dos Estados Unidos decidiu, sem surpresas, manter os juros diretores no atual intervalo entre 2,25% e 2,5%. Mas mudou substancialmente a linguagem do seu discurso. Não só não disse quantas vezes prevê mexer nos juros este ano, como também abriu a porta a que a próxima mexida possa ser para cima ou para baixo.

Vários meses de críticas

Há meses que Donald Trump critica duramente o presidente da Fed, por considerar que Powell está a penalizar a economia norte-americana ao subir as taxas de juro.

As últimas surgiram em dezembro, quando Trump criticou novamente Powell por "sequer considerar" subir taxas de juro. Isto um dia antes de a Fed decidir subir os juros pela quarta vez em 2018. A imprensa norte-americana chegou mesmo a avançar que Trump discutiu em privado a demissão do presidente do banco central pela sua decisão de aumentar os custos de financiamento, o que aumentou a tensão nos mercados financeiros no final de 2018 . 

 

Em outubro, Trump disse também que a Fed estava a "cometer um enorme erro" ao manter o ritmo de normalização da política monetária. Afirmou ainda que os governadores do banco central estavam "doidos" e que a política da instituição é "demasiado agressiva". 


Agora este jantar acontece numa altura em que Powell adotou uma postura mais "amigável" para Trump, uma vez que a Fed deixou de falar de subidas de juros. 

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